Resumo do Modernismo: Oswald de Andrade (1890 – 1954)


José Oswald de Sousa Andrade, nascido em São Paulo, no dia 11 de janeiro do ano de 1890, foi um importante dramaturgo, escritor e ensaísta brasileiro. Filho único de Inês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade e de José Oswald Nogueira de Andrade, foi uma das personalidades mais polêmicas do Modernismo do Brasil. Pode-se dizer ainda que ele foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna do Brasil, que aconteceu no Teatro Municipal da cidade de São Paulo, entre os dias 11 e 18 de fevereiro do ano de 1922.

A crítica o considerou como o elemento mais rebelde do movimento, sendo ainda também caracterizado como o mais inovador. No ano de 1912, Oswald foi para Paris, onde viveu durante cinco anos e teve suas ideias influenciadas fortemente pelos futuristas. Sua participação ativa na Semana de Arte Moderna é seguida de sua segunda viagem à Europa. Em Paris, ele acabou promovendo a conferência ‘O esforço intelectual do Brasil contemporâneo’.

Oswald de Andrade

Oswald de Andrade publicou dois dos mais importantes manifestos do período do Modernismo brasileiro, com o título de Manifesto Antropófago e o Manifesto da Poesia Pau Brasil.

Resumo do Manifesto Antropófago e o Manifesto da Poesia Pau Brasil

O Manifesto da Poesia Pau Brasil, juntamente com o manifesto que foi publicado por André Breton, acaba reforçando a tese de que o nosso país estava acompanhando de maneira plena o movimento das vanguardas mundiais. Através dessa obra, Oswald de Andrade defendeu uma poesia ingênua, no sentido de não se contaminar por formas já pré-estabelecidas de fazer arte e de pensar.

O Manifesto da Poesia Pau Brasil é desenvolvido em um tom voltado intimamente de festa e de paródia, uma espécie de prosa poética pautada em frases aforísticas. Nessa obra, expressa a vontade de que o Brasil passe a ser uma cultura de exportação, tal qual como foi com a exportação da madeira do pau-brasil. Por isso, Oswald acaba defendendo uma poética original e espontânea, considerando o Naturalismo uma cópia balofa.

Sem perder a ingenuidade e o bom humor, o Manifesto da Poesia Pau Brasil acaba por propor a descolonização de seu país, através da revolta da população, e além disso, negro, através da exposição de uma sugestão de Blaise Cendrars.

Podemos dizer, que este manifesto pode ser caracterizado como uma obra do Futurismo tropicalista, já que tempos a escola e a floresta, consideradas a base presente e dupla do mesmo.

Já o Manifesto Antropófago foi publicado na primeira edição da Revista de Antropofagia, que foi fundada no mês de maio do ano de 1928 e durou até agosto do ano seguinte. Nessa obra, foi feita uma espécie de síntese de pensamento do autor sobre o Modernismo do Brasil, onde o autor se inspirou de maneira explicita nos pensadores Freud, Marx, André Breton e Rousseau.

No entanto, a técnica utilizada na escrita do Manifesto Antropófago, faz com que a obra se aproxime das vanguardas positivas, propondo assim uma língua nacional diferente do português. Foi utilizada uma linguagem popular, que explorava alguns desvios da língua, intentando uma forma de erro criativo, por exemplo, com a utilização de palavras como mio, mió, sordado, etc.

Diversas ideias estão implícitas nesta obra, onde o poeta escritor Oswald de Andrade acaba se expressando de maneira poética. Uma delas, é a antropofagia, e ainda tem a ver com o papel que o canibalismo das sociedades tradicionais e tribais tem simbolicamente. Isso porque o canibal não come outro ser humano apenas por alimentação, mas sim porque procura incluir em si mesmo as qualidades desse outro alguém ou inimigo. Dessa maneira, o canibalismo é interpretado como uma espécie de veneração do inimigo, porque se o inimigo possui valor e interesse para ser comido, o ser que pratica o canibalismo acaba se tornando mais forte.

Oswald continua expressando a ideia ainda de que a cultura do Brasil é mais forte, já que apesar de ter sido colonizada pelos europeus, este foi digerido por eles, tornando-se assim, superiores.

Outra ideia expressa nessa obra, é de que o país, que tem como símbolo o índio, acaba absorvendo o estrangeiro, que é um elemento considerado estranho a si, tornando-se carne da sua carne, e em seguida, canibalizando-o.

O Manifesto Antropófago insiste demasiadamente nas ideias que foram expressas por Freud, em um de seus trabalhos, do ano de 1912, intitulado Totem e Tabu. Segundo ele, o pai de uma tribo foi comido depois de morto pelos próprios filhos e em seguida, este foi divinizado. Consequentemente, criaram-se as interdições à sua volta.

Embora o manifesto seja uma obra nacionalista, ela não é xenófobo e sim xerofágico. Por este motivo, Oswald de Andrade é considerado um vanguardista, e ainda o primeiro autor brasileiro, a alcançar a maior repercussão internacional e a influenciar o movimento da literatura brasileira, o concretismo e ainda o poeta mais aclamado nos mais diversos círculos literários da nossa atualidade.