Resumo do Realismo em Portugal


A grande maioria dos movimentos artísticos portugueses foram conhecidos pela sua relevância para a literatura mundial, sendo que os maiores exponentes artísticos do país sempre emergiram a partir de livros que culminaram em movimentos sociais. E como já é de se imaginar, o realismo em Portugal seguiu este mesmo caminho, se alimentando de grandes escritores e de uma corrente de pessoas que deram origem a vários clássicos da literatura portuguesa. Porém, existem vários detalhes que contribuíram para que este movimento desse certo, trazendo uma origem rica, perfilada de detalhes históricos e cheia de reviravoltas.

A princípio, o Realismo em Portugal tem objetivos muito semelhantes aos fatos que desencadearam o Realismo na França, local de origem deste movimento: a expressão do homem tal como ele é, imerso em seus conflitos e imperfeições, e conseguindo viver com isso, apesar de tudo, porém, ele se centrou em temas um pouco diferentes devido o contexto histórico que Portugal vivia no período em que ele começou a ser implantado. Para entender melhor o Realismo em Portugal, vamos entender o seu contexto histórico.

Realismo em Portugal

O Realismo em Portugal e a briga entre classes

Como a maioria dos movimentos culturais, o Realismo em Portugal surge a partir de diferenças entre classes, mais especificamente em 1865, quando os representantes da velha monarquia portuguesa, deposta em 1820, ainda travavam grandes conflitos com os pensadores liberais. Esses conflitos envolviam questões sociais, o papel dos indivíduos na sociedade e principalmente a forma de se encarar o mundo. E como tal, os dois lados tentavam firmar o seu ponto de vista, levando a intensos embates filosóficos, existenciais, cívicos e físicos.

Neste período, Portugal ainda engatinhava no contexto das ideias modernas, iniciando de maneira muito superficial a implantação de novas ideias filosóficas e científicas, pensamentos estes que já estavam em alta em toda a Europa há pelo menos 1 século.

Com todo esse atraso, os portugueses começam a perceber que era necessário compensar o tempo perdido, indo atrás de novas ideias e se libertando do seu passado. E nesse contexto, pensadores liberais começam a ganhar mais força, até que um grupo deles formado por Oliveira Martins, Teófilo Braga, Antero de Quental e alguns outros passam a receber críticas do tradicionalista Árcade Castilho, o que deu origem ao marco do Realismo em Portugal.

A Questão Coimbra

Não contentes com a crítica, o grupo dos idealistas busca formas de responder os tradicionalistas. Assim, surge um embate cada vez mais intelectual a respeito da diferença entre o velho e o novo, o conservadorismo e o liberalismo, o romancismo contra o modernismo, em dois lados que marcavam claramente a diferença entre os conservadores e os pensadores modernos.

Como forma de atender à demanda portuguesa por cultura, os liberais passaram a organizar conferências a partir de 1870, promovendo debates a respeito da renovação cultural e a importância de modernizar a arte em Portugal, seguindo as tendências da Europa e dos Estados Unidos na época. Estes encontros se chamaram Conferências Democráticas do Cassino Lisboense, e a partir dela, passaram a imergir textos cada vez mais focados nas diferenças entre classes, que buscavam expor o ser humano tal como ele é, diferente dos romantizados personagens das histórias clássicas, com conflitos psicológicos e morais. Estes textos eram escritos em forma de prosa e poesia, e deram origem ao Realismo em Portugal.

Textos do Realismo Português

O Realismo em Portugal, tal como se formou, tinha características muito específicas de se tornar um movimento literário, focado em apresentar o homem como um ser imperfeito, incapaz frente alguns problemas e muitas vezes injusto. Para expressar essas características, o Realismo foi explorado de duas formas:

• A Prosa Realista – O principal nome da Prosa Realista portuguesa foi Eça de Queiroz. Em seus textos, os prosistas construíam textos crus, com ataques à burguesia, à religião, à falsa moralidade e ao governo, desconstruindo o homem como ele é para fazê-lo surgir novamente com uma moral real.

• A Poesia Realista – A poesia no Realismo em Portugal foi construída com o objetivo de questionar. Questionar valores, questionar o cotidiano, questionar a política, a vida, a morte e a própria religião. Como tal, sua própria estrutura sofreu alterações, mudando formatos e sendo uma base real para o que viria a ser anos mais tarde o desconstrutivismo.

Características do Realismo em Portugal

Como já ficou claro, o Realismo em Portugal teve um foco primariamente social, questionando o papel social de cada um e apresentando os desafios que a vida impõe a todos, independente de sua classe. Dessa forma, o realismo se apresenta tal como a vida é, descrevendo pessoas comuns, imperfeitas e capazes de cometer erros.

Na maioria dos casos, valores são desconstruídos em busca da verdade, trazendo um grande crescimento para os personagens que entendem que eles podem ser quem eles precisam ser, livrando-se dos valores descontextualizados e apegando-se ao que eles acham certo.