Resumo Macunaíma


Macunaíma é um dos mais famosos livros produzidos pela literatura brasileira. Escrito no ano de 1928 pelo paulistano Mario de Andrade, o romance, considerado pelos estudiosos inserido no gênero modernista, apresenta um mosaico da cultura brasileira por meio de uma narrativa repleta de metáforas e simbolismos.

Resumo Macunaíma

Além disso, vale lembrar que os intelectuais da cultura brasileira, naquele período, ainda estavam vivendo os ideais do movimento antropofágico, que em termos culturais, enfatizava a retomada dos valores nacionais na concepção artística produzida em nosso país.

Nesse aspecto, o romance Macunaíma se enquadra nos ideais antropofágicos.
Macunaíma é o título do livro e também o nome do protagonista, considerado mais tarde como o “herói sem caráter”. Essa postura do autor, em criar um personagem principal de índole duvidosa, foi uma maneira que Mário de Andrade encontrou para romper com os velhos ditames românticos da literatura nacional, que enfatizava protagonistas de ideais nobres e comportamento sempre correto. Macunaíma é exatamente o oposto, sendo apresentado como um indivíduo arrogante, egocêntrico e dono de um comportamento bastante lascivo.

Além do preguiçoso e vaidoso Macunaíma, entre os personagens principais é possível destacar:

– Maanape: Irmão de Macunaíma, representa a população negra brasileira.
– Jiguê: Também irmão e Macunaíma, é a representação do povo indígena.
– Vei: Personagem que possui duas filhas e almeja que Macunaíma case com uma delas.
– Sofará: É uma companheira de Jiguê, embora tenha tido relações de cunho sexual várias vezes com o Macunaíma.
– Iriqui: Outra esposa de Jiguê, que várias também caiu nas graças do protagonista.
– Ci: Chamada de a Mãe do Mato foi o grande amor da vida de Macunaíma. Foi essa personagem que deu para Macunaíma a pedra Muiraquitã, que ao ser roubada, faz o personagem sair da sua zona de conforto e empreender uma busca.
– Venceslau Pietro Pietra: O ladrão que roubou a pedra Muiraquitã. Venceslau é o “Gigante Comedor de Gente”.
– Ceiuci: Esposa do gigante Venceslau. Ela também é devoradora de carne humana.

As características do romance Macunaíma, em termos literários, foram inovadoras para a época, uma vez que o autor Mario de Andrade rompeu com a narrativa comum. Sendo assim, a prosa de Macunaíma é:

– Não obedece vertentes realistas, ou seja, o personagem passa por situações absurdas que representam metáforas sobre o Brasil e a sua cultura.
– Conta com forte característica indianista.
– Cria um mosaico de lendas referentes a cultura nacional.
– Estabelece uma linguagem própria, em que o autor se sente livre para burlar algumas regras gramaticais.

O resumo de Macunaíma

Macunaíma veio ao mundo às margens rio Uraricoera em algum ponto da Floresta Amazônica. Uma das primeiras manifestações do protagonista ao nascer foi destacar a sua preguiça. Depois disso, Macunaíma, ao lado dos irmãos, vive uma infância em que ele destila toda a sua falta de caráter, se mostrando um grande mentiroso, manipulador e sempre ávido por prazer.

Já adulto, Macunaíma conhece a índia Ci, também chamada de “A Mãe do Mato”. O protagonista passou a nutrir amor por essa mulher. Ela inclusive dá um filho a ele, que já nasceu morto. Ci também vem a falecer, mas antes ela ainda deu para o anti-herói uma pedra chamada Muiraquitã. Descuidado como sempre, Macunaíma perde essa pedra e entra em desespero. Mais tarde o protagonista descobriu que a muiraquitã foi roubada por um gigante chamado Venceslau Pietro, um temido gigante canibal. Apesar da fama do ladrão, Macunaíma e seus irmãos empreendem uma jornada em busca da pedra.

A partir desse momento, o autor Mario de Andrade brincou com os parâmetros clássicos da jornada do herói e colocou a sua narrativa em uma série de simbolismos que representam o folclore do país.

Após recuperar a sua pedra, Macunaíma retornou para a sua tribo, mas devido a sua índole desleixada e preguiçosa, perde a pedra mais uma vez. Sendo assim, ciente de que a muiraquitã é uma metáfora que significa a sua essência, desiste de procurar e então ele decide ir para o céu, se transformando na constelação Ursa Maior, ou seja, o destino adequado para quem passou a vida inteira sem querer fazer nada.

O autor e a sua obra em outras mídias

O autor Mário de Andrade nasceu na cidade de São Paulo no ano de 1893. Mais tarde, se tornou um grande nome da cultura nacional ao estar envolvido na organização da Semana da Arte Moderna, que foi realizada em 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Entre as suas obras literárias mais famosas, além de Macunaíma, estão o livro de poesia Pauliceia Desvairada e o Amar, verbo intransitivo, que critica os pudores sociais da sociedade da sua época.

Mário de Andrade também atuou como crítico literário, porém a sua obra mais famosa é mesmo Macunaíma. Além de livro, Macunaíma também foi adaptado para o cinema no ano de 1969, sendo dirigido por Joaquim Pedro de Andrade. No mesmo longa-metragem, Macunaíma foi interpretado por Grande Otelo e Paulo José.