Resumo Suicídio na Granja


Um conto com características diversas e que exigem atenção contínua por parte do leitor. Do que estamos falando? Do conto ‘Suicídio na Granja’. Suicídio na Granja é um dos contos que compõem uma das obras mais memoráveis de Lygia Fagundes Telles: “Invenção e Memória”. Neste artigo confira um resumo sobre o conto Suicídio na Granja e um pouco sobre a obra que o abriga, “Invenção e Memória”.

Resumo Suicídio na Granja

Sobre o conto ‘Suicídio na Granja

Basicamente o conto Suicídio na Granja é dividido por três “tempos de narração”. Esses tempos interagem com a memória da narradora e partem de um assunto comum, o suicídio.

• Seria uma ficção do tipo ‘autobiográfica’?
Muitos críticos literários veem a obra Suicídio na Granja como uma ficção, porém, autobiográfica. Confuso, não é mesmo?

Por mais que a história não seja real, ou seja, não tenha acontecido, ela é marcada pela presença de um personagem-autor. Esse personagem, por sua vez, é a própria escritora Telles.

Já no início do conto tudo dá a entender o retorno de Telles para o seu ‘universo de criança’. Suas lembranças são o que a motivam a fazer parte, ou seja, protagonizar o conto. Basicamente, a autora mescla suas lembranças da infância e juventude com algumas invenções.

O narrador, que está no presente/tempo contemporâneo, é preso à reflexão sobre a morte e, especialmente, sobre quais são as causas que motivam o indivíduo a cometer um suicídio. Não à toa, o conto se inicia desta forma com o seguinte parágrafo:

“Alguns se despedem e também se justificam por meio de cartas, por meio de gestos ou de telefonemas. Mas outros se vão em total silêncio, sem que fique qualquer explicação para o ocorrido” (adaptado).

Estimulada principalmente por suas memórias da infância e da adolescência, Telles começa a narrar algumas de suas recordações.

Ela fala sobre a vivência por alguns anos em uma chácara. Essa chácara é detalhada como um espaço cheio de roseiras, de cores, de animais e é claro, de felicidade entre as crianças que adoravam brincar por lá.

Porém, o objetivo em recordar da chácara é outro. Ela se lembra de um coronel que se suicidou nas proximidades do ambiente. O que ele fez foi colocar uma enorme variedade de pedras no bolso, e em seguida, pular dentro de um rio. Ele afundou e, obviamente, faleceu.

Além disso, ela também tem a lembrança de seu pai explicando que apenas os seres humanos tinham a capacidade de se suicidar. Os animais, as plantas ou outros seres não tinham essa mesma ‘coragem’.

Logo no decorrer a história muda de cenário. Agora, Telles se lembra de um ganso e de um galo que conviviam juntos como se fossem velhos amigos. Ela usa sentimentos e comportamentos essencialmente humanos para descrevê-los. Não à toa, essa parte do conto se assemelha mais a uma fábula.

O ganso e o galo ganham até nomes ‘humanos’ no conto: Platão para o primeiro e Aristóteles para o segundo.

Porém, o que ocorre em seguida é trágico: o ganso é servido na mesa familiar para a janta. Alguns dias depois, o galo aparece morto em uma manhã. Sendo assim, a teoria do pai da autora de que apenas os seres humanos se suicidavam parece ir água abaixo. A conclusão você já deve imaginar: teria o galo se “suicidado” silenciosamente como em resposta ao luto pela morte de seu amigo ganso?

Os fatos são narrados de uma forma que aparentam representar a primeira relação da autora com situações envolvendo a morte. Esses fatos motivam-na a falar sobre as razões que estimulam as pessoas a se suicidarem – no caso da ‘granja’, por exemplo, o suicídio de um foi motivado pela falta do outro animal.

Sobre a obra Invenção e Memória

A Obra Invenção e Memória é considerada pelos críticos literários muito mais do que uma obra, mas sim, uma verdadeira ‘obra prima’. Em “Invenção e Memória” Lygia Fagundes Telles evoca, principalmente, estados da alma, acontecimentos e cenas presentes em meio a duas belas fases da vida: a infância e adolescência.

Os desfechos de cada história são, certamente, o que mais impressiona os seus leitores. Cada conto é composto por páginas que convidam o leitor a abrir o seu imaginário. Não à toa, grande parte da história só passa a ser completa com a ajudinha de quem está lendo.

A descoberta do fim de cada história reflete diretamente no prazer da infância e da adolescência.

Ao total, a obra ‘Invenção e Memória’ é composta por 15 diferentes contos. Em cada um deles, flashes, memórias, cenas e acontecimentos da juventude ganham sabores, essência e, é claro, diferentes cores.

Descoberta, prazer, risadas e até mesmo surpresas é o que o leitor irá encontrar ao se deparar com a deliciosa leitura de Invenção e Memória, obra de diferentes contos de Lygia Fagundes Telles.