Romance Romântico – Romancistas: Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida e Visconde de Taunay


Os livros comumente chamados de romance – história de amor em prosa – tiveram origem no folhetim francês, em 1836. E o que eram os folhetins? Histórias de amor contadas em capítulos nos jornais. Alguns folhetins franceses como O Conde de Monte Cristo e Os Três Mosqueteiros (Alexandre Dumas), A Dama das Camélias (Alexandre Dumas Filho), O Corcunda de Notre Dame e Os Miseráveis (Victor Hugo) apaixonaram leitores brasileiros.
No cinema, a heroína de A Dama das Camélias foi interpretada por Greta Garbo.

Romance Romântico

Graças a essa influência, o médico da corte carioca Joaquim Manuel de Macedo, criador, ao lado dos poetas Araújo Porto Alegre e Gonçalves Dias, da revista Guanabara — cujo projeto era criar uma literatura genuinamente brasileira -, publicou em 1844 no Jornal do Comércio, em Niterói, o romance de folhetim intitulado A Moreninha. Essa obra foi muito popular e constituiu o referencial para o romance brasileiro.

Observação
Historicamente, a obra O Filho do Pescador, de 1843, autoria de Teixeira e Souza, é considerado o primeiro romance brasileiro.
Principais características do romance de folhetim:
•         publicação seriada, em capítulos diários nos jornais;
•         histórias de amor;
•         “ganchos” para criar suspense no final de cada capítulo, mistério, intrigas;
•         enredos fáceis para entretenimento: traições, troca de identidades, infidelidades, violência, amor,incesto, loucura, desejo, miséria e inquietações da alma humana;
•         enredo maniqueísta: bem versus mal (o bem sempre vence).
•         personagens também maniqueístas: heróis, heroínas, vilões;
•         final feliz ou trágico.

Importância do romance de folhetim:
•         criou um público leitor fiel, principalmente o feminino;
•         popularizou a imprensa e a literatura;
•         embora nos moldes europeus, fez surgir o romance de características brasileiras.

Romancistas  românticos
Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882)
Foi médico da corte, jornalista e professor dos filhos de Dom Pedro II.

Principais obras
•         A Moreninha (1844)
•         Moço Loiro (1845)
•         Dois Amores (1848)
A Moreninha conta uma história de amor ambientada no Rio de Janeiro. Duas crianças, Carolina e Augusto, brincam na praia quando um menino chega a eles dizendo-lhes que seu pai estava morrendo. As crianças vão ver o doente e, constatando a pobreza da família do moribundo, dão-lhes o dinheiro que tinham.

Visconde de Taunay (1843-1899)
Alfredo d’Escragnolle, o Visconde de Taunay, nasceu no Rio de Janeiro. Foi engenheiro, militar, professor, político e presidente das províncias do Paraná e de Santa Catarina. Era filho de franceses e participou da Guerra do Paraguai. Morreu no Rio de Janeiro.
Principais obras
•        A Retirada da Laguna (1871)
•        Inocência (1872)
O romance Inocência certamente é o mais regionalista dos românticos. O autor descreve o sertão sul do Mato Grosso do Sul sem os exageros dos outros autores e com bastante meticulosidade e fidelidade. Não que a trama central da narrativa não pertença ao folhetim, ao

contrário, trata-se de um melodrama típico: a jovem Inocência não pode desposar o falso médico, Girino, por imposição do pai, Pereira.
Manuel Antônio de Almeida (1831-1861)
Nasceu no Rio de Janeiro. Órfão de pai aos dez anos e de mãe aos vinte, pobre, sustentou seus irmãos com empregos públicos e publicações em jornais e, mesmo assim, formou-se em Medicina. Quando dirigia a Tipografia Nacional, foi incentivador do jovem Machado de Assis. Morreu aos trinta anos, no naufrágio de um vapor na costa do Rio de Janeiro.
Obra principal
•     Memórias de um Sargento de Milícias (1853-1854, em folhetim)
Essa obra foge bastante do sentimentalismo romântico e antecipa o romance realista. É uma narrativa de costumes que retrata a sociedade pobre do Rio de Janeiro na época de Dom João VI. Há descrição de procissões, festas, danças e das organizações policial e administrativa do subúrbio.
O herói da narrativa é Leonardo, que é um vadio, logo, um anti-herói. Com ele, andam pelas vielas e ruas sujas da periferia do Rio de Janeiro tipos populares sem nenhuma grandeza, os quais não aparecem em outros romances românticos.
Muitos especialistas em literatura têm afirmado que o romance pré-realista e picaresco Memórias de um Sargento de Milícias, do jovem Manuel Antônio de Almeida (ele tinha 21 anos ao escrever o folhetim), não é simplesmente a história do malandro carioca, mas, acima de tudo, o primeiro e melhor livro sobre a índole do povo brasileiro.