Romantismo – Poesia romântica


A poesia romântica brasileira é dividida em três gerações em função de temas:

•         primeira geração – Gonçalves Dias: natureza brasileira, elogio à nação, glorificação do índio e amor irrealizado;
•         segunda geração – Alvares de Azevedo: mal-do-século, ultra-romantismo, byronismo, amor inatingível
•         terceira geração – Castro Alves: poesia social,socialista, abolicionista, condoreira e amor sensual ou carnal.

Romantismo

Primeira geração do Romantismo
Gonçalves de Magalhães (1811-1882)
Considera-se que esse médico e visconde de Niterói, amigo de Dom Pedro II, fundou o Romantismo no Brasil, em 1836, ao publicar o livro Suspiros Poéticos e Saudades – poesia de caráter nacionalista e religioso.

Gonçalves Dias (1823-1864-1
Maranhense de Caxias, filho de um português com uma cafuza, estudou em Coimbra, veio para o Rio de Janeiro, onde foi professor, jornalista e pesquisador de costumes indígenas, tornou-se diplomata na Europa e teve uma vida amorosa cheia de frustrações por não ter casado com a amada Ana Amélia – a família dela não aceitou que ela casasse com um mestiço. É considerado o melhor poeta do Romantismo brasileiro.
Suas principais obras são:
•         Primeiros Cantos (1846) – poemas lírico-amorosos e indianistas, entre os quais encontra-se”Canção do Exílio”;
•         Segundos Cantos (1848) – poemas lírico-amorosos e nacionalistas;
•         Sextilhas de Frei Antão (1848) – experiência poética imitando a poesia medieval e tematizando a religiosidade;
•         Últimos Cantos (1851) – poemas indianistas elírico-amorosos. Traz o melhor poema indianista de Gonçalves Dias: “I-Juca-Pirama”;
•         Os Timbiras (1857) – epopeia indianista inacabada.

Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores Que tais nã’o encontro eu cá; Em cismar sozinho à noite Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá.
Não permita Deus que eu morra Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras Onde canta o sabiá.
Quanto à forma, esse poema é constituído de três quartetos e dois sextetos em versos heptassílabos (redondilha maior); apresenta musicalidade com ritmo binário.
“Canção do Exílio” foi escrito em Coimbra, em 1843, quando Gonçalves Dias estava com vinte anos, e certamente é o mais conhecido do Romantismo. A saudade do Brasil (lá) provoca melancolia no eu-lírico, que homenageia a pátria e alguns elementos da natureza brasileira (embora o Romantismo permitisse algum erro ecológico: palmeira não é local de canto do sabiá) e ainda coloca a terra portuguesa (cá) num plano de oposição ao Brasil elogiado. Tão marcante foi tal poema que ele tem sido merecedor de muitas paródias, de outras intertextualidades e de vários paralelos até hoje.
“l-Juca-Pirama” (aquele que ó digno de morrer)
Depois de “Canção do Exílio”, “I-Juca-Pirama” certamente é o texto mais festejado de Gonçalves Dias. Esse poema canta a glória timbira e a coragem tupi e é chamado por muitos críticos de “poemeto épico” porque, assim como as epopeias clássicas, narra os grandes feitos de um herói.
Nele, um velho timbira relata a guerreiros incrédulos a história de heroísmo de um guerreiro tupi e, se algum timbira duvida, o velho estribilha: “Meninos, eu vi”.
O começo do poema faz um elogio à nação timbira:
No meio das tabas de amenos verdores, Cercadas de troncos – cobertos de flores, Alteiam-se os tetos de altiva nação; São muitos seus filhos, nos ânimos fortes, Temíveis na guerra, que em densas coortes Assombram das matas a imensa extensão.