Simbolismo: Características, Estilo, Poesia, Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens


Simbolismo

Em virtude desses princípios, o Simbolismo busca a apreensão de valores transcendentais e se opõe à supremacia da razão, à realidade objetiva, à tecnologia e ao materia­lismo, que vinham sendo defendidos a partir da segunda Revolução In­dustrial. Como o Parnasianismo brasilei­ro, também o Simbolismo cultua a forma, embora com menos rigor, e pratica a Arte pela arte, por isso soa falso e importado. Este tipo de poe­sia permanece alheio, alienado da realidade nacional.

Simbolismo

Características e Recursos do Estilo Simbolista

a) A objetividade descritiva tira o prazer de se descobrirem  aos poucos os mistérios da poesia. A proposta do Simbolismo é de que se deva sugerir (não descrever nem definir) os estados profundos da alma. Devem-se utilizar (inclu­sive destacando-os com iniciais maiúsculas) símbolos, imagens, insinuações e sugestões para dar a entender indiretamente o que se sente e o que se quer dizer.

b) Símbolos tomados do culto reli­gioso – Os objetos do culto são carregados de muita simbologia, por isso é frequente encontrar­mos, na poesia simbolista, pala­vras   como   sacrário, turíbulo, incenso, missal, cálice, órgão, sino, catedral, salmos, etc. É a presença do misticismo, da religio­sidade, do mistério e do esoteris­mo na poesia.

c) Sensações físicas percebidas simbolicamente — As  percep­ções sensoriais de luzes, cores, sons, perfumes e formas apare­cem na poesia simbolista por meio das sinestesias,  onomatopeias, paronomásias, aliterações e assonâncias.

d)  Imagens da natureza que suge­rem infinitude – Muitos elemen­tos da  natureza surgem como símbolos da eternidade e da infini­tude do espírito: espaço, galáxias, astros, luar, neve, neblina, ocea­nos, areias.

e) Musicalidade – Enquanto o Par­nasianismo procurava aproximar a poesia das artes plásticas, o Simbolismo busca aproximá-la da música, porque a música é uma linguagem universal que sugere atitudes e provoca emoções sem necessidade de palavras ou de outros elementos objetivos. A poe­sia dos simbolistas, além de utili­zar-se de todos os recursos para criar versos harmoniosos, melódi­cos ou musicais, vai apresentar e usar, simbolicamente, instrumen­tos e elementos musicais: violas, violões, violinos, órgãos, cânticos, salmos, flautas, etc.

f) Atmosfera penumbrosa – A poe­sia simbolista, em geral, é indefi­nida, nebulosa, cheia de mistérios. Estas características se tornam mais acentuadas devido ao em­prego de uma linguagem culta, abstrata e metafórica.

A poesia sim­bolista, por ser muito abstrata, não lhe dá sustento, além de ele e os ou­tros simbolistas serem ridicula­rizados e apelidados de nefeliba­tas, habitantes das nuvens, pelos parnasianos. Casa-se com Gavita e com ela tem quatro filhos. A miséria, o sofri­mento e a tragédia o acompanham: dois filhos morrem tuberculosos, Ga­vita fica mentalmente perturbada e ele contrai tuberculose. Auxiliado pelos amigos, vai para um sanatório em Poços de Caldas, onde acaba morrendo praticamente abandonado. Seu corpo é levado para o Rio, sem caixão, num vagão de carga. Os amigos lhe dão uma sepultura digna.

Cruz e Sousa (1861-1898)

O maior poeta simbolista brasi­leiro, João da Cruz e Sousa, nasceu na antiga Ilha do Desterro, hoje Flo­rianópolis. Era filho de escravos al­forriados e, apadrinhado pelos pa­trões, conseguiu formar-se em Direi­to. Conheceu muitos lugares do Bra­sil, viajando com um circo. A discriminação e o precon­ceito racial o marginalizaram em sua terra natal.

Sublimação – Como um “Cisne Negro” que afina a voz na agonia; como um “Dante Negro” que trans­forma o inferno numa obra de arte, Cruz e Sousa faz de sua tragédia existencial uma fonte de inspira­ção para altíssimos voos poéticos. Universalismo — Da angústia pessoal o poeta evolui para meditações sobre o sofrimento e a angústia do ser humano.

Alphonsus de Guimaraens (1870-1921)

Afonso Henriques da Costa Guimarães nasceu em Ouro Preto, formou-se em Direito, foi promotor em Conceição do Serro e juiz muni­cipal em Mariana. Foi casado com Zenaide Silvina de Guimaraens, com quem teve 14 filhos. A religiosidade e o misticismo da família e das cidades onde viveu estão presentes em toda a sua obra, a começar pelos títulos. Observe o nome de seus livros: Dona Mística; Kiriale; Septenário das dores de Nossa Senhora; Pastoral aos cren­tes do amor e da morte; A escada de Jacó; Pulvis, entre outras. Foi esta religiosidade que lhe inspirou adotar o nome em latim, língua oficial da Igreja.

Exemplo de poesia religiosa: Ninguém anda com Deus mais do que eu ando, Ninguém segue os seus passos como sigo. Não bendigo a ninguém, e nem maldigo: Tudo é morto num peito miserando. A poesia de Alphonsus de Guimaraens é marcadamente musical, sugestiva e pessoal.

Augusto dos Anjos

Este poeta constitui um caso à parte na literatura brasileira. Adota o formalismo parnasiano, deixa-se le­var por alucinações simbolistas e frequentemente utiliza um vocabulá­rio de cunho científico, dando a seus poemas aspectos naturalistas.
Apesar de tudo isso, os estudio­sos colocam-no no Pré-Modernismo, porque seu único livro de poe­mas, Eu e outras poesias, foi publi­cado em 1912, portanto dentro da época pré-modernista. Veja como seu estilo é marcante.

Simbolismo Paranaense

O Grupo simbolista do Paraná foi um dos mais importantes, dura­douros e influentes do Brasil.

NESTOR VÍTOR, grande amigo de Cruz e Sousa, ajudou e ampa­rou-o em diversas ocasiões críticas. Colaborou com Emiliano Perneta na Revista Cenáculo. Escreveu: Sig­nos, Elogio da criança, Os de hoje.

SILVEIRA NETO, de Morretes, é autor de Luar de Inverno, Ronda crepuscular.

EMILIANO PERNETA, o mais importante poeta paranaense do período, escreveu: Música, Ilusão, Setembro, entre outras obras.