Tendências Poéticas – Poesia Concreta: Dalton Trevisan – Características e Obras


Tendências Poéticas

Dalton Trevisan nasceu na cidade de Curitiba em 1925. Formou-se em Direito pela atual Universidade Federal do Paraná e chegou a exercer a advocacia por sete anos, mas desde os tempos de faculdade já publicava seus contos em folhetins. Avesso a aparições públicas e de natureza reservada, é conhecido também como “o Vampiro de Curitiba”, nome de um de seus livros mais importantes.

Entre 1946 e 1948, liderou o grupo literário responsável pela publicação da revista Folhetim, que se tornou uma das mais importantes porta-vozes da geração modernista. O magazine trazia ensaios escritos por Antônio Cândido, Otto Maria Carpeaux e Mário de Andrade, poemas de Carlos Drummond de Andrade e traduções de autores renomados, como Marcel Proust, Franz Kafka, James Joyce e Jean-Paul Sartre.

Características
A cidade natal de Trevisan está presente na maioria de suas obras, seja como cenário ou pelos habitantes, que inspiram a criação de personagens. Com uma visão ácida e sarcástica, seus contos giram em torno de figuras solitárias marcadas por ilusões, desencantos e tragédias amorosas, que escancaram os absurdos frequentes da sociedade moderna.

Para isso, Dalton Trevisan cria histórias marcadas pela falta de piedade e a existência corrosiva do ser humano: cafajestes que vivem a seduzir mulheres, relacionamentos marcados por traições e tentativas de assassinato, pessoas possuem obsessões eróticas reprimidas, entre outras tragédias cotidianas.

Seu estilo de escrita é sintético e conciso, como se não houvesse espaço para qualquer elemento supérfluo nas narrativas. O tom ácido e sarcástico de suas obras é obtido com a criação de metáforas impactantes e o uso de ironias, que expõem com crueza o caráter destrutivo do ser humano.

Obras
Entre suas obras mais importantes, destacam-se Novelas Nada Exemplares (1965), a primeira obra de destaque nacional; O Pássaro de Cinco Asas (1968); Os Desastres de Amor (1968); A Guerra Conjugal (1969), adaptada para o cinema; O Vampiro de Curitiba (1970) e A Polaquinha (1977).