Tipos de poemas, Rima, Métrica e Estrofe


Tipos de poemas, Rima, Métrica e Estrofe

O poema é um gênero literário em que o conteúdo é disposto em estrofes e versos, que podem ou não conter rima.

Ao longo do tempo, esse gênero literário ganhou formas e expressões diversas, tornando-se, ainda, insumo para composições musicais, traço típico do trovadorismo, um estilo presente entre os séculos XI e XIV no continente europeu.

Identifica-se um poema pela sua estrutura, formada por versos e estrofes. Cada linha de um poema é um verso. Cada conjunto de versos forma uma estrofe separada das demais.

Um poema pode ter somente uma ou várias estrofes, que podem ser simples, quando os versos possuem a mesma medida; composta, quando os versos possuem medidas distintas, e livres, quando não há qualquer rigor métrico.

Métrica

A métrica é um fundamento formal do poema, podendo ou não ser rigorosa.

Alguns autores medem o tamanho dos versos, procurando conferir rigor estético e ritmo harmonioso. Esse é um traço de diversas correntes poéticas, como o simbolismo, que teve no Brasil o poeta Cruz e Sousa como seu maior expoente.

As métricas de versos mais comuns são:

– Redondilha menor – cinco sílabas;
– Redondilha maior – sete sílabas;
– Decassílabo – dez sílabas;
– Alexandrino – doze sílabas.

Quando não segue uma métrica, os versos são chamados de “versos livres”.

Rima

A rima é um elemento estético do poema, que pode ou não estar presente, dependendo do estilo do autor.

Basicamente, a rima assemelha dois ou mais versos pelo som final, mas pode ocorrer, também, no meio dos versos, que é uma estética mais sofisticada.

Classificação quanto à fonética

– Rima perfeita ou consoante – É aquela em que a correspondência absoluta entre os sons, vogais e consoantes:

Ex: decantado / amado – pertinente / atinente

– Rima imperfeita – Ocorre quando a correspondência de sons é apenas parcial, podendo ser toante ou aliterante.

-> Toante – Em que há repetição apenas dos sons vocálicos

Ex: impávido / dramático

– > Aliterante – Em que somente as consoantes se repetem.

Ex: prata / preto

Classificação quanto ao valor

– Rima pobre: Ocorre quando as palavras são pertencentes à mesma classe gramatical.

Ex: gato / sapato – fazendo / comendo – lista / pista

– Rima rica: Acontece quando as palavras pertencem a classes gramaticais distintas.

Ex: assombrado / alambrado – caçada / amassada

– Rima rara ou preciosa: São combinações mais sofisticadas, quando as palavras são pouco utilizadas, produzindo rimas improváveis.

Ex: gargalo / desafiá-lo

Classificação quanto à acentuação

– Rima aguda – Palavras oxítonas, como: furacão e chão; ateu e comeu.

– Rima grave – Palavras paroxítonas como: medo e segredo; capela e aquarela.

– Rima esdrúxula – Palavras proparoxítonas, como: ridículo e cubículo, metástase e prótese.

Classificação quanto à posição no verso

– Rima externa – Quando ocorre no fim do verso.

Ex:

“numa assaz sublime expressão de abandono
a canção ao fundo a embalar o teu sono”

– Rima interna – Quando ocorre no interior do verso

Ex:

“Quando a lua no céu clareia
O som da aldeia se insinua”

Classificação quanto à posição da estrofe

– Rimas alternadas ou cruzadas:

Ex:

Trecho e Morena Flor, de Castro Alves

“Ela tem uma graça de pantera
No andar bem-comportado de menina.
No molejo em que vem sempre se espera
Que de repente ela lhe salte em cima”

– Rima emparelhada

Ex:

“Naquele sábado, ao final do dia
Confiando a própria melancolia
Mais um dia que passa, diz ao vento
Remoendo no peito o desalento”

– Rimas interpoladas

Ex:

“Vendo em meu ombro recostado o teu rosto
Numa assaz sublime expressão de abandono
A canção ao fundo a embalar o teu sono
Teu corpo em sensual desaprumo disposto”

– Rimas encadeadas

Acontece quando a rima aparece no fim de um verso e no meio de outro.

Ex:

“Quando a lua no céu clareia
O som da aldeia se insinua
Quando é noite de lua cheia
Na aldeia a festa continua”

– Rimas mistas

É uma forma de combinação livre de rimas dentro da estrofe, sem uma rigidez formal.

Ex:

Trecho de Poema de Sete Faces, de Carlos Drumond de Andrade

“…Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração…”

– Versos brancos ou soltos – É quando os versos não rimam entre si

Ex:

Trecho de Poema de Sete Faces, de Carlos Drumond de Andrade

“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres…”

Tipos de poema

São reconhecidos, basicamente, três categorias de poemas:

– Lírico – É um tipo de poema que declara emoções, desejos, visão de mundo. O principal sujeito é o eu lírico, a linguagem é carregada de emoção.

– Épico ou narrativo – É um gênero em que o tema central é o herói, o personagem e o enredo. O poema épico conta uma história, narra um feito ou peripécias.

– Dramático – É o poema elaborado para ser dramatizado, representado em uma peça de teatro, acompanhado e instruções. É uma peça de teatro cuja fala se dá em forma de poema.