Tomas Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu e Poesia Épica do Neoclassicismo


Tomas Antônio Gonzaga

O Neoclassicismo é uma outra denominação dada ao Arcadismo, movimento artístico do século XVIII. Como sendo um fenômeno do século XVIII, sofreu forte influência do Iluminismo, um movimento filosófico que buscou, entre outros propósitos, restaurar a razão e as ciências como paradigmas para o desenvolvimento individual e social do ser humano.

As características mais marcantes do Neoclassicismo, além do racionalismo, são a busca da simplicidade, a valorização da natureza e a retomada dos valores clássicos, presentes na mitologia greco-romana.

Esse movimento surgiu na Europa, com forte presença na Itália, na França e na Espanha, influenciando a poesia, a pintura, a música e a arquitetura. Particularmente na poesia, esse movimento se caracterizou pela negação dos valores estéticos do barroco, sobretudo o exagero e a contemplação da complexidade na abordagem poética, tanto na temática, quanto na estética. Na visão dos árcades, deveria haver razoabilidade e simplicidade nos versos.

Os árcades abusaram de formas clássicas, como os sonetos, dando pouco valor as rimas enquanto elemento formal, mas mantendo o rigor nos versos.

Gonzaga e o neoclassissismo brasileiro

O movimento chegou ao Brasil, vindo de Portugal, e teve em Tomás Antônio Gonzaga um de seus expoentes, assim como Cláudio Manuel da Costa, Basílio da Gama e Santa Rita Durão.

Tomás Antônio Gonzaga nasceu em Portugal, se estabeleceu no Brasil, na cidade de Vila Rica, e participou do movimento que ficou conhecido como “Inconfidência Mineira”, uma tentativa de emancipação da capitania das Minas Gerais da Coroa Portuguesa, que terminou debelada, tendo sido Gonzaga preso na Ilha das Cobras no Rio de Janeiro, de onde seria extraditado para Moçambique, onde casou-se e morreu bem abastado.

Foi durante sua detenção na Ilha das Cobras que conseguiu publicar a primeira parte de seu famoso poema épico “Marília de Dirceu”, um dos marcos do neoclassissismo na poesia brasileira.

Marília é fruto de sua paixão por uma jovem brasileira, com quem pretendia se casar antes de ter sido preso. Trata-se de um longo poema lírico, que fala do amor pela pastora Marília, num contexto bucólico. O poema começa por descrever a beleza da amada, prossegue falando do próprio exílio na prisão e termina na Lira IX, que fala de adeus.

Caracteristicamente narrativo, o poema é composto de 80 liras e 13 sonetos, publicados entre 1792 e 1812.