Trovadorismo: Poesia Lírica, Satírica e Prosa


Surgido na Idade Média, por volta da última década do século XI, o Trovadorismo se notabilizou por ter sido o primeiro movimento literário enraizado na língua portuguesa. As primeiras manifestações literárias da época aconteceram a partir dele e são reverberadas até os dias de hoje. O marco mais importante do Trovadorismo provém das famosas cantigas, registros pioneiros desse estágio, que costumeiramente eram divididas em quatro classes: a cantiga de amor, a cantiga de escárnio, a cantiga de amigo e a cantiga de maldizer.

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O Trovadorismo teve seu período de ouro compreendido entre 1198 e 1418. As tradicionalíssimas cantigas do período também ficaram marcadas por suas colocações no âmbito histórico, pois situam-se nos alvores de diferentes nacionalidades ibéricas, tendo sido difundidas, de maneira geral, na Reconquista Cristã, movimento que pretendia recuperar os ibéricos cristãos de terras perdidas para muçulmanos.

Outra característica importante do Trovadorismo refere à sua relação com a história de Portugal, pois o país começou a aflorar justamente no período em que o movimento começava a figurar na sociedade. Entretanto, a origem do Trovadorismo está diretamente ligada à Occitânia, nação sem estado, que teria propagado as filosofias e os conceitos do movimento perante toda Europa.

De acordo com documentos históricos da época, o marco inicial do Trovadorismo é a Cantiga da Ribeirinha, difundida na Península Ibérica em 1198. A cantiga, que também atende pelo título de Cantiga da Garvaia, foi elaborada por Paio Soares de Taveirós.

Origem e Trovadores

De acordo com os mais diversos historiadores, quatro teses são admitidas quando o assunto trata das origens do Trovadorismo. A “tese arábica” é a primeira dela e representa que a cultura arábica era taxada como a raiz de todos os conceitos; a “tese folclórica”, por sua vez, atestava que o Trovadorismo havia sido criado pelo povo, que tomou partido e iniciativa quando aos assuntos da época; a “tese médio-labinista” aparece logo em seguida e alerta que as poesias do movimento tinham como berço a literatura latina, que havia sido espalhada ao redor do mundo na Idade Média; por fim há a “tese litúrgica”, que acredita que a poesia litúrgico-cristã tenha sido a progenitora de todo este cenário.

• Os Trovadores eram uma espécie de instrumentos do trovadorismo. Eram eles os considerados “artistas da época”, que tinham a incumbência de compor e cantar as cantigas criadas a partir do movimento.

Em sua maioria, os trovadores eram de famílias nobres da época. Com a ajuda simbólica de acompanhamentos musicais, os trovadores abasteciam os “Cancioneiros”, livros que continham todas as cantigas, uma vez manuscritas.

São conhecidos três diferentes modelos de Cancioneiros: “Cancioneiro da Vaticana”, “Cancioneiro da Ajuda” e “Cancioneiro da Biblioteca”.

Os trovadores que obtiveram maior sucesso na empreitada foram: Paio Soares de Taiveirós, João Garcia de Guilhade, Dom Duarte, Dom Dinis, Meendinho e Aires Nunes.

Trovadorismo – Prosa

Num período demarcado pela força das poesias e cantigas trovadorescas, a prosa também conseguir galgar seu espaço perante a sociedade, conseguindo atuar de forma expressiva e eloquente neste meio.

As prosas, ao passar dos anos, assumiam diferentes posições no contexto de construção do movimento. O perfil religioso foi o mais utilizado no período, que contava com prosas de traços e características de narrativas, históricas e genealógicas.

Historicamente, as prosas, neste período do Trovadorismo, estão demarcadas por quatro diferentes categorias. As “Hagiografias” tinham por objetivo relatar os mais diversos momentos da vida dos santos e tinham como função o caráter exemplar, enquanto que os “Cronicões” tinha a função de ordenar cronologicamente as histórias.

Os “Livros de Linhagem” tinham a função de informar os nobres da época, calcado em propósitos feudais, enquanto que as “Novelas de Cavalaria” alertaram sobre os grandes feitos dos guerreiros medievais.

Trovadorismo – Poesia Lírica

As cantigas líricas, no Trovadorismo, eram divididas em duas partes: cantigas de amor e cantigas de amigo. Confira, abaixo, as características de cada uma:

• Cantigas de Amor: o apreço a mulher é a característica mais marcante deste tipo de cantiga. Os trovadores destacavam como todas as qualidades e perfeições de suas mulheres e se colocavam em posição inferior a elas dentro de um determinado contexto. Em suma, representava o feudalismo.

• Cantigas de Amigo: o amigo, na verdade, era o namorado. E o eu-lírico representava os sentimentos de uma mulher, por mais que fossem escritos por homens. A lamentação da mulher dita o tom da cantiga.

Trovadorismo – Poesia Satírica

As cantigas líricas, no Trovadorismo, eram divididas em duas partes: cantigas de maldizer e cantigas de escárnio. Confira, abaixo, as características de cada uma:

• Cantigas de Maldizer: as sátiras, em relação aos acontecimentos da época, ditavam o tom destes modelos de cantigas. As agressões verbais eram elementos comuns na poesia. O nome da pessoa satirizada costumava aparecer nos cânticos.

• Cantigas de Escárnio: bem como a cantiga de maldizer, estas cantigas também tinha a função de satirizar determinadas pessoas. Entretanto, o nome da pessoa ofendida não figurava na cantoria. O uso do duplo sentido era constante.