Conectivos


Para entender a finalidade dos conectivos, primeiro deve-se compreender o que são períodos compostos. Esses períodos são formados por duas ou mais orações.

Conectivos

Os conectivos, em resumo, são as conjunções ou preposições que estabelecem uma conexão entre essas orações ou ligam um vocábulo a outro.

Os períodos compostos são divididos, quanto à natureza, em duas possibilidades: coordenação e subordinação.

Os períodos compostos por coordenação são aqueles que recorrem aos conectivos para estabelecer uma organização, porém a existência desse período não está condicionada, necessariamente, à utilização do conectivo.

Por exemplo:

  • Paulo Fernandes foi ao supermercado, trouxe filé de frango.
  • Paulo Fernandes foi ao supermercado e trouxe filé de frango.

No primeiro período composto não há ocorrência do conectivo, uma vez que são ações que não precisam uma da outra para ter sentido.

No segundo caso, o período composto possui uma conjunção (e), que estabelece de forma mais organizada uma conexão entre as orações.

Os períodos compostos por subordinação são aqueles em que as orações são sintaticamente interdependentes, ou seja, precisam uma da outra para ganhar sentido. Nesse caso, o que temos é uma oração principal e uma oração subordinada, podendo acontecer também a existência de mais orações principais e subordinadas.

Por exemplo:

– O problema é muito maior do que eu pensava, de modo que as providências precisarão ser mais amargas.

Dentro desse período está presente uma comparação (do que) entre a realidade e o que era esperado (do que eu pensava) e uma consequência (providências precisarão ser mais amargas.

Sobre a finalidade dos conectivos

A melhor forma de entender os conectivos é a contextualização, até porque é essa a principal finalidade deles.

Orações distintas agrupadas no mesmo período, como no último exemplo abordado, para estabelecer comparações e relação de causa e consequência. Como será visto mais adiante, os conectivos vão proporcionar que se relacione essas organizações com clareza e organização de modo a lhes conferir o sentido e a compreensão desejados.

Donde se extrai a importância dos conectivos, que são os responsáveis pelo que se chama coesão textual e coerência textual. A coesão textual é o resultado da aplicação correta das palavras quanto a relação entre si, proporcionando uma estrutura coesa.

A coerência textual é essa estrutura formando uma mensagem lógica, que faça sentido, consequência da sintonia entre as ideias proporcionadas pela coesão textual.

Tipos de conectivos

Para uma compreensão melhor dos conectivos, serão, abaixo, abordados os diversos tipos, agrupados de acordo com a natureza e seguidos de exemplos.

1 – Conectivos coordenativos (não há dependência entre as orações para formar uma mensagem com o sentido pretendido)

– Aditivos: São conectivos que indicam soma entre as orações. Ex: e, nem, também, que, mas também, como também, tampouco, senão também…
Ex: Eles venceram a partida (e) foram festejar
Ex: Coutinho não foi à escola, (tampouco) compareceu ao treino.

– Adversativo: São conectivos que indicam oposição, contraste. Ex: mas, porém, todavia, entretanto, contudo, no entanto, ainda assim, apesar disso, não obstante…
Ex: As condições climáticas não são favoráveis, (no entanto) ele insiste em dar prosseguimento ao projeto
Ex: (Apesar de) todos os avisos, o técnico escalou o jogador sem condições.

– Alternativos: São conectivos que indicam alternância – ou… ou, ora… ora, quer… quer
Ex: (Ora) se mantinha concentrada no livro, (ora) se detinha na contemplação daquelas curvas insinuantes.
Ex: (Ou) ele estava trabalhando (ou) bebia com os amigos.

– Conclusivos: São conectivos usados para estabelecer uma relação de conclusão da entre as frases. Ex: por isso, logo, por conseguinte, pelo que
Ex: “Penso, (logo) existo”
Ex: Atuou de forma magistral, (pelo que) se justificam os efusivos aplausos.

– Explicativas: São conectivos que fazem com que uma oração explique a outra. Ex: porque, que, porquanto…
Ex: É preciso pensar melhor, (porque) não podemos tomar a decisão errada.
Ex: Vamos dar uma festa, (porquanto) comemorar é presiso.

2 – Conectivos subordinados (há dependência entre as orações para formar um sentido)

– Causais (determinam uma relação de causa entre as orações): como, pois, porque, que, por isso, já que, visto que
Ex: Foi reprovado (porque) não estudou.
Ex: (Já que) não entende por bem, vai entender por mal.

– Comparativas (estabelecem relação de comparação entre as orações ). Ex: que ou do que após mais, maior, melhor, pior, maior e menor, tanto… como, mais… do que, menos… que, assim como, bem como, tal qual…
Ex: O resultado saiu (tal qual) eu imaginei
Ex: Os resultados obtidos foram (melhores que) os do ano passado

– Concessiva – São conectivos que estabelecem uma relação entre as orações em que uma contraria a outra, mas estabelecendo uma concessão. Ex: Ainda que, se bem que, mesmo que, apesar de que, por mais que, embora, muito embora…
Ex: Ela lhe concedia sempre um novo perdão, (muito embora) não valesse um centavo.
Ex: Ele obteve sucesso, ainda que tenha feito algumas escolhas erradas.

– Condicionais – São conectivos que indicam condição. Ex: se, caso, contanto que, a menor que, a não ser que, exceto, exceto se…
Ex: Não iniciarei a exibição, (exceto) paguem pelo ingresso.
Ex: (A não ser que) caia uma tempestade, todos estarão presentes.

– Finais – Indicam relação de finalidade. Ex: por que, para que, a fim de que, com vistas a…
Ex: (Com vistas à) realização do evento, é preciso acelerar a instalação da rede elétrica.
Ex: É preciso encontrar um grande amor (para que) experimentes a verdadeira felicidade.

– Temporais – Confere temporalidade a oração principal. Ex: quando, enquanto, apenas, depois que, antes que, assim que, logo que, desde que, sempre que
Ex: (Desde que) começou a andar com as más companhias, nada mais deu certo.
Ex: Começou a trabalhar (quando) o pai morreu.

– Consecutivos – Indicam consequência. Ex: tão, tanto ou tal que, de modo que, de forma que, de maneira que, de sorte que…
Ex: Se esforçou “tanto que” acabou sofrendo uma lesão.
Ex: Acabou obstruindo o canal “de tanto que” despejou entulho.

– Integrantes ( é quando uma oração introduz a outra ): se, que.
Fique registrado (que) Amélia não tem culpa alguma.