Descrição: Objetiva e Subjetiva; Coesão Textual


Descrição

A descrição é um processo de enumeração e expansão que mobiliza a competência lexical do descritor (aquele que descreve algo, por meio da linguagem escrita ou oral). Na descrição, inexiste a progressão temporal. Mesmo que haja, em um texto, a des­crição de ações ou movimentos, não existe a pro­gressão de uma situação anterior para uma posterior, diferente, pois, do que ocorre numa narração. Didaticamente, costuma-se dividir a descrição em objetiva e subjetiva.

Descrição

Descrição objetiva

O autor reproduz a realidade como a vê, detendo-se na forma, no volume, na dimensão, no tamanho, na cor, no cheiro, etc. Na descrição do ser ou do objeto, há a preocupação com a precisão dos detalhes e dos vocábulos, pois o autor quer fornecer ao leitor uma imagem fiel daquilo que está descrevendo. Notam-se na descrição objetiva:
•         perspectiva técnica;
•         linguagem denotativa;
•         visão fria, imparcial e quantitativa da realidade;
•         frases não muito longas e na ordem direta;
•         substantivos concretos e adjetivos pospostos.

Descrição subjetiva

A realidade descrita não é apenas observada, mas também sentida. O autor procura transmitir a impressão, a emoção que a realidade lhe causa. Notam-se na descrição subjetiva:
•         visão parcial, subjetiva e qualitativa da rea­ lidade;
•         perspectiva artística, literária;
•         linguagem conotativa;
•         frases elaboradas e com valor caracterizante;
•         substantivos concretos e (ou) abstratos e adjetivos antepostos.

Um elemento coesivo pode remeter a outras par­tes do texto. Veja: […] Larguei os remos, voei para a âncora, encurtei o cabo e lancei-a em fundo de areia, a vinte metros da praia. […] O pronome oblíquo a recupera o substantivo ân­cora. […] Às I3hl9min alcancei o remanso da barra onde estavam sete barquinhos. […] O pronome relativo onde recupera a expressão re­manso da barra. […] Eram exatamente 10h15min, mas o porto onde estavam os outros barcos, na barra do rio Pojuca, ficava quinhentos metros ao norte, na direção do farol, e era ali, somente ali, que eu fundearia. […]

Coesão  textual

A palavra texto tem origem no latim textum e sig­nifica tecido, entrelaçamento. Dessa forma, produzir um texto é tecer, entrelaçar as suas várias partes, pro­movendo relações de sentido entre os enunciados. Essas relações, por sua vez, são explicitadas pelo uso de elementos coesivos. Um texto tem coesão quando suas partes se inter­ligam umas às outras, de acordo com a unidade global do texto. Assim, cada palavra escrita, como lá ou cá, entre outras, deve remeter a outra palavra escrita no mesmo texto.

Mais especificamente, a coesão pode ser entendi­da como uma maneira de recuperar, em uma sentença B, um termo presente em uma sentença A. O mesmo pode acontecer entre parágrafos, para retomar ideias e encadear os enunciados. É possível perceber no texto que estudamos o modo como o autor utiliza os termos coesivos para estabelecer relações de sentido. Observe o exemplo:

[…] Era quase impossível acreditar; mas não havia mais duvidas. […] Nesse caso, a conjunção adversativa mas estabe­lece uma ideia de oposição em relação à oração ante­rior. O advérbio ali retoma a sequência “o porto […] na barra do rio Pojuca”. As palavras responsáveis por esse tipo de coe­são podem ser pronomes pessoais, relativos, posses­sivos, demonstrativos, advérbios de lugar e artigos definidos. Muitos são os elementos de coesão. Além dos já citados, todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer relações entre segmentos do discur­so são elementos coesivos.

Outro recurso muito usado para “costurar” infor­mações é a elipse, ou seja, a omissão de um termo já citado anteriormente como em: […] Tonho das Neves e Tonho de Oliveira eram seus nomes. Chegaram perto, a uns quinze metros. […] No exemplo acima, não há necessidade de repeti­ção do sujeito do verbo chegaram, pois a ideia está clara. A elipse pode ser considerada, então, uma au­sência visível.