Diferenças entre termos lusitanos e brasileiros


Embora falemos a mesma língua, portugueses e brasileiros têm diferenças significativas em relação à linguagem, ao sotaque e às expressões que são específicas de cada país e mesmo de cada região. Apresentaremos aqui algumas dessas diferenças, principalmente em palavras que têm significados distintos no Brasil e em Portugal. Em seguida, trataremos de outras diferenças, como fonética e sintaxe.

Diferenças entre termos lusitanos e brasileiros

Seguem algumas palavras que têm o mesmo significado, mas que são totalmente diferentes no Brasil e em Portugal. Abridor, aquele utensílio doméstico, em Portugal é tira-capsulas. Açougue, o local onde se comercializam carnes, é talho. Aeromoça, ou comissária de bordo, por lá chama-se hospedeira de bordo. Apostila, espécie de livro com conteúdo sobre algum tema, tem um nome curioso: sebenta. Bala, aquele confeito que as crianças adoram, chama-se rebuçado. Cafezinho, tão famoso em todas as regiões do Brasil, em Portugal chama-se bica. Calcinha, uma roupa íntima usada pelas mulheres, curiosamente, em terras lusitanas, chama-se cueca. A Carteira de Motorista, ou a CNH no Brasil, lá tem o nome popular de carta de condução. O celular, imprescindível nos dias de hoje, recebe o nome de telemóvel e o carro conversível, chama-se descapotável.

Diferenças entre termos lusitanos e brasileiros

A faixa de pedestres que conhecemos por aqui, em Portugal chama-se passadeira e a geladeira, frigorífico. No escritório, o utensílio que chamamos de grampeador, lá é conhecido por agrafador e a história em quadrinho, ou HQ, conhecidos no Brasil, recebem o nome de banda desenhada. As meias, usadas para proteger os pés, são peúgas e o ônibus, autocarro. Pedestre é peão e o ponto de ônibus, paragem.

Outro exemplo interessante é o professor particular, que na terra de Camões se chama explicador. Sanduíche é sandes e se você quiser um sorvete de sobremesa, peça um gelado. Suco é sumo, trem se chama comboio e a xícara é chávena.

Seguem outros exemplos dessa diferença: no Brasil, fato é um acontecimento, enquanto em Portugal se usa fato para designar um costume, uma roupa antiga. Outra curiosidade está no verbo dobrar, que aqui significa duplicar algo, ou ainda, fazer dobras. Já em Portugal, dobrar é usado para designar o que chamaríamos de dublagem, ou seja, substituir o idioma original de um filme, por exemplo, por outro. Os garis, profissionais responsáveis pela limpeza das ruas, em Portugal são conhecidos como almeidas e as perucas chamam-se capachinhos. Outro termo curioso é propina que para nós brasileiros, principalmente hoje em dia, conhecemos bem e indicam um valor pago fora da legalidade para obter alguma vantagem em alguma negociação. Em Portugal, propina são os impostos, cobrados pelo governo.

Existem ainda diversos outros termos específicos, isso sem contar com as gírias e expressões específicas de determinados grupos sociais. Aguce sua curiosidade e descubra outros termos que são totalmente diferentes no Português usado no Brasil e em Portugal.

A fonética e a sintaxe também se diferenciam

Todos nós já nos deparamos com a diferença de pronúncia e de fonética de uma pessoa portuguesa, seja pessoalmente ou mesmo pela televisão ou internet. E achamos curiosa a forma deles pronunciarem as palavras. Em geral, nós temos um ritmo mais lento, o que evidencia as vogais átonas e tônicas, que pronunciamos com clareza. Evidentemente em algumas regiões do país isso varia, principalmente onde a colonização portuguesa foi mais forte, já que por lá, a emissão das palavras frequentemente elimina as vogais átonas e valoriza apenas as tônicas. Como exemplo, temos a palavra “menino”, que em Portugal ganha a pronúncia “mnino”, assim como “esperança”, que por lá é pronunciada “esprança”. Essa regra é válida para quase todo o vocabulário dos portugueses e pode ser percebida facilmente.

Embora as novas regras ortográficas visem unificar a língua portuguesa, em relação à sintaxe, as diferenças na construção das frases também são bastante acentuadas. Um exemplo claro disso é a utilização das ênclises e da colocação dos pronomes oblíquos que, no Brasil, em geral, colocamos no início da frase e que lá, vai para depois do verbo. Neste exemplo, aqui dizemos: “Me dá um abraço?”, enquanto em Portugal o corrente é “Dá-me um abraço?”.

Aqui, é comum usarmos “na” e “no” ao invés de à, como no exemplo: “Vou na reunião hoje”. Em Portugal o usual é dizer “Vou à reunião hoje”. Outra característica da sintaxe aplicada no Brasil é a utilização corrente do gerúndio, para expressar a continuidade de uma ação. Dizemos frequentemente: “Estou contando as horas”, enquanto em Portugal é habitual dizer: “Estou a contar as horas”.

Traçamos aqui algumas diferenças entre temas lusitanos e brasileiros e, obviamente, é apenas uma amostra dessa diferença. O importante é salientar que a língua portuguesa é rica, bela e está em constante transformação, como qualquer língua no mundo. Conhecer e entender essas diferenças é muito útil para a leitura de obras clássicas mais rebuscadas, por exemplo, e que irão fazer com que seu entendimento seja mais amplo.