Emprego dos Pronomes Pessoais e Referentes Textuais


Emprego dos pronomes pessoais

A tira acima apresenta um personagem que fala de si (no primeiro quadro), usando o verbo investir na primeira pessoal do singular, ou seja, mesmo que oculto/elíptico, ele usa o eu e se enuncia como o sujeito da ação pronunciada. No segundo quadro, o personagem mantém o verbo em primeira pessoa e utiliza o pronome oblíquo me reflexio­nando a ação, isto é, dando a ideia de que a ação parte dele e volta a ele mesmo. Nesse mesmo quadro, antes do verbo ficar, o personagem faz a elipse do verbo poderei, que tem como sujeito o pronome eu, evitando, assim, repetições desnecessárias. No terceiro quadro mantém-se a mesma lógica, mas a elipse ocorre antes do verbo descobrir e a troca de sujeito se dá pela repetição do nome Van Gogh, que poderia ser evitado pelo uso do pronome pessoal do caso reto ele.

Emprego dos Pronomes Pessoais

PP do caso reto

Esses pronomes funcionam sintaticamente, via de regra, como pronomes sujeitos. Atualmente, o pronome de tratamento você é utilizado como substituto do pronome tu e, por conseguinte, sua forma plural – vocês – como substituta do pronome vós. A conjugação verbal, no entanto, é feita em terceira pessoa. Isso também ocorre no uso da expressão pronominal a gente em substituição de nós – embora esteja presente em inúmeros textos escritos, essa expressão ainda é considerada informal.

PP do caso obliquo

São os pronomes que funcionam como complementos verbais (objeto direto e indireto), complemento nominal, agente da passiva, adjuntos (adnominal e adverbial) e sujeito de orações reduzidas. Dividem-se em tônicos e átonos.

Comumente, os vestibulares exigem conhecimento sobre o uso dos pronomes pessoais segundo a norma culta. Por isso são indicadas a seguir algumas situações que merecem ênfase e cuidado.

Eu e tu  x mim e ti: Eu e tu funcionam, sintaticamente, como sujeitos, ao passo que mim e ti exercem as demais funções – sem­pre precedidos por preposições. Fizeram a atividade para mim. Para eu fazer a atividade precisei dos conhecimen­tos sobre o uso dos pronomes. Para mim, fazer a atividade foi difícil. Fazer a atividade foi difícil para mim.

Si e consigo: São pronomes reflexivos ou recíprocos e devem ser utilizados quando se referem ao sujeito da oração. Ela só pensa em si. Ela só se preocupa consigo.

Com nos e com vós x conosco e convosco: Usam-se as expressões com nós e com vós quando vêm acompanhadas por algum tipo de determinante; nos demais casos, usam-se conosco e convosco. Isso aconteceu com nós todos. Isso aconteceu conosco.

Funções dos pronomes oblíquos átonos

Eles podem exercer várias funções sintáticas.
•     Objeto direto – complemento verbal de verbo transitivo direto. Ao descobrir seu ideal, comente-o com a turma. Ajude-me por favor.
•     Objeto indireto – complemento verbal de verbo transitivo indireto. Dão-me o relato, (a mim) Peco-lhe o relato, (a ele)
•     Adjunto adnominal – ligado ao substantivo con­creto, indicando posse. Namorei-lhe a filha, (a filha dele(a)) Namorou-me a filha, (a minha filha)
•     Complemento nominal – complementando a ideia do substantivo abstraio. Fiz-lhe referência, (referência a ele)
•     Adjunto adverbial – dando ideia de circunstân­cia verbal. Cravei-lhe as unhas, (nele/nela)
•     Sujeito acusativo – em período composto, unido aos verbos fazer, mandar, ver, deixar, sentir e ouvir. Ouviu-me fazer o relato.
Eu fiz o relato e ele(a) me ouviu.

Pronome “se” – usado como: índice de indeterminação do sujeito; Não se pode esperar mais pelo casamento.
pronome reflexivo; Aqui se estrepou… partícula de realce (ou expletiva) – apenas enfatiza a ação verbal, podendo ser omiti­da, sem prejuízo do texto;
pronome reflexivo recíproco; Pai e noivo entreolharam-se com desconfiança. O escrevente tremia-se de medo do coronel.
pronome apassivador; Logo se viram as consequências de um inocente bilhete. parte integrante de alguns verbos, chama­dos de verbos pronominais (nesses casos, não exerce função sintética): queixar-se, ar­repender-se, alegrar-se, etc.

Colocação pronominal

Observe que, no terceiro quadro da tira anterior, o pronome me está antes do verbo na expressão “só me promete”, assim como na expressão “ela não me deixa jogar”, do mesmo quadro. Por que isso ocorre? A posição lógica dos complementos verbais – objetos diretos e indiretos – é após os verbos. Deduz-se, en­tão, que os pronomes oblíquos átonos ocupam essa mes­ma posição por exercerem a função de objetos. Na mo­dalidade oral da língua, entretanto, o mais usual é em­pregar o pronome antes do verbo. Na escrita, geralmente mais formal e apurada, observam-se as normas de colo­cação pronominal antes, no meio ou depois do verbo.

Próclise

É a colocação do pronome oblíquo átono antes do verbo. Observe, a seguir, os casos em ela é recomendada.
•    Em orações iniciadas por palavras interrogativas. Quem se considera apto a discursar sobre a língua portuguesa?
•    Em orações exclamativas e optativas (que expri­mem um desejo). mQuanto se ignora sobre a língua portuguesa!
•    Em orações subordinadas, com ou sem conjun­ção, ou com pronome relativo. Como nos disseram, havia água naquele lugar.
•    Com infinitivo pessoal precedido de preposição. Por se dedicarem aos estudos com afinco, tiveram êxito nas provas.

Ênclise

É a colocação pronominal depois do verbo. Deve ser empregada nas situações apresentadas a seguir.
•    Quando o verbo inicia o período. Quando o verbo iniciar uma oração precedida de pausa.
•    Com infinitivo impessoal.
•    Em orações iniciadas por objeto direto ou por predicativo. Os resultados trágicos te comunicarei agora.
•    Com verbos no gerúndio, antecedidos da preposi­ção em.

Observação

Se o infinitivo estiver precedido de palavra ne­gativa ou preposição, é indiferente o uso da próclise ou da ênclise. Estava ansioso por te conhecer (ou conhecer-te). Com verbo antecedido de certos advérbios ou locuções adverbiais, palavras negativas ou pro­nomes indefinidos. Não se critique tanto! Jamais lhe disseram o que realmente aconteceu. Alguém o trataria como merece.

Nas orações alternativas.
•     Com verbos no gerúndio, não-precedidos da preposição em. Partiu, deixando-nos os problemas para resolver.

Mesóclise

É a colocação do pronome no meio do verbo. Ocorre j| com verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito, desde que não haja motivo para empregar a próclise.

Colocação do pronome nas locuções verbais

Nas locuções verbais formadas por verbo auxiliar + infinitivo ou gerúndio, a ênclise é possível tanto no verbo principal como no auxiliar. O professor foi dedicando-se cada vez mais à per­feição gramatical, (principal). O professor foi-se dedicando cada vez mais à per­feição gramatical, (auxiliar). Entretanto, se houver razão para a próclise, esta se dará com o pronome antecedendo o verbo auxiliar.

Todos os pronomes em destaque são palavras usadas como referentes de termos citados anteriormente no tex­to. Confira a seguir:
•         Ia, lhe, ela, seus e ela referem-se a “uma velha senhora”.
•         ele refere-se a “um médico”.
•         Ia (linha 7) refere-se à “conta”.

Há casos em que formas pronominais não remetem a nenhum elemento particular do texto, mas sim a um ele­mento identificado pelo contexto. Observe o exemplo. Nas locuções verbais formadas por verbo auxiliar + particípio, o pronome vem antes ou depois do verbo auxiliar, mas nunca em posição enclítica ao particípio.