Funções da Linguagem: Emotiva, Referencial, Apelativa, Poética, Fática e Metalinguística


As funções da linguagem são os aspectos teóricos que fundamentam as intenções do autor por ocasião da produção de determinado texto. Para entender as funções da linguagem, é preciso ater-se às relações existentes entre quem escre­ve o texto, quem o recebe para leitura e os recursos utilizados para se efetivar a produção. Observe a seguinte tira de Mafalda, personagem do artista argentino Quino.

Funções da Linguagem

Percebe-se, pela leitura, que houve uma troca de in­formações entre um emissor e um receptor: é o que se chama de interlocução. Para que se efetive o ato comu­nicativo, é necessário que se observem alguns aspectos que compõem a comunicação:
•         Todo ato comunicativo depende da presença de um emissor (quem produz a enunciação).
•         A comunicação deve estar direcionada a algum tipo de receptor (a quem se destina a enuncia­ção). Se o receptor não é passivo, ou seja, se ele também produz mensagens, recebe o nome de interlocutor.
•         É necessário que tanto o emissor quanto o re­ceptor conheçam o código linguístico utilizado na enunciação. Esse código é basicamente a língua utilizada ou algum tipo de símbolo (placas de trânsito, por exemplo).
•         A mensagem proferida – o conteúdo da enunci­ação – deve ter relevância para ambos os inter­locutores.
•         O contexto em que se dá a comunicação ajuda a entender o propósito da mensagem. Na tira da Mafalda, a praia, um ambiente de liberdade, é o espaço que serve como referente para que seja transmitida a mensagem de que as gerações mais novas repudiam regimes ditatoriais.
•         O texto escrito, as imagens e a noção de que os personagens dialogam compõem o canal comu­nicativo.

Função emotiva

Centralizada no emissor, a função emotiva revela a opinião, a emoção do emissor. Prevalece a primei­ra pessoa do singular, as interjeições e as exclamações. É uma linguagem mais lírica, das cartas de amor.

Função referencial

Ela é centralizada no referente, quando procura-se oferecer informações próprias. Objetiva, direta e denotativa, nela prevale­ce a terceira pessoa do singular. É a função característi­ca da linguagem usada em teses monográficas, notícias de jornal e livros científicos.

“EXPLOSÃO DE CARTA-BOMBA FERE MULHER EM LONDRES

Uma mulher ficou ferida, nesta segunda-fei-ra […], na explosão de uma carta-bomba em pré­dio de escritórios no centro de Londres, infor­mou a polícia britânica. A mulher, urna funcioná­ria que trabalha em uma empresa de seguros, o Grupo Capita, foi levada para o hospital, depois de ficar levemente ferida, informou o Corpo de Bombeiros”.

Função apelativa  (ou conativa)

O aspecto central da função apelativa é o receptor, cujo com­portamento o emissor tenta in­fluenciar. Pelo fato de este diri­gir-se àquele, é comum o uso de tu e você, ou do nome da pes­soa, além dos vocativos e ver­bos no imperativo.

Função poética

Afetiva, sugestiva, conotativa e metafórica. A men­sagem é o aspecto central, revelando os recursos criati­vos do emissor.

Função metalinguística

Centralizada no código, é a função por meio da qual usa-se a linguagem para falar dela mesma. É a poesia que fala da poesia, da sua função e do poeta, é um texto que comenta outro texto.

Função fática

Centralizada no canal, a função fática tem como objetivo testar a eficiência deste e prolongar ou não o contato com o receptor. Linguagem das falas telefônicas, sau­dações e similares.