Ambiguidade


Escrever um texto de forma clara, objetiva e igualmente correta pode não ser uma tarefa simples para uma boa parcela dos falantes da língua portuguesa. E o motivo para isso, na realidade, é bem simples: nossa língua está entre as mais complexas e, consequentemente, difíceis de todo o mundo, e muitas vezes nós, seus usuários, não dominamos todas as habilidades que a modalidade escrita de nosso idioma nos exige.

Dessa maneira, existem alguns ‘probleminhas’ da língua que, quando encontrados – especialmente em sua modalidade escrita – podem acabar interferindo na própria comunicação entre o receptor e o emissor da mensagem, fazendo com que a mensagem não fique assim tão clara como deveria.

Ambiguidade

O que é ambiguidade?

O conceito de ambiguidade, expressão que também pode ser encontrada como ‘anfibologia’, nada mais é do que o nome dado na língua portuguesa para expressar a duplicidade de sentidos de uma determinada frase ou palavra.

Sendo assim, essa duplicidade pode estar presente em termos, em sentenças, frases, orações, expressões e muitos outros tipos de construções que geralmente apresentam duas diferentes interpretações, acepções ou entendimentos acerca do mesmo.

Se fossemos resumir de forma bem simples o conceito de ambiguidade, bastaria dizer que ela ocorre toda vez que não entendemos algum termo pela própria falta de clareza, já que há duplicidade no sentido empregado naquela frase, expressão ou outro.

Uma curiosidade interessante e que talvez já possa ter passado na sua cabeça é em relação ao fato de que a ambiguidade é algo aceito em nossa linguística no que se refere à linguagem poética, geralmente, redundante e cheia de frases/expressões que nos levam a dois sentidos totalmente opostos.

E na narrativa literária o mesmo também pode ser notado. Mesmo assim, é certo afirmar que a ambiguidade deve ser evitada ao máximo nas construções de textos com caráter informativo, opinativo, técnico, científico, interpretativo ou pragmático: ou seja, em praticamente todos os outros modelos de construções textuais.

A palavra ambiguidade marca a sua origem no latim ‘ambiguitas’, que tem um significado bem parecido com aquele do vocabulário brasileiro: incerteza, ou melhor, um ‘equívoco’.

Por mais similar que se apresente em relação às figuras de linguagem, que nada mais são do que ferramentas disponibilizadas para os usuários da língua com a intenção de promover maior beleza e até mesmo ‘realce’ para as palavras ou construções em questão, com a ambiguidade isso não ocorre. A ambiguidade é considerada um erro linguístico, sendo ela parte do grupo dos vícios – certamente negativos – da nossa linguagem.

Esses vícios, por sua vez, podem ser construções ou palavras que são utilizadas erroneamente tanto pela falta de conhecimento como também pelo achismo de que estão corretas.

A utilização da ambiguidade pode ainda resultar no próprio entendimento errôneo de uma determinada mensagem, o que caso, ocasiona diferentes e múltiplos sentidos para uma frase, expressão ou outro tipo de construção da nossa língua.
E é nesse sentido que a ambiguidade pode acabar dificultando o entendimento por parte do receptor da mensagem, o que no caso, também prejudica a própria comunicação entre ambos.

Tipos de ambiguidade

A má colocação ou inadequação do uso de termos como adjuntos adverbiais, pronomes, expressões e até mesmo enunciados por completo são os principais responsáveis por esse duplo sentido, o que compromete diretamente o entendimento e a própria clareza do tema.

Sendo assim, vamos conferir quais são os principais tipos de utilização da ambiguidade na língua portuguesa?

• Colocação errônea do adjunto adverbial

Um exemplo, nesse caso, seriam:

1. Os bebês que recebem leite da mãe frequentemente são mais sadios.

Espere: as crianças, nesse caso, são mais sadias por que mamam ou precisam mamar por que são mais sadias?

A melhor forma de evitar esse erro de ambiguidade seria construindo a frase da seguinte forme: os bebês que recebem frequentemente o leite da mãe são mais sadios.

Não é difícil, certo?

• Uso errôneo dos pronomes possessivos

1. O pai pediu ao filho que arrumasse a sala e o seu quarto.

De quem é a moto? Do pai, ou do filho? Para evitar a ambiguidade o certo seria construir a frase da seguinte forma:
O pai pediu ao filho que arrumasse a sala e o próprio quarto.

Outro exemplo:

2. Vi a Maria dirigindo com seu carro.

De quem é o carro? O carro pode ser tanto da Maria como da pessoa que recebe essa mensagem.

Para evitar o erro, a melhor construção linguística seria:

Vi a Maria dirigindo seu próprio carro.

• Uso inadequado das palavras

Usar palavras de forma errônea também é bem comum no que se refere aos erros de ambiguidade na língua portuguesa.
Um bom exemplo seria:

– O pai triste foi caminhar.

Nesse caso, o pai ficou triste por que foi no parque, ou foi caminhar por que estava triste?

Para dar à frase o sentido certo, o melhor a ser feito seria construí-la dessa forma:

Triste, o pai foi caminhar.