As expressões “risco de vida” e “risco de morte”


Volta e meia ouvimos ou até lemos expressões que se formos tentar compreender ao pé da letra parecem meio confusas. O mesmo acontece com as expressões “risco de vida” e “risco de morte”, usadas quando alguém passa por alguma situação na qual está perto da morte. Mas qual destas expressões está correta segundo a norma culta da língua portuguesa? Neste artigo, explicaremos qual é a forma ideal e correta de expressar o mesmo acontecimento. Veja a seguir.

Risco de vida

As línguas são vivas. E a gente escreve e fala e com tempo a língua vai mudando, acrescentando novos significados e formas às palavras, além de novos jeitos de dizer a mesma coisa. Oras, já houve um tempo em que falar “você” era errado, enquanto o certo era somente dizer “vossa mercê”. Isso aconteceu com uma infinidade de palavras e sempre estamos ouvindo sobre novidades que agora fazem parte do dicionário, não é mesmo?

“risco de vida” e “risco de morte”

Isso acontece porque na linguagem coloquial costumamos deixar um pouco a forma culta de lado e muitas vezes acabamos repetindo as expressões sem nos darmos conta do que elas realmente querem nos dizer. Isso ocorre, principalmente, se a expressão for repetida tantas vezes, que acaba passando despercebida.

Isso sem falar nos muitos sotaques, que mudam a fonética das palavras e que também mudam de um estado para o outro. É assim mesmo, com todas as línguas e em todo o mundo. Todas estas mudanças e novidades é que fazem da linguística algo tão bacana de ser estudado.

Mas algumas expressões usadas no nosso cotidiano podem mesmo estar sendo usadas do jeito errado, mas como foram repetidas tantas vezes já não paramos para pensar mais direito sobre o seu significado, somente repetimos como se toda a sentença fosse uma coisa só. As palavras, separadas da expressão, funcionam de forma diferente de quando estão juntas. Parece complicado, mas não é. Às vezes não nos damos conta, mas costumamos fazer isso todos os dias.

Como exemplos perfeitos disso, temos as duas expressões que são nosso assunto principal neste artigo. A famosa dúvida sobre qual é o jeito certo de falar: “risco de vida” ou “risco de morte”?
Quantas vezes já ouvimos nossos avós, nossos tios, nossos pais falarem a mesma expressão? Até no noticiário na televisão a expressão “risco de vida” também aparece de vez em quando. Mas, pensando bem e analisando com atenção ela não faz mesmo sentido algum não é mesmo?

Se pensarmos com cuidado e com clareza logo perceberemos que não é correto dizer que alguém corre risco de vida. Pense bem. Ao dizer que alguém corre risco de vida significa dizer que essa pessoa está passando por alguma situação na qual está com risco de viver. Isso não faz o menor sentido! Afinal, o que todos queremos é poder ter o risco de viver, e viver não é um risco. Ou é?
É claro que o poeta Cazuza, quando diz na música “o meu tesão, agora é risco de vida”, tem lá o direito de, em sua licença poética, ter risco do que quiser. E talvez ele tenha mesmo pensado em trazer a tona esta questão dúbia. Como ele estava prestes a morrer devido a uma doença grave e que, naquela época, não existiam medicamentos que prolongassem a sua vida, talvez ele quisesse que nós pensássemos que ele, ao fazer coisas diferentes, tivesse um risco de vida. Ou seja, o risco a uma vida que ele não queria. Ou até que a vida dele naquele caso fosse um risco até para a vida de outras pessoas. Faz sentido, não faz?
Mas em qualquer outro momento, falar que alguém que está passando por uma situação onde a morte está próxima, está correndo risco de vida, não faz lá sentido nenhum. Não há licença poética que salve nestes casos.

Portanto, o correto e o que está de acordo com a língua culta é dizer que alguém está com risco de morte. Ou seja, deixando bastante claro que passa por alguma situação na qual existe um risco iminente de morrer. Afinal de contas o risco para quem está vivo é esse mesmo: morrer. É estranho dizer que alguém passa por um risco de viver, não é isso que a expressão quer dizer.

Risco de morte

Mas como quase nada nessa vida é totalmente certo ou totalmente errado, ainda há quem defenda que é possível dizer sim que a pessoa está correndo risco de vida, que é somente uma expressão e que significa que a vida da pessoa está em risco.
Pelo bem, ou pelo mal é melhor se ater à forma culta da língua portuguesa e dizer que alguém corre risco de morte. Assim não ficam questões dúbias e não é preciso compreender toda a situação para saber se a pessoa está em risco de morrer.