Coesão, Coerência, Pronomes Relativos, Conjunções e Uso da Pontuação


Coesão textual

Um texto bem construído constitui um todo signifi­cativo cujos enunciados estão estritamente interligados. É possível perceber que há conexão entre cada parte do texto, os trechos são “amarrados”. A essa rede de amar­ração textual chama-se coesão. A utilização de pronomes, advérbios, preposições e conjunções, a escolha e colocação dos sinais de pontua­ção e a escolha dos vocábulos deixam os textos mais ou menos coesos. As falhas coesivas podem prejudicar o entendimen­to da mensagem e a construção da coerência textual.

Coesão, Coerência, Pronomes Relativos

A coesão entre os enunciados de um texto resul­ta das relações de sentido instituídas entre eles. Alguns recursos linguísticos específicos são importantes para determinar essa coesão: são os chamados conectivos ou elementos coesivos, os quais ligam orações, períodos, parágrafos e estabelecem relações semânticas de causa, condição, contradição, finalidade, etc.

Pronomes relativos

O uso de pronomes para referenciar termos já citados é o recurso mais utilizado para estabelecer coesão. A fina­lidade dessa escolha é claramente a de evitar a repetição dos vocábulos e, por conseguinte, adequar a linguagem a um entendimento mais objetivo da enunciação produzida. Os pronomes relativos, especificamente, são usados para unir orações (as orações subordinadas adjetivas), fixando relações lógicas consistentes para a interpreta­ção. Para tanto, o falante precisa ater-se à regência (no­minal e verbal), a fim de estabelecer a união das orações pelo uso (ou não) concomitante da devida preposição e do pronome.

Observe este exemplo: O homem é inteligente. Eu falei desse homem. Para expressar a ideia, o autor preferiu usar dois perí­odos e repetiu o termo homem. A fim de evitar essa repe­tição e tornar os períodos coesos, uma opção é transfor­má-los num único período composto. Para isso é necessá­rio que sejam respeitadas as regras de regência do verbo falar, além de manter o sentido original da relação lógica dos períodos separados.

Observe a construção a seguir. O homem sobre o qual eu falei é inteligente. Essa não seria a melhor opção para unir os períodos, pois a preposição sobre pressupõe duas possibilidades de interpretação: Eu falei a respeito do homem. Eu falei em cima do homem. Como o verbo falar permite regências variadas (quem fala, fala a alguém, de alguém, com alguém), basta que se opte pela preposição que melhor determine o sentido pre­tendido nos períodos separados. A frase a seguir seria, portanto, o melhor modo de construir um período coeso. O homem de quem eu falei é inteligente.

Leia os períodos a seguir. O aluno é estudioso. Referi-me à mãe do aluno. Para unir esses dois períodos de forma coesa é preciso es­tabelecer duas relações: a da regência entre o verbo referir e o objeto indireto mãe e a de posse entre aluno e mãe. Portanto: O aluno a cuja mãe me referi é estudioso. Nesse caso, nota-se que o relativo que determina a relação de posse é o cujo(a)(s). Além disso, percebe-se que houve a necessidade de se manter a preposição a, mas não a de se utilizar o artigo a diante do relativo, não sendo, portanto, preciso usar o acento grave (crase).

Uso de sinais de pontuação

A pontuação, além de ser determinada por questões gramaticais, pode desempenhar função semântica, cons­truindo relações de significação entre os elementos que compõem determinado enunciado ou entre os enunciados. Em relação à utilização dos pronomes relativos em orações adjetivas, o uso ou omissão da vírgula, por exem­plo, interfere no entendimento da enunciação na relação de sentido. Trata-se, então, de um problema sério de coe­são que acaba por desencadear outro: o de coerência.

Os pinguins, que vivem na Antártida, estão em extinção. Percebe-se que a oração “que vivem na Antártida”, entre vírgulas, especifica o referente pinguins, passando a ideia de que só existem pinguins na Antártida. A omis­são das vírgulas restringiria o conceito/universo de pin­guins, e, portanto, tornaria o enunciado coerente com o nosso conhecimento de mundo. Pode-se afirmar, portanto, que assim como a colocação das vírgulas determinou incoerência textual no caso do exemplo anterior, sua omissão poderia fazê-lo. O contexto é determinante para estabelecer ou não a coerência textual.

O Brasil que é um país populoso detém a maior ren­da per capita. Nesse caso, a omissão das vírgulas passa a noção de que existem vários “Brasis” e que se fala de um entre todos: aquele que é um país populoso – pressupõe-se que existam outros menos populosos. “Se as vírgulas separassem a oração subordinada, a ideia original de que existe somente um país chamado Brasil seria estabelecida. O Brasil, que é um país populoso, detém a maior renda per capita.

Conjunções

Como o próprio termo já exprime, as conjunções servem para estabelecer a junção entre as orações e, embora apresentem classificação prévia, as relações de sentido que estabelecem são determinadas pelo contexto em que estão inseridas. O Brasil é um país em desenvolvimento. Ainda existem muitos problemas a serem resolvidos. Esses dois períodos podem ser unidos com conjun­ções coordenativas (sem relação de dependência entre eles), ou subordinativas (com relação de dependência entre eles). O Brasil é um país em desenvolvimento, mas ainda existem muitos problemas a serem resolvidos. Embora ainda existam muitos problemas a serem resolvidos, o Brasil é um país em desenvolvimento.

Coesão e coerência

Um texto coerente é um conjunto harmônico, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar, sem se contradizer, de modo que nada fique destoante, ilógi­co, desconexo; a coerência – que diz respeito à ordenação das ideias, dos argumentos -, portanto, depende da coe­são. Um texto com problemas de coesão consequentemente terá problemas de coerência. Analisemos um exemplo.

Os pacifistas que tentam alertar a todos que as guerras que ocorrem no mundo é fruto da insanidade do homem. Separando os segmentos que formam esse período, tem-se: [Os pacifistas] [que tentam alertar a todos] {que as de­savenças [que ocorrem no mundo] podem ser eliminadas}. Visualizando melhor:
•         Os pacifistas
•         Que tentam alertar a todos
•         Que as desavenças podem ser eliminadas
•         Que ocorrem no mundo

Dessa forma, fica fácil observar que faltou a oração principal à qual se subordinam as outras, o que dificulta a compreensão do período como um todo. Rescrevendo o período: [Os pacifistas tentam alertar a todos] {que as desa­venças [que ocorrem no mundo] podem ser eliminadas}.

Todos os textos apresentados são literários. Buscam provocar no leitor determinados sentimentos e reflexões. A linguagem é trabalhada, os recursos expressos em com­binações às vezes pouco convencionais, numa perspecti­va intertextual. Note que o estilo do autor, o uso que faz dos recursos expressivos, sua intenção ao produzir o texto e a época em que foi escrito são aspectos bastante im­portantes. Nesse tipo de texto não importa apenas o que o autor diz, mas como diz.

O texto literário, por causa de sua plurissignifica-ção, ou seja, a possibilidade de múltiplas interpretações, depende muito do leitor, do seu gosto, da sua cultura, de sua visão de mundo, da sua sensibilidade. A partir disso, a interpretação torna-se mais complexa, mais rica, atin­gindo os objetivos a que foi destinado: promover prazer, conhecimento, catarse; possibilitar viagens ao passado, reflexões; despertar emoções.

Texto publicitário

As mensagens dos textos publicitários nem sempre estão explícitas. O bom leitor é aquele que consegue fa­zer as associações necessárias, que consegue identificar as pistas fornecidas pelo autor. Alguns mecanismos lin­guísticos utilizados no texto indicarão as leituras possí­veis, tais como: recursos de expressão, figuras de lin­guagem, ambiguidade, intertextualidade, variações lin­guísticas, etc. Os textos publicitários utilizam largamente esses re­cursos, buscando originalidade, ousadia ou qualquer ou­tra característica que pretenda imprimir o diferencial aos produtos que anunciam.