Nova Ortografia: o que muda?


Depois de várias tentativas anteriores para que a Língua Portuguesa se tornasse unificada, em 2009 foi aprovada a Nova Regra Ortográfica, que passa a ser uma exigência em aulas, livros, apostilas, provas e vestibulares. Todos os países que compõem a CLP (Comunidade de países que utilizam a Língua Portuguesa) precisam se adaptar às novas regras até o término de 2015.

Com a Nova Ortografia, o objetivo é o de promover e aproximar os países que fazem parte da CLP, tais como: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné-Bissau. Com o período de quatro anos para a adaptação, desde 2013 as antigas regras ortográficas foram abolidas. Você sabe o que mudou?

Nova Ortografia

O que muda com a Nova Ortografia:

Alfabeto

Com a Nova Ortografia, agora o alfabeto da Língua Portuguesa possui 26 letras. Em relação às antigas regras ortográficas, foram eliminadas do alfabeto as letras: “k”, “w” e “y”. No entanto, essas letras podem ser usadas, ainda, em nomes próprios, nomes estrangeiros, variações advindas de palavras/nomes estrangeiros e unidades de medida (como kg, watts, km, Karen, William e etc).

Trema

O trema, que antes era utilizado em palavras como “conseqüência”, “freqüência”, “lingüiça”, “tranqüilo” e “bilíngüe”, foi abolido da Língua Portuguesa com a Nova Ortografia e não pode mais ser utilizado em palavras como as que foram citadas. Com as novas regras ortográficas, o trema só pode ser utilizado em nomes estrangeiros e variações advindas de nomes estrangeiros. Exemplo: Müller – mülleriano

Nova Ortografia: novas regras de acentuação

A acentuação, talvez, seja a parte mais “complicada” da Nova Ortografia, principalmente para os que tiveram anos de ensino apoiado nas antigas regras gramaticais. A notícia boa é que as alterações são simples e podem ser facilmente entendidas.

• Ditongos “ei” e “oi”: com a Nova Ortografia, os ditongos abertos “ei”e “oi” não podem mais levar acento em palavras paroxítonas. Dessa forma, palavras como “platéia”, “idéia”, “colméia”, “boléia”, “paranóia” e “jibóia”, que antes recebiam o acento agudo, agora devem ser escritas sem acento. Portanto, o correto é: “plateia”, “ideia”, “colmeia”, “boleia”, “paranoia” e “jiboia”.

Nos ditongos abertos de palavras oxítonas que terminam em “éi”, “éu”, “ói” e monossílabos o acento continua. Exemplos: herói, papéis, troféus, céu, dói.

• Com a Nova Ortografia não devemos mais acentuar “i” e “u” quando eles formam hiato e vêm depois de ditongo. No modo antigo de escrever, palavras como “feiúra” e “baiúca” levavam acento agudo, agora não precisam mais de acentuação.

No entanto, se a palavra for oxítona e as letras “i” e “u” estiverem no final, ela pode ser acentuada. Exemplos: tuiuiú – Piauí.

Em todas as outras aplicações de “i” e “u” tônicos, formando hiato, o acento também continua. Exemplos: gaúcho – saúde – saída – Paraíba.

• Não é mais necessário utilizar acento diferencial para distinguir palavras como: para (verbo) e para (preposição).

Exemplos: antes da Nova Ortografia, o correto seria: “o homem não pára de ligar no meu celular”. Com as alterações, agora o correto é: “o homem não para de ligar no meu celular”. Outras palavras que não recebem mais o acento diferencial, são: pela, pelo (do verbo pelar), pelo (substantivo), Polo (substantivo) e pera (fruta). O entendimento da palavra se dá pelo contexto da oração.

• As vogais dobradas com “ee” e “oo” também não recebem mais o acento. Logo, o correto agora é: voo – enjoo – creem – leem – deem – releem. Antes das novas regras de ortografia, todos esses exemplos recebiam o acento circunflexo. O substantivo coco (fruta) também não recebe acento no primeiro “o”, como muitos costumam errar na hora de escrever.

• Paroxítonas que terminam com “m” não levam mais acento. As oxítonas, por sua vez, precisam da acentuação. Exemplos: jovem – parabéns.

• Paroxítonas que terminam com “ens” não levam mais acento. As oxítonas, por sua vez, precisam da acentuação. Exemplos: sutil – útil.

• Paroxítonas que terminam com “l” levam acento. As oxítonas, por sua vez, não precisam de acentuação, pois “l”, “r” e “z” já deixam, naturalmente, a sílaba com entonação mais forte. É por isso que palavras como rapaz, pastel, prover, consumir e traduzir, por exemplo, não precisam de acento. Neste caso, somente as palavras paroxítonas terminadas em “ar”, “er” ou “ir” levarão acento.

O que muda em relação ao hífen?

Uma das regras tem a ver com a letra “h”, que não é forte e nem causa impacto na pronúncia de palavras que começam com ela, como o nome Heloísa. O “h” não deve aparecer em continuidade, sem hífen, depois dos prefixos. Exemplos: pré-história – super-homem – anti-higiênico.

A mesma regra vale para as letras iguais. Exemplos: anti-inflamatório – arqui-inimigo.

Quando as letras são iguais, devemos colocar o hífen para separar. No entanto, quando as letras são diferentes, o hífen não deve mais ser utilizado. Logo, palavras como “neoliberalismo”, “extraterrestre” e “antiético” não são mais separadas pelo hífen. Essa é uma regrinha bem simples e fácil de ser lembrada.