Sujeito Simples e Composto, Elipse e Sujeito Indeterminado e Oração Sem Sujeito


O Núcleo do Sujeito

O sujeito de uma sentença pode ter “extensão” bastante variável. Pode ser formado por uma única pa­lavra: (5) José sorriu, encabulado, para a moça de vestido verde. Por duas ou três palavras: (6) No final da tarde, os últimos turis­tas retiravam-se, apressados, em direção aos seus ônibus. Mas também há situações em que o sujeito é mais “extenso”, formado por várias palavras: (7) Um estranho e estridente som de violinos e cravos de feição renas­centista enchia o salão de festas da residência do major Florisval do Duarte Mendonça.

Sujeito Simples e Composto

Como vemos, ao menos em tese, o sujeito pode ter qualquer “ex­tensão”. Não há, teoricamente, qual­quer regra que restrinja o número de vocábulos do sujeito. Notamos, en­tretanto, que as palavras que com­põem um sujeito não apresentam to­das a mesma importância. Normal­mente, uma delas é responsável pelo sentido básico do termo. As de­mais especificam, detalham a ideia básica. Esse vocábulo central é de­nominado de núcleo do sujeito. Na frase (5), o núcleo só pode ser o substantivo “José”. Na frase (6), ele é “turistas”. Na frase (7), po­demos ter certa dificuldade em loca­lizar o núcleo. O critério será obser­var o significado da frase, procuran­do intuir qual é a ideia básica transmitida pelo sujeito, no caso, o substantivo “som”.

Sujeito Simples e Composto

A observação do núcleo do su­jeito permite perceber a existência de sujeitos simples e compostos. Na maioria dos casos, o sujeito apresenta apenas um núcleo. É o que ocorre nos enunciados anterio­res. Dizemos, então, que essas fra­ses apresentam sujeito simples, isto é, sujeito que apresenta apenas um núcleo. Mas também há situações em que não podemos determinar qual é o vocábulo central do sujeito ou, me­lhor dizendo, somos obrigados a aceitar que dois ou mais vocábulos são igualmente centrais. Leia o seguinte enunciado: (8) O menino mais velho e a cachor­ra Baleia iam atrás. Nessa sentença, dois vocábu­los devem ser considerados nuclea­res: “menino” e “cachorra”. Nesse caso, dizemos que existe sujeito composto, isto é, sujeito formado por mais de um núcleo.

A Elipse do Sujeito

Como vimos na aula 2, denomi­nados de elipse o processo de “apagamento” de um termo, que fica su­bentendido no enunciado. O tipo de elipse mais comum é justamente a elipse do sujeito. Vejamos um exemplo: (9) Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente anda­vam pouco, mas como haviam re­pousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que pro­curavam uma sombra.

O sujeito da forma verbal “ti­nham caminhado” é “os infelizes”. Esse termo não aparece repetido no trecho. Mesmo assim, outros verbos estão relacionados a ele. É o caso de “estavam”, “andavam”, “haviam repousado” e “procuravam”. Isso pode ser percebido principalmente pela concordância. Trata-se de for­mas verbais na 3? pessoa do plural, concordando com “os infelizes”. Quando esse fenômeno está presente, o sujeito é classificado como sujeito oculto (denominação mais comum) ou elíptico.

Sujeito Indeterminado

Em algumas situações, apesar de claramente existir um tema para a frase, não é possível determinar qual é exatamente esse tema. Nesses ca­sos, dizemos que o verbo da oração apresenta sujeito indeterminado. Vejamos como exemplo este poema de Manuel Bandeira: (10) Madrigal tão engraçadinho
Teresa, você é a coisa mais bo­nita que eu vi até hoje na minha vida, inclusive o porquinho-da-índia que me deram quando eu tinha seis anos.
Antônio Manuel Bandeira R. Cardoso, José Cláudio Bandeira R. Cardoso, Carlos Alberto Bandeira R. Cardoso, Maria Helena C. de Souza Bandeira e Marcos Cordeiro de Souza Bandeira.

Nesse pequeno poema, aparece a forma verbal “deram”. Quando le­mos o texto, fica evidente que alguém deu um porquinho-da-índia ao poeta quando ele tinha seis anos. Mas o contexto não permite inferir quem é que deu o presente. Também não po­demos afirmar se foi uma pessoa ou mais de uma. Não sabemos sequer se o poeta lembra quem foi o autor dessa ação. Dizemos então que o su­jeito de “deram” é indeterminado. Ele existe, mas não podemos determinar quem ele é, nem de quantas pessoas ele se compõe. Observação: Além do uso do verbo na 3a pessoa do plural, o português possui outra maneira de produzir frases com sujeito indeterminado, que será estuda­da mais adiante. Por ora, não te­mos os pré-requisitos necessá­rios a esse estudo.

Orações sem Sujeito

Ocorrem nos seguintes casos:

1. Verbos que Expressam Fenômenos Naturais: Verbos como chover, nevar, ventar, etc., quando em­pregados em sentido denotativo, não apresentam sujei­to. Note, porém, que, se eles estiverem empregados em sentido figurado, podem apresentar sujeito. (11) Choveu ontem no deserto do Arizona. -> Oração
sem sujeito. (12) Choveram tomates no péssimo ator. —> Sujeito sim­ples: “tomates!’

2. Verbos “haver” e “fazer” Expressando Tempo. Quando os verbos “haver” e “fazer” são empregados para expressar tempo transcorrido, tempo passado, eles não apresentam sujeito (portanto devem ser utilizados no singular).

3. Verbo “haver” com Sentido de “existir”: Quando o verbo haver apresentar sentido de existir, ele deve ser empregado no singular, pois não apresenta sujeito. (15) Houve vários problemas ontem na reunião. [Frase adequada à norma culta]. (16)   Houveram vários problemas ontem na reunião. [Frase inadequada à norma culta]. Note, porém, que a substituição de haver por existirá simples recurso didático, sem maior valor teórico. Se o verbo haver não apresenta sujeito, o verbo existir tem sujeito e com ele deve concordar. (17) Existiram vários problemas ontem na reunião.