Voz Ativa e Voz Passiva no Estudo Gramatical


Voz Ativa e Voz Passiva

Semântica

Nesta aula, vamos discutir conceitos, como voz ativa e voz passiva. Antes de entrarmos nesse estudo especí­fico, vamos apresentar um dos mais importantes concei­tos gramaticais do curso, a Semântica. Semântica é a parte da Gramática que estuda o significado de palavras, frases ou textos. Esse estudo é particularmente importante para os exames vestibulares modernos, em que a Gramática é normalmente cobrada com base no entendimento de texto.

Voz Ativa e Voz Passiva

O significado é um dos conceitos mais problemáticos da história dos estudos da linguagem. Em termos bas­tante simplificadores podemos dizer que o significado seja a ideia despertada pela palavra, frase ou texto. A ideia é um fenômeno cerebral. Opõe-se ao conceito de forma, compreendida como um fenômeno material. A oposição forma e significado é correlata da oposição en­tre realidade e pensamento.

As obras de Gramática utilizam outros vocábulos além de significado, como conteúdo e sentido. Em nosso curso não vamos propor distinções entre esses termos. Para nós eles terão o mesmo valor. Igualmente, não é nossa intenção apresentar um es­tudo sofisticado de Semântica. Essa é uma disciplina bastante complexa, cujo estudo pormenorizado não é necessário no Ensino Médio. Para nossos objetivos, é importante apenas perceber as áreas de contato entre a Semântica e a Sintaxe.

Na frase Brutus matou Júlio César, a forma verbal “matou”expressa ação. “Brutus”é o agente, e “Júlio Cé­sar” é o paciente. A ideia de agente pressupõe um ser animado, mas o paciente pode ser animado ou inanimado. Por exemplo. (2) O velho marceneiro fabricou um boneco de madeira. É claro também que frases de ação podem expres­sar outras ideias além de agente e paciente. Expandida, a frase (1) poderia ter outra forma. (1a) Em 44 a.C., às portas do Senado, Brutus matou o grande estadista romano Júlio César.

Além de manter o sentido da frase (1), a frase (1a) indica também o tempo (“Em 44 a.C.”) e o lugar (“às por­tas do Senado”) da ação, e transmite informações e juí­zos de valor sobre Júlio César (era “romano”‘, era consi­derado “grande estadista”). Essas outras ideias relacionadas a termos de um enunciado serão paulatinamente apresentadas ao longo das aulas de análise sintática. Nesta aula trabalharemos apenas o agente e o paciente da ação.

Frases com Ideia de Ação

Iniciando nosso estudo do significado das frases, de­vemos notar que grande parte delas apresenta ideia de ação. Muitos verbos podem expressar essa ideia. O mais típico é fazer. Mas há vários: construir, criar, comprar, morder, ferir, pegar, jogar, lançar, cortar, entregar, dar, trabalhar, costurar, voar, correr, andar, apontar, bater, datilografar, manter, etc., etc. A ideia de ação aparece relacionada aos conceitos de agente e paciente. Como os nomes indicam, trata-se, respectivamente, daquele que faz ação e daquele que sofre a ação.

O que é Voz

O conceito de voz expressa a relação semântica existente entre o sujeito e o verbo de ação de uma frase. O sujeito de uma sentença é o termo com o qual o verbo concorda. Podemos então considerar que a rela­ção sintática entre o sujeito e o verbo é a concordância. Quanto ao sentido da frase, porém, a relação depen­de do tipo de verbo utilizado. Se tivermos um verbo de ação, o sujeito pode caracterizar o agente ou o paciente dessa ação.
As frases em que o sujeito é agente estão na voz ati­va, e as frases em que o sujeito é paciente estão na voz passiva.

Vejamos esses conceitos em um pequeno trecho de notícia de jornal: Incêndio em supermercado de SP mata cinco (…) Os clientes abandonaram os carrinhos com as compras e corre­ram para fora do supermercado. Os funcionários foram retirados da loja pelos seguranças do Sé. Ontem à tarde, os carrinhos com mercadorias continuavam dentro do supermerca­do. (…)

O parágrafo é composto de qua­tro orações: (3) Os clientes abandonaram os car­rinhos com as compras. (4) [Os clientes] correram para fora do supermercado. (5) Os funcionários foram retirados da loja pelos seguranças do Sé. (6) Ontem à tarde, os carrinhos com mercadorias continuavam dentro
do supermercado.

Os três primeiros enunciados apresentam verbos com ideia de ação. O último transmite uma ideia de estado (o verbo continuar expres­sa que uma situação não se alterou e, portanto, não houve qualquer ação). A análise de frases que expri­mem estado será vista em aula pos­terior. Por enquanto estudaremos apenas as frases que exprimem ação.

As frases (3), (4) e (5) trazem explícito o agente das ações. No primeiro caso e no segundo, o agente da ação são “os clientes”. No terceiro caso, o agente da ação de retirar são “os seguranças do Sé”. As frases (3) e (5), além do agente exprimem também o paciente da ação. São eles “os carrinhos com as compras” e “os funcionários”, respectivamente. A estrutura dos três enunciados não é idêntica. A frase (4) se diferencia das demais por não mencionar um paciente da ação. As frases (3) e (5) têm diferentes estruturas sintáticas. O sujeito da frase (3) -“os clientes” – é o agente da ação. Na frase (5), entretanto, o sujeito é “os funcionários”, termo que expressa o paciente da ação.

Esquematicamente, temos: (3)  Os clientes abandonaram os carrinhos com as compras. (4)  Os clientes correram para fora do supermercado. (5)  Os funcionários foram retirados da loja pelos seguranças do Sé. Notamos, portanto, que a função sintática de sujeito pode expressar tan­to o agente quanto o paciente da ação verbal. É isso que expressa o conceito de voz. Para indicar que o sujeito é agente, dizemos que a frase se encontra na voz ativa. Para indicar que ele é paciente, dizemos que a frase está na voz passiva.