Homônimos e parônimos no estudo da Semântica (Significação de Palavras)


Leia o texto a seguir.

Academia Brasileira de Letras Não permita Deus que eu morra Sem que ainda vote em você; Sem que, Rosa amigo, toda Quinta-feira que Deus dê, Tome chá na Academia Ao lado de vosmecê, Rosa dos seus e dos outros, Rosa da gente e do mundo, Rosa de intensa poesia De fino olor sem segundo; Rosa do Rio e da Rua, Rosa do sertão profundo.

Homônimos e parônimos no estudo da Semântica

Para compreender um texto, não basta simplesmente ler as palavras e decodificá-las. É preciso perceber as intenções do autor e saber interpretar o sentido da pala­vra no contexto. No texto de Manuel Bandeira, por exem­plo, há palavras que devem ser entendidas pela junção entre as intenções do autor, o contexto semântico no qual elas estão inseridas e a forma como estão dispostas. A palavra vote não é uma referência à eleição política, sen­tido atual do verbo votar e Rosa não é o nome de uma flor ou de uma cor simplesmente.

Na interpretação desse texto, o conhecimento de mundo do leitor é indispensável para que a compreensão do contexto global seja coerente. Há, pois, no primeiro verso, uma referência direta à “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias – é o que se chama de intertextualidade. O conhecimento de mundo do leitor deveria levá-lo à interpretação de que Manuel Bandeira, com esse poema, dialoga bom o escritor Guimarães Rosa, mostrando a sim­patia com que vê a eleição do amigo para a Academia -não a de ginástica, é claro!

Pode-se afirmar, portanto, que a compreensão de uma frase ou de um texto depende da consideração equilibra­da de elementos da língua e do contexto. A interpretação também se faz com a colaboração de elementos linguís­ticos não explicitados na frase ou no texto, os chamados elementos implícitos. Assim, as palavras Rio e rua teri­am seus significados dimensionados no texto de Bandei­ra, por serem referências a textos de Rosa. A expressão “sertão profundo”, por exemplo, faz menção ao Grande Sertão: Veredas.

De forma bem geral, pode-se dizer que a parte da gramática que estuda os sentidos é a semântica, que se ocupa não somente do significado das palavras, mas tam­bém do valor das construções sintáticas. Estudar os as­pectos semânticos de uma língua significa fazer abstração dos fatores textuais, contextuais e implícitos, com a finalidade de descobrir qual o papel dos elementos lin­guísticos na produção do sentido. É a semântica que permite a classificação das pala­vras. Quando dizemos, por exemplo, que os substanti­vos são elementos nomeadores, que os verbos designam ações, estados ou fenômenos, estamos fazendo afirma­ções com base na semântica.

Levando em conta esses pressupostos, pode-se com­preender por que a palavra dó, sendo sinônima de pena, compaixão, tem outra significação quando se trata de um concerto musical. Aliás, concerto ou conserto? De­pende. A palavra concerto deve ser empregada em um contexto referente à atividade musical. Já conserto é ter­mo referente a reparo, restauração.

Homônimos e parônimos

A significação de uma palavra ou frase depende do contexto, da intenção do autor e dos elementos implíci­tos que levam à interpretação e, no caso da palavra pro­priamente dita, ainda se deve considerar a grafia. Saber l a forma correta de grafar a palavra é sinal de domínio linguístico, especialmente quando o termo em questão tem similares gráficos ou sonoros. Retomam-se, aqui, as palavras concerto e conserto, que, embora tenham o mesmo paradigma fônico, têm sig­nificação diferente. Concerto é uma apresentação musi­cal; conserto é uma arrumação, um reparo. Trata-se de vocábulos homônimos e parônimos.

Homônimos

São palavras idênticas na escrita ou na pronúncia, mas diferentes quanto à significação. Podem ser classi­ficados como homógrafos, homófonos e perfeitos.

•    Homônimos homógrafos – aqueles cuja grafia é a mesma, mas a pronúncia é diferente. Exemplo: colher – verbo, colher – substantivo.
•    Homônimos homófonos – os que apresentam pronúncia idêntica e grafia diferente. Exemplo: caça – presa, animal caçado, cassa – verbo cassar (anular – para mandato político, direitos, etc.)
•    Homônimos homógrafos e homófonos – tam­bém chamados de homônimos perfeitos – apre­sentam a mesma grafia e a mesma pronúncia. Exemplo: são – verbo ser, são – pessoa saudável são – santo.

Parônimos

São palavras que apresentam semelhança na escrita, mas significados diversos. Exemplo: russo – natural da Rússia ruço – pardacento.