Infinitivo, Particípio, Gerúndio, Voz Ativa e Voz Passiva no Estudo do Verbo


Emprego das formas nominais: O infinitivo, o gerúndio e o particípio equivalem a nomes, isto é, o infinitivo corresponde a um substantivo e os dois outros, a adjetivos ou advérbios. Não podem exprimir por si nem o tempo nem o modo do verbo.

Infinitivo: O infinitivo é o mais indefinido. Apresenta a forma impessoal (não-flexionada, terminada sempre em r) e a pessoal (flexionada). O emprego de uma ou de outra é bastante controvertido entre os gramáticos, mas algumas orientações são praticamente consensuais.

Infinitivo, Particípio, Gerúndio

Infinitivo impessoal
Emprega-se o infinitivo impessoal
•     quando não se refere a nenhum sujeito;
•    em locuções verbais, não distante do verbo auxiliar. Os galos começavam a cantar.

Infinitivo pessoal
Emprega-se o infinitivo pessoal, em geral, para pôr em evidência o agente da ação nos seguintes casos:
•    o sujeito está claramente expresso (o verbo, en­tão, concorda com ele); Curioso é tu não perceberes o que aconteceu ao teu redor.
•    o agente da ação não está expresso e se quer determiná-lo por meio do verbo. Bom seria andarmos nus.

Gerúndio

O gerúndio marca um aspecto inacabado, ou seja, o processo verbal em curso. O gerúndio pode substituir o imperativo. Andando, pessoal, andando!

Particípio

O particípio indica um aspecto verbal concluído, acabado. Na formação dos tempos compostos, o particípio acompanha
•    os verbos ter e haver para formar os tempos compostos da voz ativa; Temos estudado. Havia escrito.
•    o verbo ser para a formação da voz passiva de ação; Assim, encontra-se na primeira oração o sujeito “uni­versidades” e na segunda, “o profissional”. Observe a análise do comportamento desses sujeitos.
•     o verbo estar para formar a voz passiva de estado. Ele estava atormentado pelo remorso.

Alguns verbos apresentam dupla forma de particí­pio: uma regular (terminação -do) e outra irregular. Em­bora não haja rigor no emprego dos auxiliares, a forma regular, em geral, é usada com os verbos ter e haver e a forma irregular, com ser e estar. O professor havia aceitado (ou aceito) o convite para ser paraninfo. O convite para ser paraninfo foi aceito pelo professor.

Vozes do verbo

Note que, na primeira oração, o sujeito recebe a ação. Quando isso acontece, diz-se que o verbo está na voz passiva. No segundo exemplo, destacam-se dois verbos. O sujeito do primeiro pratica a ação, o que significa que o verbo está na voz ativa. O sujeito do segundo verbo pratica e recebe a ação, ou seja, o verbo está na voz reflexiva.

Voz passiva

A voz passiva pode apresentar-se de duas formas: analítica e pronominal. É formada por um verbo auxiliar (ser, estar, ficar) seguido pelo particípio do verbo principal. […] era considerado suficientemente prepa­rado […]

Voz passiva sintética ou pronominal

É constituída por um verbo conjugado na terceira pessoa seguido pelo pronome apassivador -se. Considerava-se suficientemente preparado quem recebia treinamento em medicina na es­cola de Salerno […] É fundamental saber identificar a diferença entre:
•    -se como índice de indeterminacão do sujeito – acompanha verbos intransitivos, transitivos in­diretos ou de ligação (que não admitem voz pas­siva), sempre na terceira pessoa do singular, e não permite a conversão para a voz passiva ana­lítica. Aqui se trabalha! É possível converter a voz ativa em voz passiva e vice-versa sem alterar o sentido da frase. Observe os procedimentos a seguir.

Voz ativa em passiva analítica

O bom profissional busca sempre novos co­nhecimentos. Na frase acima, identificam-se o sujeito e o objeto direto, respectivamente, como “o bom profissional” e “novos conhecimentos”. Passando o objeto direto para a função de sujeito, transformando o sujeito (quando há) em agente da pas­siva – auxiliado pela preposição por – e colocando o verbo auxiliar no mesmo tempo do verbo principal da oração (no caso, são buscados), tem-se a seguinte ora­ção: Novos conhecimentos sempre são buscados pelo bom profissional.

Voz ativa em passiva pronominal

Para essa mudança de voz é necessário excluir o su­jeito da voz ativa, pois a passiva pronominal não aceita agente da passiva. Depois, deve-se colocar o pronome apassivador junto ao verbo e, finalmente, transformar o objeto direto em sujeito, fazendo a concordância ade­quadamente. Bons profissionais buscam sempre novos conhecimentos. Buscam-se sempre novos conhecimentos.

Nas locuções verbais, o pronome apassivador liga-se ao verbo auxiliar e o verbo principal permanece no mesmo tempo da voz ativa.
O bom profissional tem buscado novos co­nhecimentos. Têm-se buscado novos conhecimentos. O bom profissional vem buscando novos conhecimentos. Vêm-se buscando novos conhecimentos. É construída com um verbo acompanhado de um pro­nome oblíquo correspondente à pessoa do verbo. Olhava-me no espelho e não me conformava com o que via. Olhava-se no espelho e não se conformava com o que via. É por isso que não se justificam construções como “nós se vimos” e “eu se basto”. A voz reflexiva pode indicar reciprocidade, ou seja, a mesma ação é praticada e recebida, ao mesmo tempo, por mais de um agente.