O uso do “consigo” e “contigo”


A língua portuguesa é normalmente uma matéria que leva os alunos ao extremo: há aqueles que a amam e aqueles que a odeiam a matéria. Temos que concordar que se trata de uma língua um tanto complicada para ser aprendida sob todas as suas vertentes, mas isso não significa que seja impossível aprender a falar e escrever corretamente. No dia a dia, na língua falada, é claro que nem tudo sai perfeito, mas é necessário conhecer bem a norma culta da língua para redigir bem cartas e documentos. Lembre-se: em e-mails informais, até valem alguns errinhos e abreviações, mas é deselegante exagerar na dose a ponto de parecer estar falando outra língua. E em e-mails corporativos então, abreviaturas nem pensar!

O uso do “consigo” e “contigo”

E assim são as línguas latinas: uma imensidão de formas verbais, pronomes e construções que você deve ficar atento para não errar. Quando você for aprender inglês, verá que nas línguas saxônicas esses quesitos são muito mais simples. Mas, como nascemos no Brasil, e nossa língua nativa é o português, escrevê-lo corretamente é o primeiro passo antes de pensar em aprender um idioma estrangeiro. Afinal, você só poderá se tornar bilíngue quando dominar perfeitamente a sua própria língua para então partir para um estudo mais aprofundado de outra.

Mas voltando a falar da língua portuguesa, você já parou para pensar na importância dos pronomes nas frases? São os pronomes que podem substituir o nome do sujeito nas frases. Caso contrário, a coisa ficaria muito repetitiva. E quando falamos em pronomes, de repente aparece uma imensa lista à nossa frente: e tudo isso pare referir-se a apenas três pessoas: eu, tu, ele, nós, vós, eles. Não, não são três pessoas, é todo mundo, talvez seja esse o motivo de uma lista tão extensa.

Brincadeiras à parte, esses pronomes citados acima podem ser classificados como pronomes pessoas no caso reto. Isso porque se referem diretamente às pessoas que praticam a ação na frase. Além desses, existem inúmeros outros tipos de pronomes, mas uma classe em especial, destaca-se por relacionar-se diretamente aos pronomes que vimos acima: são os pronomes pessoais no caso oblíquo.

Para que servem os pronomes pessoais no caso oblíquo?

Enquanto os pronomes pessoais no caso reto assumem a função de sujeito em uma oração, os pronomes pessoais no caso oblíquo normalmente surgem para assumir a posição de objeto direto e indireto. É por isso que o pronome a ser usado varia de acordo com a posição da pessoa na frase. Para cada pronome no caso reto, existem alguns correspondentes no caso oblíquo. Quer ver?

Na frase “Eu vou falar com a professora.” Utilizamos o pronome no “eu” no caso reto (eu pratico a ação).
Se fosse: “A professora quer falar comigo.”, utiliza-se o pronome no caso oblíquo porque eu sofro a ação.
Substituindo “eu” na frase por outros pronomes retos, temos os seguintes equivalentes no caso oblíquo:

Eu = me / mim / comigo
Tu = te / ti / contigo
Ele / ela = o / a / se / ele / ela
Nós = nos / nós / conosco
Vós = vos / vós / convosco
Eles / elas = os / as / se / lhes / eles / elas

Parece muito simples, não? E no geral realmente é muito simples. Mas existe um caso específico em meio a esses pronomes que costuma causar alguma confusão na hora de colocar em prática.

Seguindo o mesmo exemplo acima, quando eu digo “Preciso falar contigo”, não há dúvidas de que o assunto é com você, certo?

A confusão começa por conta de dois pronomes reflexivos que, propositalmente, não colocamos na lista acima: si e consigo. Aliás, apenas um dele causa confusão: consigo.

Os pronomes contigo e consigo são sinônimos?

Muitas pessoas insistem em usar contigo e consigo como se ambos fossem “a mesma coisa”. E é nessa hora que saem frases horríveis como: “Quero falar consigo.” Essa frase não significa nada, pois está errada em sua estrutura. Consigo é um pronome reflexivo que só deve ser usado com significado de “com ele mesmo” ou “com ela mesma”.

Quer um exemplo? “Paulo às vezes fala consigo.”, significa que Paulo às vezes fala com ele mesmo.
“Paulo às vezes fala contigo”, significa que Paulo às vezes fala com você, sim, você mesmo que está lendo agora. Percebeu a diferença?

Consigo é um pronome reflexivo, o que significa que só deve ser usado quando o sujeito pratica e sofre a ação ao mesmo tempo, quando a sua ação recai sobre ele mesmo, enquanto contigo é apenas um pronome no caso oblíquo equivalente a “tu” no caso reto.

E existe mais um caso em que consigo pode ser usado: para dizer ao professor. “Agora sim, consigo entender”. Obs.: Isso foi apenas um trocadilho, consigo neste caso é apenas a forma verbal no presente do verbo conseguir em primeira pessoa.

De qualquer forma, se ficou alguma dúvida, é importante esclarecê-la com o professor em sala de aula, não espere a véspera da prova.