Origem da Língua Portuguesa e Estudo dos Fonemas (Fonologia)


LÍNGUA PORTUGUESA

Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura: Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhes vela… Amo-te assim, desconhecida e obscura, Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela E o arrolo da saudade e da ternura! O poema de Olavo Bilac retrata a beleza da língua portuguesa, que tem sua origem no latim (língua da anti­ga civilização romana). O termo Lácio (do latim Latium -leite) indica justamente a região central da Península Itá­lica, em que se localiza Roma.

O português é uma língua neolatina, pois foi forma­do a partir do latim vulgar falado pelos dominadores ro­manos, que impuseram sua cultura à região da Península Ibérica. No século XVI, os portugueses, assim como os romanos, também fixaram sua cultura e língua nas terras conquistadas na América, na Ásia e na África. O portu­guês que chegou ao Brasil sofreu inúmeras mudanças, uma vez que o imenso território do país era ocupado por cerca de 2 milhões de índios na época do descobrimen­to. Com o processo de colonização, desenvolveu-se uma língua com base no tupi, que foi usada pelos jesuítas para a catequese dos nativos e acabou por difundir o tupi como uma espécie de “língua geral”. No entanto, o tupi jesuí­tico era bastante diferente do natural e, aos poucos, os índios foram se adaptando linguisticamente, o que tam­bém aconteceu com a imposição religiosa.

Origem da Língua Portuguesa

Como a tentativa de escravizar os índios fracassou, a Coroa portuguesa decidiu buscar na África a mão-de-obra de que precisava, mandando os escravos capturados às minas, aos engenhos e às lavouras brasileiras. Apesar das diferenças étnicas e linguísticas, os africanos também cri­aram uma língua geral para se comunicarem, mesclada a partir de duas bases: nagô e banto. Além da contribuição indígena e africana, o português do Brasil recebeu influ­ência do francês e do holandês no período das invasões e, no decorrer do século XX, muitos imigrantes deixaram suas marcas linguísticas no falar brasileiro.

A língua portuguesa no mundo

1. Portugal
2. Moçambique
3. Goa
4. Cabo Verde
5. Angola
6. Damão
7. Guiné-Bissau
8. Brasil
9. São Tomé e Príncipe
10. Macau
11. Malaca
12. Timor-Leste
13. Diu

Fonologia

LETRAS (representara os fonemas)

ditongo crescente: sv + v (na mesma sí­laba)

Encontro vocálico

ditongo decrescente

tritongo

v + sv (na mesma sí­laba)
sv + v + sv (na mes­ma sílaba)

hiato

v + v(em sílabas di­ferentes)

Encontros cfígrafos

Como sugere o poeta Oswald de Andrade, a fala po­pular pode estar errada segundo a norma culta, mas a vida prática (o fazer) é correta independentemente da lin­guagem, pois a ênfase é na comunicação, no ato físico da fala popular em comparação à sua representação grá­fica culta.
A parte da gramática que estuda os sons da língua é a fonologia, palavra de origem grega que significa, lite­ralmente, “estudo dos sons”. Os sons da fala chamam-se fonemas, que são os elementos constituintes das sílabas e da palavra. Eles apresentam a propriedade de estabele­cer a distinção entre os vocábulos de uma língua.

A representação gráfica e visual de um fonema é a le­tra, mas nosso sistema ortográfico não é rigorosamente fo­nético, pois, muitas vezes, uma mesma letra pode represen­tar fonemas diferentes ou um fonema pode ser representa­do por uma ou duas letras diferentes. Por exemplo:

próximo – X = /SÊ/ – 7 letras e 7 fonemas
peixe – X = /CHÊ/ – 5 letras e 5 fonemas
táxi – X = /KS/ – 4 letras e 5 fonemas
exame – X = /ZÊ/ – 5 letras e 5 fonemas
flecha – 6 letras e 5 fonemas
lixo – 4 letras e 4 fonemas
charrete – 8 letras e 6 fonemas
pessoa – 6 letras e 5 fonemas
peça – 4 letras e 4 fonemas
samba – 5 letras e 4 fonemas
espanto – 7 letras e 6 fonemas

As letras m e n nem sempre representam fonemas; podem indicar a nasalização das vogais que as antecedem, como em cam­po e tampa = /capo/ e /tapa/.
Algumas letras, por razões etimológicas, mantêm-se nas palavras, mas não repre­sentam fonemas. Por exemplo: hotel, dis­cípulo, exceção e quina.

FONEMAS (SONS DA FALA)

Vogais
elementos sonoros
Semivogais: / i/, u/ quando apoiadas em outra vogal.
Consoantes: soam com auxílio da vogal.

Encontros consonantais: grupos de consoantes sem vogal interme­diária.

Dígrafos: grupos de letras que representam um só fonema.

Para formar as palavras, precisamos agrupar os fo­nemas que podem apresentar diferentes tipos de encon­tros: encontros vocálicos, encontros consonantais e dígrafos. Observe as palavras retiradas da tira acima.
•         Eu – palavra formada por uma sílaba, sendo uma vogal e uma semivogal.
•         Quero – palavra formada por um dígrafo: qu.
•         Dois – palavra formada por um ditongo: oi.
•         Brandy – palavra formada por um encontro consonantal (br) e um dígrafo: an.
•         Servir – palavra formada por um encontro consonantal: rv.
•         Obrigado – palavra formada por um encontro consonantal: br.

Considere agora as palavras: comprar, trabalho, cons­trutores, planejam. Os grupos de consoantes assinalados não têm vogal intermediária. São encontros consonantais. Nas palavras quem, trabalho e construísse, os gru­pos de letras destacadas representam apenas um fonema e receberam o nome de dígrafos. São dígrafos: ch, Ih, nh, rr, ss, gu, qu, se, sç, xc. Também são dígrafos os grupos que representam as vogais nasais, como nas pa­lavras: mudanças, atenção, compra, construtores, etc.

São consideradas dígrafos vocálicos as síla­bas compostas de vogal seguida de m ou n, desde que não estejam no final da palavra. Por­tanto, são duas letras que representam apenas um fonema. Por exemplo: pente e ontem. São consideradas ditongos nasais as vogais seguidas de m ou n que vierem no final da pala­vra, representando, portanto, dois fonemas. Por exemplo: amém, ninguém, falaram, amaram.

Sílabas: Chamamos de sílaba o fonema ou conjunto de fone­mas pronunciados numa mesma emissão de voz. Quanto ao número de sílaba, as palavras classificam-se em:
•         monossílabas – as que apresentam uma única sí­laba;
•         dissílabas – as que têm duas sílabas;
•         trissílabas – as que apresentam três sílabas;
•         polissílabas – as formadas por mais de três sílabas.

Toda sílaba tem por base uma vogal. Embora a divi­são silábica se baseie na emissão dos fonemas, é impor­tante saber que:

NÃO SE SEPARAM
ditongos e tritongos, hiatos

SEPARAM-SE

dígrafos (ch, Ih, nh, gu, qu), dígrafos (rr, ss, xc, sç), encontro consonantal no início de sílaba ou de palavra (pneu; gno-mo, etc.), consoantes que não são seguidas de vogal no interior das palavras (ac-ne, pac-to, etc.) cis, bis, dês, dis, trans, ex, seguidos de sílaba iniciada por consoante (ex-tra-ir, trans-gre-dir, etc.), l ou r de encontros consonantais se pronuncia­dos separadamente (sub-lin-gual, per-to, etc.)
consoantes internas que não são seguidas de vogal; pertencem à sílaba anterior (af-ta, etc.)