Pretérito Perfeito, Imperfeito, Mais-que-perfeito e Composto; Tempo Futuro e Futuro Composto


Perfeito e Imperfeito

Talvez você já tenha se pergun­tado por que os tempos verbais do pretérito são chamados de perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito. Afi­nal, de onde vêm essas denomina­ções? Esses três nomes são formas de uma categoria verbal relativamente pouco estudada pela tradição esco­lar, mas que, modernamente, tem aparecido com boa constância nos exames vestibulares. Trata-se da categoria do aspecto verbal. O aspecto é a categoria que ex­pressa a duração da ideia verbal.

Pretérito Perfeito, Imperfeito, Mais-que-perfeito e Composto

O Mais-que-perfeito

Como o nome indica, o pretérito mais-que-perfeito também é utilizado para fatos de duração não considerável, isto é, fatos momentâneos. A dife­rença é que o mais-que-perfeito expressa um evento passado anterior ao evento expresso pelo pretérito perfeito. É o caso da frase a seguir: (3) Ontem visitei Lúcia; antes, visitara Maria.

O autor da frase realizou duas visitas no passado. Mas elas não foram si­multâneas. A visita a Maria foi anterior à visita feita a Lúcia. Assim, foram utili­zados tempos verbais distintos. O mais-que-perfeito “visitara” expressa o evento anterior ao do perfeito “visitei”. Esquematicamente, temos:
(3) Ontem visitei Lúcia; antes, visitara Maria.
pretérito perfeito     pretérito mais-que-perfeito
passado posterior          passado anterior

Além dos tempos verbais explicitamente do pretérito, o tempo passado tam­bém pode ser expresso pelo futuro do pretérito do modo indicativo. Esse tempo é conjugado, para os verbos regulares das três conjugações, como segue: O futuro do pretérito do modo indicativo também é empregado para ex­pressar um passado posterior. Essa, inclusive, é a origem de sua denomina­ção. Ele expressa um fato passado, mas futuro em relação a outro fato passado. Observe o exemplo: (4) Ontem, Rita afirmou ao pai que chegaria um pouco depois do jantar.

Em relação ao tempo, essa frase expressa dois fatos passados. A infor­mação dada por Rita a seu pai é um evento anterior à chegada de Rita. Para expressar este fato passado, posterior a outro fato passado, o autor da frase empregou o futuro do pretérito. Note que agora o pretérito perfeito expressa um passado anterior. Rela­cionado ao pretérito mais-que-perfeito, como vimos, o perfeito expressa um passado posterior.

Como qualquer forma deste modo verbal, o pretérito imperfeito do sub­juntivo expressa um fato de ocorrência incerta, algo que pode ou não ter ocorrido. É o caso do seguinte enunciado: (5) Semana passada, eu pensei que Tiago estivesse doente.

Nesta sentença, o autor empregou a forma “estivesse” para indicar uma ação passada, duradoura, mas incerta. É certeza que o autor “pensou”, mas não é certeza que Tiago esteve doente “semana passada”. Por isso, a opção pelo pretérito imperfeito do subjuntivo.

O Pretérito Composto

Notamos inicialmente que, em português moderno, o pretérito mais-que-perfeito composto do indi­cativo é muito mais frequente que o pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo. É comum ouvirmos as pessoas falarem tinha amado ou ti­nha comparecido, ao passo que é relativamente raro ouvirmos falarem amara ou comparecera. Note-se, in­clusive, que o significado das duas formas, a simples e a composta, é o mesmo. Ambas servem para expres­sar o passado anterior.

Também devemos atentar para o uso contemporâneo do pretérito perfeito composto do indicativo. Em português antigo, uma forma como tenho amado era realmente sinonima de amei (daí a denominação, para essa forma, de pretérito perfei­to). Em português atual, porém, a forma tenho amado expressa um fato iniciado no passado mas que persiste no presente.

O Tempo Futuro

No modo indicativo, o futuro cro­nológico em português é expresso basicamente pelo tempo verbal cha­mado futuro do presente. (6) Finalmente, amanhã sairei de férias. Na língua moderna há forte ten­dência, ao menos no português bra­sileiro, para mais usualmente ex­pressar o futuro por meio de locução com verbo auxiliar ir. (7) Amanhã finalmente vou sair desta cidade. No modo subjuntivo há, como sa­bemos, uma forma de tempo simples: (8)  Quando estivermos sozinhos, vou dizer-lhes algumas verdades.

O futuro Composto

O futuro composto (tanto do indi­cativo quanto do subjuntivo) serve, basicamente, para expressar o futuro anterior. Com o recurso dessa forma, a língua portugue­sa expressa as divisões do futuro, como já expressava, com os tempos simples, as divisões do passado. Confira o exemplo: (9) É melhor não me esperarem para a reunião. Só chegarei à empresa quando todos já tiverem saído.

No exemplo, as formas “chegarei” e “tiverem saído” expressam ambas um fato que ocorrerá no futuro da enunciação. Entretanto, esses eventos futuros não são simultâneos. Primeiro as pessoas terão saído; depois é que o autor do enunciado chegará. Assim, a forma “tive­rem saído” (futuro composto do subjuntivo) expressa um futuro anterior, ao passo que “chegarei”(futuro do presen­te simples do indicativo) expressa um futuro posterior. Esquematicamente, temos:
(9) Chegarei quando todos tiverem saído.
futuro simples                        futuro composto
futuro posterior                        futuro anterior