Referentes Adverbiais, Textuais, Pronominais e Genéricos; Ambiguidade e Adjunto Adverbial


Referentes adverbiais

As orientações quanto à colocação pronominal não devem ser (e efetivamente não são) adotadas com rigor. Muitas vezes, dispensa-se a orientação gramatical em favor da ênfase, espontaneidade e harmonia do texto.

Referentes textuais Referentes pronominais

Referentes Adverbiais, Textuais

Os pronomes aparecem em um texto geralmente com a função de substituir ou acompanhar um termo que já foi usado, evitando repetições. O advérbio tem a função de retomar, por exemplo, termos, expressões e orações já citados no texto. No tre­cho acima, é o que acontece com o termo Ali, que reto­ma a oração anterior (“Era uma casinha branca, cercada de jardins, onde as crianças brincavam sem riscos”).

Referentes sinônimos ou equivalentes: Esses referentes também evitam a repetição de pala­vras, conferindo ao texto maior diversidade vocabular.

Referentes genéricos

A fábula a seguir demonstra a utilização da palavra genérica coisa para retomar a expressão “o que pensou ser uma maçã”. Observe.

HÉRACLES E ATENA
Quando caminhava por uma rua estreita, Héracles viu no chão o que pensou ser uma maçã e quis esmagá-la. A coisa então aumen­tou de volume diante de seus olhos. Ele a pisoteou com mais força ainda e a golpeou com a clava. Mas a coisa engrossou de tal forma que bloqueou o caminho. Héracles jogou fora a cla­va e ficou ali, presa do espanto, quando Atena lhe apareceu e disse: – Pára, irmão, o que estás vendo é o espírito da querela e da discórdia. Quanto mais a gente deixa de provocá-lo, menos ele reage. Mas, quando o atacamos, ele cresce da forma que estás vendo.

Construções paralelas

O paralelismo consiste em apresentar ideias numa forma gramatical idêntica. Esse tipo de construção, com o mesmo padrão sintético, pode ser usado para demons­trar a relação de simetria ou assimetria entre os elemen­tos que o compõem. No poema a seguir, o paralelismo contribui para a construção de sentido na medida em que atribui o mesmo grau de importância a todas as pressões exercidas pela sociedade sobre o indivíduo.

AMBIGUIDADE

Quando um texto apresenta mais de um significado, diz-se que a mensagem é ambígua. Trata-se de um fenômeno que pode ocorrer sem a percepção do emissor, pre­judicando a interpretação do interlocutor. Em textos pu­blicitários, no entanto, a ambiguidade é usada propositalmente, como um recurso expressivo importante, para que haja originalidade na transmissão da mensagem. Alguns textos têm títulos ambíguos para chamar mais a atenção do leitor, servindo até como estímulo para a leitura.

A ilustração que introduz esta unidade pode ser in­terpretada de duas maneiras: um índio visto de perfil, ou um esquimó de costas. A distração é uma das principais causas para que a ambiguidade seja produzida: A principal notícia foi o bate-boca entre os presi­dentes do Senado e da Câmara que chocou a todos. No exemplo, pode ter sido a notícia ou o bate-boca que chocou a todos. Tais inadequações decorrem, em geral, de falhas es­truturais de construção dos períodos, ou por uso inade­quado de palavras.

Posição do adjunto adverbial

Pessoas que se estressam geralmente são acome­tidas por ataques cardíacos. O adjunto adverbial, nesse exemplo, permite ao lei­tor interpretar que as pessoas que costumam se estressar com frequência são acometidas por ataques cardíacos, ou que ataques cardíacos frequentemente ocorrem em pessoas que se estressam.

Orações introduzidas pelo pronome relativo “que”

O filho do general que morreu estava com Aids. A colocação do pronome que, nessa frase, tornou-a ambígua: o filho do general estava com Aids e morreu ou o general que morreu tinha um filho que estava com Aids.

Orações reduzidas (formadas por verbos nas formas nominais)

Cansado de ficar esperando o rapaz viu o vizinho. Há possibilidade de se afirmar que o rapaz estava cansado de ficar esperando e viu o vizinho ou que o vi­zinho estava cansado de ficar esperando e o rapaz o viu.

Antecedentes dos pronomes

Marcos disse a Roberto que sua mãe estava aflita. A mãe de quem estava aflita? De Marcos ou de Roberto?

CONSTRUÇÃO DO TEXTO -VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

Considere o texto como um todo e, em especial, a passagem: “Escrever bem é escrever claro, não necessa­riamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo mas é claro, certo?” Observe que, se o escritor desconhecesse a gramática que ironiza, não se atentaria para o fato de que “feriu” uma de suas normas, ao utilizar um adjetivo (claro) para modifi­car um verbo, quando deveria ter empregado um advérbio. Além disso, o manejo das palavras, os recursos utili­zados na construção do texto (ironias, hipérboles, metáfo­ras), a construção coerente não deixam dúvida da facili­dade de manejo da língua, do conhecimento dos diferen­tes recursos que ela oferece para a construção dos textos.

Variantes linguísticas

Há algum tempo, as universidades propõem em suas provas de seleção uma visão não apenas gramatical dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental e Médio, exigindo do aluno mais astúcia com os fatos da língua, não a mera memorização de regras e fórmulas preestabelecidas. Assim, criou-se um consenso sobre o conceito de erro no trato com a língua: não existe mais a situação linguística dita errada, e sim, a dita diferente. Ao contrário da gramática normativa, a linguística consi­dera determinados enunciados como certos, mas inconve­nientes dependendo da situação em que são produzidos.

Um exemplo claro desse tipo de visão sobre a utili­zação da língua é a do sujeito que vai a uma entrevista de emprego e se utiliza da seguinte variante linguística: Luis Fernando Verissimo se diverte e diverte o leitor ao exprimir sua discordância ao ensino tradicional da lín­gua portuguesa, que cultua as regras da gramática nor­mativa, descoladas do contexto. Isso não significa que pregue desrespeito ou descaso pelo estudo da língua.

A resposta dada pelo falante, de acordo com a lin­guística, não é considerada errada, mas inconveniente, considerando-se que a situação linguística exigia dele uma atitude mais formal, o que o ajudaria a ser mais aceito pela pessoa que o entrevistava. É esse tipo de percepção que as universidades “co­bram” dos vestibulandos; e mais: o trato com a língua na modalidade culta.

O conceito de língua é outro fator determinante para que se possa entender as funções das variações linguísti­cas: língua é o mecanismo com o qual o ser humano se comunica, de maneira oral, escrita ou pictórica/simbóli­ca. A língua divide-se em dois planos básicos: a oralida-de e a escrita. Cada qual divide-se, ainda, em mais dois planos: formal e informal.

O esquema apresentado ilustra a visão linguística utilizada nos testes de vestibulares em todo o país, sali­entando-se ainda que oralidade e escrita formais corres­pondem àquilo que se convencionou chamar de norma culta, ou português-padrão; e que a oralidade e escrita informais correspondem àquilo que se convencionou chamar de norma popular, ou português não padrão.