Verossimilhança


O ato de relatar, de contar histórias, de narrar acontecimentos a partir de algo que já aconteceu ou que, pelo menos, faça parte do imaginário social, é algo presente em nosso cotidiano. A característica de narrar histórias é comum para seres de todas as faixas etárias, gêneros e de diferentes condições socioeconômicas.

Verossimilhança

Todos os dias, nos deparamos com situações em que sentimos a necessidade de contar aquilo para alguém – seja um familiar, um colega, o (a) parceiro (a) e assim por diante.

E se por um lado o nosso dia a dia é repleto de histórias que vivenciamos, que lembramos, que contamos (tenham elas ocorrido conosco ou com outros indivíduos em nosso círculo social), nós também ouvimos acontecimentos de outras pessoas, como nossos amigos, familiares e parceiros.

De modo geral, cabe destacar que muitas são as situações em que nos pegamos contando ou escutando algo. E não estamos nos referindo apenas à oralidade, ou seja, ao ato de falar e ouvir. Tais narrativas também podem ser escritas, também podem ser vistas nos meios de comunicação (como rádio, televisão, portais da internet) e assim por diante.

O que é a verossimilhança e suas principais características

Para que seja possível construir uma narrativa, seja ela oral ou escrita, é fundamental que nós tenhamos total controle e conhecimento sobre aquele determinado assunto.

Por vezes, podemos contar uma história que, dias antes, vimos no noticiário. Também podemos narrar algo que aconteceu conosco, ou quem sabe, escrever um relato sobre isso.

Sendo assim, a nossa produção de uma fala ou texto é sempre influenciada por algo – por um documentário, por uma foto, por uma sensação, por algo vivido, por algo lido e assim por diante. É por meio de tais dados observados que iniciaremos uma fala ou uma escrita.

O resultado dessa produção, por sua vez, é o que irá retratar como nós interpretamos os fatos ocorridos ou pesquisados, como é a nossa visão acerca dos mesmos e quais são as experiências relacionadas.

Para que possamos realizar a transmissão de algo que vimos, que vivemos, que escutamos no rádio ou que lemos em um portal da internet, é preciso “recriar o real”. Por isso, cada fato passa pela nossa análise pessoal para que depois o recriemos, de acordo com nossos conhecimentos e vontade, para os outros.

Então: que é verossimilhança

Quando falamos em ‘recriar o real’, seja do modo mais fiel possível ao que aconteceu verdadeiramente, ou trazendo algum fato imaginário (ou seja, inventado pelo autor da fala/texto), é preciso aproximá-lo ao máximo da realidade, fazendo com que aquela narrativa seja real, ou seja, verossímil.

No momento de explorar algo ficcional, como uma história inventada, por exemplo, oferecer ao leitor a ideia de que aquilo é verdadeiro, próximo de sua realidade, é o que caracteriza a verossimilhança.

Para que seja possível construir uma narrativa (falada ou escrita) que realmente faça sentido para o leitor, todos os seus elementos precisam estar em harmonia na composição de algo ‘totalmente verdadeiro’.

Entre os elementos que devem andar em conjunto na construção de uma narrativa verossímil podemos destacar:

  • Personagem principal e demais participantes da história;
  • Quem é o narrador da história e qual é a posição que ele ocupa na mesma?
  • Qual é o enredo da história? E o assunto principal?
  • Qual é a proximidade de tempo e espaço que o leitor tem com a narrativa?

É por meio da aproximação do leitor com essas características, ou seja, com as suas experiências relacionadas aquele tema, seu conhecimento sobre os indivíduos envolvidos na história, sobre a sua presença como narrador (ou não) e sobre o conhecimento sobre aquele local ou espaço de tempo que ele compreenderá aquela história como real, ou seja, compreensível para a sua realidade.

Mais curiosidades sobre a verossimilhança

A verossimilhança é uma palavra que tem origem no termo em latim ‘verosimilis’. Seu significado, por sua vez, é ‘provável’. Na língua portuguesa, a verossimilhança deve ser encontrada em narrativas possíveis, ou seja, reais (mesmo que verdadeiras ou imaginadas). O receptor, ao ver aquela mensagem, precisa acreditar na mesma – ou seja, precisa compreender que aquilo realmente pode acontecer ou existir em um universo possível.

Para que seja possível compreender a verossimilhança é fundamental partir do pressuposto de que aqueles fatos não necessariamente precisam ser reais.

A história pode ser imaginada, não há problema em relação a isso. Porém, o que se espera verdadeiramente é que aquela narrativa faça sentido – ou seja, que ela seja coerente, possível, que tenha lógica e que possa se adequar à realidade do receptor.

Mesmo que a história seja inventada (como em um poema ou em um filme de ficção), ela deve satisfazer por completo às expectativas do receptor, de modo que ele possa encontrar sentido naquilo que está sendo lido, ouvido ou até mesmo compartilhado.