Alquimia


A alquimia pode ser definida como uma ciência mística, que une diversos componentes da astrologia, filosofia, metalurgia, antropologia, física, medicina, química, matemática e magia e era praticada na era medieval. Os objetivos principais da alquimia eram:

– Transformar metais em ouro;

– Adquirir o elixir da vida, que proporcionaria a vida eterna e seria capaz de curar todos os males;

– Criar vida de maneira artificial;

– Enriquecer os membros da realeza rapidamente. Acredita-se que este objetivo era para garantir a existência dessa classe social.

Alquimia

Os dois primeiros objetivos seriam conquistados a partir de uma substância mística, chamada de a Pedra Filosofal.

Mesmo sem características científicas que pudessem ser comprovadas e considerada mais ligada à religião, a alquimia é considerada uma fase importante para o desenvolvimento de técnicas e a obtenção de conhecimento na área da química. A prática é vista como uma fase precursora da química como ela é conhecida atualmente. Povos islâmicos, sul-americanos do período pré-histórico, egípcios, chineses, gregos, aborígenes, coreanos, mesopotâmicos e europeus estão entre os praticantes da alquimia.

Os estudiosos acreditam que a transformação de metais em ouro era uma metáfora, referente à mudança da consciência ignorante (metal) pela sabedoria (ouro). Os alquimistas concentravam suas forças em buscar a pedra filosofal e o elixir da vida eterna e acredita-se que os elementos simbólicos estão ligados a rituais de purificação do espírito.

Pesquisadores também descobriram que o chamado elixir da vida seria, na realidade, uma substância produzida pelo próprio organismo humano que seria capaz de prolongar a vida eternamente, desde que se tornassem verdadeiros alquimistas ao realizar um extenso procedimento de purificação espiritual.

As metáforas usadas na alquimia serviam para manter os escritos em segredo, de forma que os leitores considerados indignos deste conhecimento não tivessem acesso. Outra vertente também atribui às metáforas a função de ocultar as práticas espirituais, que poderiam causar perseguições feitas pela Inquisição, que acusaria os praticantes de heresia. Na Idade Média, a Igreja Católica criou uma espécie de tribunal religioso, a Inquisição, que julgava quem era contra as normas desta religião. Por isso, a transformação de metais era usada para afastar qualquer indício de espiritualidade do tema.

Os alquimistas defendiam que o universo tinha uma tendência a um estado de perfeição, sendo que o ouro representava este nível perfeito por ser considerado o mais nobre dos metais. Transformar outros metais, considerados inferiores, em ouro, tinha como significado auxiliar o universo a alcançar um grau mais profundo de perfeição.

A Pedra Filosofal

Os alquimistas tentavam criar a pedra filosofal em laboratório, por meio de experiências que usavam quatro elementos fundamentais para a alquimia – a terra, a água, o ar e o fogo. A manipulação dos metais também era feita com mercúrio, orvalho, enxofre e sal.

O orvalho servia para dar umidade ou para banhar a matéria-prima, o sal era importante por ser considerado um solvente universal e uma substância de ligação entre o enxofre e o mercúrio. O enxofre é uma substância de propriedade fixa, ativa e que representava as características de corrosão e de combustão dos metais. Já o mercúrio é uma substância passiva, volátil e inerte.

De acordo com os alquimistas, a matéria prima teria que passar por quatro fases até chegar a pedra filosofal:

– Operação Negra: também conhecida como nigredo, esta é a primeira fase, na qual a matéria é dissolvida e passa pelo fogo;

– Operação Branca: também chamada de Albedo, esta etapa diz respeito à purificação da matéria;

– Operação Amarela: chamada também de citrinitas, este estágio está relacionado com a transformação dos metais em ouro;

– Operação Vermelha: Conhecida como rubedo, esta é a última fase da alquimia, na qual é produzida a pedra filosofal.

Somadas as experiências, as observações da natureza e de seus elementos resultaram em estudos respeitados, utilizados até mesmo na área da física quântica. Entre as descobertas feitas a partir da observação está a visão holística de que todos os elementos do universo estão interligados. O trabalho realizado para tentar reproduzir em ambiente de laboratório a pedra filosofal era chamado de “A Grande Obra”.

A visão espiritual da alquimia previa a realização de diversos ritos, com o uso de elementos da magia, da filosofia hermética e da cabala, como a harmonia de coisas contrárias. Os alquimistas tinham como verdade que a pedra filosofal era o ponto de busca da perfeição, que só poderia ser obtida com o equilíbrio das contrariedades que fazem parte do homem.

Alquimistas escreviam textos de difícil compreensão para enganar os leitores e ocultar o conteúdo.

Os autores da alquimia buscavam estratégias para escrever textos difíceis de compreender, como:

– Uso de expressões próprias da alquimia para falar sobre substâncias ou processos;

– Ausência de explicação de vários procedimentos;

– Elaboração de frases cheias de eufemismos para se referir as substâncias;

– Uso de referências da mitologia;

– Uso de palavras cultas;

– Utilização de termos que, ao serem lidos em voz alta, geram outra palavra;

– Referência a outro autor em vez de explicar fases dos processos;

– Falta de organização da apresentação dos processos usados na alquimia;

– Utilização de imagens aleatórias;

– Uso de símbolos da astrologia;

– Uso de ilustrações de animais;

– Uso de expressões sexuais.