Ebulioscopia – Química


Também chamada de ebuliometria, a ebulioscopia nada mais é que uma propriedade coligativa que investiga e realiza o estudo de toda elevação de temperatura que causa a ebulição de algum tipo de solvente presente em uma solução.

Ebulioscopia - Química

Mas o que é uma propriedade coligativa? Como ela é dividida? Uma propriedade coligativa representa de forma específica a particularidade de uma solução que depende diretamente da quantidade de partículas dispersas, mas que, ao mesmo tempo, não depende da natureza ou origem das partículas do soluto.

Todos os solutos podem ser divididos entre solutos iônicos e solutos moleculares. Os primeiros correspondem aos que são constituídos por ligações iônicas, como é o caso do sal de cozinha, por exemplo. Nessas situações, acontece a separação dos íons, que acabam ficando totalmente dispersos na solução.

Já os chamados solutos moleculares são aquelas substâncias que possuem ligações covalentes. No caso desses, não existe nenhuma dissociação dos íons, acontecendo apenas a disposição isolada das moléculas na solução. Um exemplo clássico e muito conhecido de soluto molecular é a sacarose, o açúcar.

As propriedades coligativas podem ser divididas entre a ebulioscopia, a tonoscopia e a crioscopia. A tonoscopia acontece quando o soluto causa o caimento da pressão máxima existente no vapor do solvente. Já a crioscopia consiste na elevação do ponto de ebulição da água, causando a redução do seu ponto de congelamento ou solidificação.

Um pouco mais sobre a ebulioscopia

A ebulioscopia surgiu por conta da realização de uma análise de alguns tipos de soluções que eram misturadas com alguns líquidos puros. Quando o pesquisador analisa o líquido puro e um tipo de solução presente nesse mesmo líquido, é possível que ele perceba todas as mudanças de comportamento do líquido puro, causadas principalmente pela presença de um soluto.

Quando isso acontece, podemos afirmar que ocorreu uma mudança nas propriedades coligativas do líquido puro. Essa situação pode ser observada quando o estudo utilizado é a ebulioscopia, desde que os dados sejam retirados e analisados de maneira correta.

Dito isso, podemos perceber que os solventes possuem como característica a capacidade de alterar todo o comportamento de um líquido. Ou seja, o solvente acaba sendo responsável por tornar mais elevado o ponto de ebulição do líquido estudado.

Como sabemos, a ebulioscopia observa o aumento da temperatura de ebulição de um solvente presente em uma solução. Porém, para que o fenômeno da ebulição aconteça, é necessário que a substância deixe o estado líquido e passe para o estado gasoso. No caso da água, o ponto de ebulição só é alcançado quando ela chega em 100°C.

E como podemos fazer a ebulição de um líquido? Para que uma substância líquida atinja seu ponto de ebulição, é preciso elevar a sua temperatura e aquecê-la até chegar ao ponto em que a pressão do vapor é exatamente igual à pressão atmosférica. Nos casos em que é possível identificar a presença de partículas insolúveis no solvente, esse processo de ebulição acaba se tornando mais difícil e só pode ser explicado por meio da ebulioscopia.

A fórmula utilizada pela ebulioscopia para calcular esse fenômeno pode ser representada por te= te2 – te, em que te representa a temperatura de ebulição da solução e te2 a temperatura de ebulição do solvente utilizado.

Em situações em que o ponto de ebulição de uma substância líquida acaba sendo elevado por meio da atuação direta de um soluto considerado não volátil, o valor encontrado por essa fórmula se torna diretamente proporcional à quantidade de mols presentes na solução. A Lei de Raoult é o que explica a relação presente entre a concentração de uma solução e o efeito ebulioscópico.

Conheça alguns exemplos aplicáveis da ebulioscopia

Um dos mais famosos exemplos de ebulioscopia acontece durante o preparo de uma das bebidas mais ingeridas em nosso dia a dia, o café. Ao prepararmos o café, acabamos colocando açúcar diretamente na água que estava iniciando seu processo de ebulição.

Nessa situação, todos os cristais presentes no açúcar acabam se tornando partículas que retardam todo o processo de ebulição da água, fazendo com que o líquido demore mais tempo para finalmente alcançar seu ponto de ebulição. Isso acontece antes mesmo dos cristais de açúcar serem dissolvidos pelo calor presente na mistura.

Outro exemplo desse processo de ebulioscopia também pode ser observado quando observamos uma substância líquida em contato com o sal, mais especificamente ao misturarmos sal na água. Quando fazemos isso, acabamos aumentando o ponto de ebulição da água.

Mas o que esse aumento representa? Isso significa que a água vai demorar muito mais tempo para alcançar a fervura. Nesse caso, o que acontece é que, quando um soluto não volátil é dissolvido em uma substância líquida, o nível da temperatura de ebulição daquela solução se torna mais elevada e superior ao valor da temperatura que podemos encontrar na água pura. Esse processo também é conhecido como efeito ebulioscópico.