Etoxietano: o principal éter


O etoxietano é mais conhecido como éter etílico, ou apenas éter. No entanto, há pequenas diferenças técnicas que precisam ser compreendidas. O éter é um composto caracterizado por possuir um oxigênio entre dois carbonos. Encontramos uma cadeia de carbono de um lado, uma cadeia de carbono do outro e o oxigênio entre elas. Podemos representar esse esquema da seguinte forma:

• R – O – R

Etoxietano o principal éter

Os compostos orgânicos com essas características formam o grupo funcional dos éteres. Essas são suas características fundamentais, mas, comumente, o éter conhecido pelas pessoas é o etoxietano. Isso acontece porque ele é vendido na farmácia sob essa dominação. A nomenclatura oficial, nesse caso, é “éter etílico” ou ainda “éter dietílico”. A fórmula molecular do etoxietano é C4H10O, e a fórmula estrutural é CH3CH2-O-CH2CH3.

A denominação “éter” se deve à característica das substâncias: elas possuem um espaço vazio entre a matéria. Isso acontece porque há uma grande volatilidade no éter etílico. O etoxietano caracteriza-se também por ser uma substância etílica líquida volátil. Extremamente inflamável, foi usada durante algum tempo como anestésico, até descobrirem o alto grau de perigo. Por elevar o risco de explosão, seu uso se limitou a experiências químicas em laboratório, sob a forma de solvente.

Éter e etoxietano

Normalmente os éteres estão divididos em duas classes:

• Simples: São aqueles cujos dois grupos ligados ao oxigênio são iguais. Também são chamados de éteres simétricos.
• Mistos: São aqueles cujos dois grupos ligados ao oxigênio são diferentes. Também são chamados de éteres assimétricos.

Na medida em que ia se conhecendo profundamente o éter, o uso comum como analgésico foi sendo abandonado. Os médicos percebiam na anestesia, por exemplo, que o paciente muitas vezes acabava tendo mal-estar, quando não uma irritação no trato respiratório. Em cirurgias, o produto acabava prejudicando o local, elevando as chances do paciente sofrer outros problemas. Além disso, havia a alta capacidade de incêndios, sobretudo quando ele tinha contato com o oxigênio. Como é um produto orgânico, a chance de ter uma explosão de grande intensidade é extremamente alta.

Apesar da substituição do éter como analgésico em quase todo procedimento médico, ainda hoje ele é utilizado sobre a pele. Isso porque ele diminui a sensibilidade do local, facilitando a aplicação de injeções, por exemplo.

Nos dias de hoje, o éter é muito usado como solvente apolar inerte. É comum o uso para se obter reações orgânicas, como extração de gorduras, perfumes, essências e óleos, entre outros produtos. No entanto, a sua venda é monitorada pela Polícia Federal, devido ao fato de também ser o melhor solvente para extrair a cocaína das folhas de coca.

Antecedentes do uso

O éter, nessa condição, já havia sido analisado na Idade Média. Alguns alquimistas árabes o observaram em pequenas quantidades, mas obter resultados significativos. Foi no século XVI, especificamente em 1540, que ele foi realmente obtido pela primeira vez. Quem fez foi o botânico alemão Valerius Cordus, quando tratou o álcool (chamado então de spiritus vigni) com ácido sulfúrico (dulce vitrioli).
Em 1730, descobriu-se que essa solução pode ter sido preparada por Johann Joachim Becher, um renomado alquimista alemão que também foi um dos precursores da química moderna. Segundo alguns estudiosos, os estudos de Becher foram esquecidos durante muitos anos.

Nos primeiros anos de estudo, o nome éter também designava os “ésteres”. Mais tarde, com o desenvolvimento de pesquisas aprofundadas, estes passaram a ser chamados de éteres-sais. O termo “éteres-óxidos” passou a ser usado para designar os éteres propriamente ditos. Já o termo atual “éster” para os éteres-sais partiu de Christian Gottlob Gmelin, também alemão, que propôs a diferenciação.

Os estudos iniciais feitos com éter utilizavam o aquecimento do álcool etílico com ácido sulfúrico concentrado para obtê-lo. Por causa disso é que passou a ser chamado de éter sulfúrico. Depois disso, o químico inglês Alexander William Williamson realizou outras experiências de sintetização. Ele conseguiu utilizar a reação de etóxidos no processo, sintetizando os éteres com haletos de alquila. Esse novo método ficou conhecido como Síntese de Williamson.

Como mencionado anteriormente, o éter basicamente servia para fins médicos nos primeiros anos após o descobrimento. Os cientistas perceberam que, utilizando-o como anestésico de inalação para o paciente, a cirurgia apresentava um bom grau de sucesso. Isso porque os vapores que saíam dele deixavam os músculos das pessoas mais relaxados. A pressão arterial, a pulsação e a respiração também mudavam.

Durante a metade do século XIX, o efeito anestésico também foi útil na odontologia. Dentistas, quando precisavam fazer cirurgias de grande porte, apelavam para o éter. Um caso famoso foi de John Collins, que tinha um paciente com um tumor na boca. Para a extração, ele obteve o benefício do etoxietano.

Se o uso do éter etílico mudou com o passar dos anos, não mudou a sua forma de obtenção. Até hoje ela é feita por meio de álcool etílico e do ácido sulfúrico, até mesmo pela indústria. Atualmente, o processo utiliza a passagem de vapor de álcool sobre alumina.