Mosaico


O mosaico é um tipo de arte decorativa antiga, que consiste na união de diversas peças de diferentes cores para a formação de uma nova imagem. Ele existe há milhares de anos e é utilizado até hoje, feito com os mais distintos materiais, desde pedaços de vidro e ladrilhos até papel ou plástico.

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História

A palavra mosaico é de origem grega e tem relação com musas, mas essa técnica – também chamada de Arte Musiva – remete à Antiguidade, por volta de 3.000 a.C., possivelmente entre os mesopotâmios. Entretanto, não há consenso sobre seu surgimento de fato, visto que maias e astecas também utilizam da Arte Musiva em seus respectivos ambientes.

A obra mais antiga já encontrada é o Estandarte de Ur, que pode datar até de 3.500 a.C. Ele foi encontrado na Mesopotâmia e é composto de painéis retangulares, feitos de arenito avermelhado e lápis-lazúli, medindo 55cm. Em outras regiões, onde viviam os egípcios, gregos, persas, romanos e bizantinos, também foram descobertos mosaicos antigos, geralmente para adornar igrejas e sarcófagos.

Na Grécia e em Roma, a técnica foi utilizada principalmente em pisos, o que a transformou em uma opção artística para a arquitetura. Em Pompeia muitos artistas surgiram, popularizando a arte não só para a elite, mas também para a população geral.

Mais tarde, no período paleocristão, as igrejas bizantinas, especificamente, viraram grandes exemplos. Seu estilo chegou a ser copiado por muitas outras civilizações posteriores, já que foi neste período da história que a Arte Musiva mais foi aplicada. As obras eram monumentais e simétricas, conquistando a atenção tanto das pessoas de sua época quanto de historiadores no futuro.

A técnica foi espalhada de tal forma que não se ateve apenas ao mundo cristão; no Islamismo, ela também passou a ser utilizada em mesquitas e outros edifícios. Aos poucos, alguns mosaicos passaram a combinar elementos ocidentais e orientais, criando um novo tipo de arte, mais intelectual e abstrata.

Entre a Antiguidade e a arte bizantina (por volta do ano 600) os principais temas retratados, em especial nas regiões cristãs, eram cenas sagradas, de guerra, mitológicas e até mesmo cotidianas, além de paisagens. Os mosaicos costumavam ser produzidos por grupos de pessoas – e não apenas por um único artista.

Conforme a modernidade se aproximou, o mosaico foi caindo em desuso, sendo praticamente abandonado no século XIX. Muitas novas técnicas de pintura e escultura foram surgindo, conquistando a atenção dos artistas plásticos e do público e colocando a Arte Musiva como “segundo plano”, ao lado de práticas como o artesanato, a cerâmica ou a tapeçaria.

Entretanto, passada a modernidade, alguns artistas contemporâneos passaram a resgatar esta modalidade artística, especialmente no México, no Peru e até no Brasil. Os temas atuais variam entre os figurativos e os abstratos, e se harmonizam com o seu maior uso atual: a arquitetura. Não só ela fez sucesso no passado, como também é o palco das principais expressões da Arte Musiva hoje em dia, inclusive na decoração de ambientes.

Exemplos clássicos são a calçada de Copacabana, o Teatro Municipal e o Museu Nacional de Belas Artes, todos no Rio de Janeiro. Ainda assim, mosaicos estão presentes em igrejas mais recentes, no artesanato e em muitos outros museus, palácios e avenidas contemporâneas, no Brasil e mundo afora.

Para conhecer algumas das peças antigas, é preciso visitar locais como a Basílica de São Pedro, em Roma; a Basílica Ortodoxa de Monreale, na Sicília; o Mosteiro de Dafne, em Atenas; a Igreja de Santa Sofia, em Kiev; a Igreja de São Marcos, em Veneza; e outros locais nessas regiões.

Como é feito o mosaico

A Arte Musiva pode ser construída a partir de muitos materiais, mas é mais comum que sejam utilizados pequenos pedaços de pedras. As pedras podem ser granito, mármore ou outro tipo, e eles podem ser fixados em qualquer tipo de superfície. Para aprimorar a decoração, os fragmentos costumam ser moldados com pedras semipreciosas, pastilhas de vidro ou outros materiais que ofereçam o tipo de expressão que o artista estiver buscando.

Como a técnica não é fechada, os artistas também podem utilizar materiais como papel, plástico, pastilhas de resina, couro, marfim, cerâmica, porcelana, miçangas, grãos, conchas, ladrilhos, azulejos e mais. Cada material pode necessitar de uma produção diferente, tanto para a produção das lascas quanto para o acabamento. Porcelana e azulejo, por exemplo, além de serem cortados com alicates especiais, devem ser lixados ao final da construção do mural para homogeneizar. Já a resina é facilmente cortada pode ser cortada com tesoura e fixada com cola comum, e é muito utilizada na decoração interna de banheiros.

Na Antiguidade era mais provável que houvessem peças construídas dessa forma; os fragmentos, por sua vez, eram colados com um tipo de resina vegetal. Atualmente, os fragmentos utilizados são mais provavelmente fixados sobre argamassa (cimento), e o acabamento é feito com rejunte.