Narração Na Redação


Narrar é discorrer sobre fatos. É contar de forma dinâmica. Nela predominam os verbos, logo, a ação é o ponto principal da narrativa. Atente para os elementos narrativos: personagem, tempof espaço, narrador, enredo, clímax e desfecho.

Narração Na Redação

A narrativa deve tentar elucidar os acontecimentos, respondendo às seguintes perguntas essenciais:
O QUÊ? QUEM ? COMO? ONDE? QUANDO? POR QUÊ?
Observe como se aplicam no texto de Manuel Bandeira esses elementos:

a)
Personagem: quem participa dos acontecimentos.
Estrutura física e psicológica.
b)
Tempo: quando ocorrem os acontecimentos. O
tempo dividese em cronológico e psicológico.
c)
Espaço: onde e em quais circunstâncias
acontecem as ações. Caracterizase através do
espaço físico e ambiental.
d)
Narrador: quem conta a história 1a pessoa “Eu”
(participante); 3a pessoa “Ele” (observador,
e) f)
onisciente).
Enredo: desenrolar, de forma organizada, da
história.
Clímax: ponto máximo da narrativa Auge
alcançado após a preparação, criado pelas
expectativas. Trabalhe o “conflito”
Desfecho: final da narrativa.
g)
TIPOS DE DISCURSO
Discurso, em narração, são as falas das personagens. Existem três maneiras de o narrador transcrever o que as personagens dizem, estudaremos duas delas.
Discurso Direto
O discurso direto ocorre quando o narrador reproduz exatamente o que a personagem falou.
MariaRegalada recebeuas com uma boa risada. Que milagre de Santa Engrácia! que fortuna! que alegrão! O que a traz por aqui? Isto é grande novidade!
(Manuel António de Almeida)
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Esse tipo de discurso apresenta algumas características:
verbos dicendi (= de dizer) têm a função de indicar
o interlocutor que está com a palavra: dizer, afirmar, declarar,
indagar, interrogar, retrucar, replicar, negar, objetar, gritar,
solicitar, mandar, etc.
Que tendes, criatura? que tendes? Exclamou […]
É novidade, sim, respondeu D. Maria porém triste
novidade.
(Manuel António de Almeida)
Observações:
1) Há outros verbos muitos usados também nas
narrativas, não classificados como dicendi: suspirar,
gemer, lamentar(se), explodir,etc.
2) Há diálogos em que o narrador omite, os verbos
dicendi. Isso ocorre com frequência nas falas curtas
entre dois locutores.
pontuação: não há uma uniformização rígida quanto
aos usos dos sinais de pontuação de discurso direto. O
conhecimento de algumas normas esclarece possíveis dúvidas:
a) o travessão deve preceder a fala inicial, em vez de
aspas:
— Você adivinhou meus pensamentos.
b) o travessão deve ser usado antes da oração do
verbo dicendi. Se a fala da personagem continuar,
no mesmo parágrafo, o travessão se repete após
a oração do verbo dicendi.
Vou morrer — ela gemia — tenho a obrigação, de soltar tudo, não quero levar esse remorso …
c) quando a oração do verbo dicendi precede toda a
fala, deve vir seguida de dois pontos.
Na saída, depois de ter pago a conta, ele me abraçou perguntando:
— Como são as mulheres paulistas?
Observação:
As aspas só devem ser usadas nas falas isoladas (ern discurso direto) que aparecem dentro de parágrafos em discurso indireto:
Saiu bem tarde do estúdio. Estava exausto, mas feliz. “O filme ficou lindo!” Repetiu a frase ainda mais duas vezes na rua deserta.
Discurso Indireto
O discurso indireto ocorre quando o narrador reproduz com suas palavras a fala das personagens.
Era o jantar, em Botafogo. Só quatro pessoas […]
D. Perpétua aprovou os sentimentos do confeiteiro. Citou, a propósito, o tinteiro do Evaristo. […]
Natividade buscou desviar a conversação para o baile de véspera. Tinham já falado dele […]. Entretanto, o tinteiro ainda ficou algum tempo […]. Prometeu mostrálo ao conselheiro …
Observase aí que o narrador vai contando o que as personagens dizem, sem reproduzirlhes diretamente as falas.

Frases, sentenças máximas e provérbios
Tendência muito comum em algumas provas de vestibulares, os provérbios são frases que condensam a ciência ou o bom senso do povo (folclore = saber do povo). Nasceram anonimamente, fruto da experiência de todos os dias. Há provérbios para todas as situações de vida, há até os que se contradizem, mas que são válidos em ocasiões diferentes. Assim “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, e “Roma não se fez em um dia”.
Além dos provérbios, de origem popular, folclórica, existem outros tipos de frases de conteúdo riquíssimo, filosófico, moral, que foram criadas desde sábios, educadores, cientistas até pessoas mais comuns. E que igualmente se encontram num livro científico ou no párachoques de um caminhão. Caracterizamse pela concisão e por conter com muita densidade um pensamento profundo. Para entendêlas e interpretálas precisamos refletir, depois, projetando seus ensinamentos ou suas verdades na vida, tentaremos descobrir exemplos e fatos que esclareçam e justifiquem seus conceitos.
Alguns procedimentos poderão ajudar:
a) Certifiquese de todo o vocabulário da frase,
principalmente das palavraschaves;
b) Grifeas;
c) Tente refletir sobre as ideias do provérbio ou
pensamento, associandoas com fatos históricos ou
cotidianos;
d) Utilizese de perguntas reflexivas para ajudar a
compreender e, posteriormente, desenvolver o
texto.
EXEMPLO: “Sede, de preferência, pedreiro, se é para isso que tendes habilidade”.
ENTENDIMENTO: O melhor é sempre seguir uma profissão por vocação, não importando se o trabalho ou carreira é humilde.

Revisar nossos próprios textos
Hélio Consolara
Escrevo há algum tempo, tenho 31 anos de ensino da língua portuguesa, mas não dispenso a revisão de meus textos por uma outra pessoa, mesmo que tenha menos experiência.
Minha editora, aqui na Folha, sabe disso, apesar de eu ser o consultor de língua portuguesa do jornal, não dispenso revisão, leitura atenta de meus textos. Não sou infalível, meu substrato linguístico (italiano da Água Limpa) me trai e meus olhos são cooptados por meu cérebro.
Recomendo isso a meus alunos, quando devem construir o texto em sala de aula, que o colega do lado faça a revisão. Quando o texto é feito em casa, como tarefa, recomendolhes que peça a alguém que revise sua primeira versão (o rascunho): pai, mãe, irmão ou irmã. Ou, então, faça a revisão noutro dia, deixe o texto dormindo na gaveta, tempo suficiente para haver um distanciamento crítico.
Nos exames vestibulares, caso redação e questões sejam feitos num só período, escreva primeiro o rascunho, responda às perguntas e depois passe a limpo seu texto, fazendo antes uma revisão.
Isso traz duas vantagens: o rascunho foi feito com o cérebro descansado e ganhou um pequeno distanciamento crítico.

DE T! Redação a partir de coletânea de textos
Algumas universidades têm como proposta de redação Í a compreensão e interpretação do tema a partir de uma coletânea, que nada mais é do que um conjunto de textos, com as mais variadas tipologias, contudo, contendo o mesmo tema.
Vamos analisar uma coletânea a seguir que trabalha um tema bastante polémico:” Limitação de cotas nas universidades brasileiras”, para tanto seguiremos o roteiro abaixo:

01. Ler todos os fragmentos da coletânea (leitura linear), observando a natureza tipológica de cada um deles:
Informativo
dissertativo
poético
técnico
cartoon
narrativo, etc.
2. Identificar o tema.
3. Resumir o sentido básico de cada um dos textos da
coletânea.
4. Selecionar os elementos da coletânea.

5. Revisar se a tese escolhida vem de encontro com o que
é pedido no comando.
6. Produzir mapeamento de ideias.
7. Desenvolver o rascunho.
8. Releitura e autocorreção.
9. Versão definitiva.
Observação:
O NÃO USO DA COLETÂNEA ZERA A REDAÇÃO.
a) b) c) d) e) f)

Quando os exames vestibulares pedem a construção \ de um texto em prosa, a banca examinadora quer um texto constituído por parágrafos, que não seja composto perversos. Não se apavore.
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A introdução, na qual é exposta a ideia central. Corresponde ao primeiro parágrafo do texto.
O desenvolvimento, composto normalmente de um ou dois parágrafos, podendo esse número variar. Nessa parte, o autor apresenta argumentos, que servem para fundamentar a ideia central.
A conclusão, que consiste numa síntese das ideias desenvolvidas anteriormente. Corresponde ao último parágrafo.
Ao produzir dissertações, lembrese de que a linguagem desse tipo de texto caracterizase por ser clara e objetiva. Além disso, costumase seguir a norma culta. Procure evitar o uso de expressões coloquiais e gírias, a não ser que haja uma razão que justifique seu emprego.
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Narrar é contar uma história (real ou fictícia). O fato narrado apresenta uma sequência de ações envolvendo personagens no tempo e no espaço.
São exemplos de narrativas a novela, o romance, o conto, ou uma crónica; uma notícia de jornal, uma piada, um poema, uma letra de música, uma história em quadrinhos, desde que apresentam uma sucessão de acontecimentos, de fatos.
Professoras Elisabeth de M. Massaranduba / Thaís Montenegro Chinellato
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a) Personagem: quem participa dos acontecimentos.
Estrutura física e psicológica.
b) Tempo: quando ocorrem os acontecimentos. O
tempo dividese em cronológico e psicológico.
c) Espaço: onde e em quais circunstâncias
acontecem as ações. Caracterizase através do
espaço físico e ambiental.
d) Narrador: quem conta a história 1a pessoa “Eu”
(participante); 3a pessoa “Ele” (observador,
onisciente).
e) Enredo: desenrolar, de forma organizada, da
história.
f) Clímax: ponto máximo da narrativa Auge
alcançado após a preparação, criado pelas
expectativas. Trabalhe o “conflito”
g) Desfecho: final da narrativa.