Trabalho livre e Estratificação Social para Marx e Engels


O cidadão na passagem do Feudalismo ao Capitalismo

Segundo o economista inglês e professor da Universidade de Cambridge Maurice Dobb (1900-1976), o feudalismo se caracterizou pela conjunção entre servidão e exploração do produtor direto (os camponeses) em uma relação de dependência com seu senhor .

O cidadão livre, sobre o qual falamos, rompeu com a “obrigação” devida ao senhor feudal (a talha, a corveia, as banalidades e toda uma série de tributos), conquistou direitos e mobilidade social, anunciando lentamente o fim do feudalismo. O capitalismo se beneficiou dessas mudanças e foi-se impondo com pequenas variações em cada país europeu. Em termos gerais, entre os séculos XVII e XIX, o indivíduo passou a ser livre não apenas em termos econômicos, mas igualmente em termos políticos e sociais, embora o conceito de liberdade apresentasse significados diferentes em cada país ou região. Mas, sem a existência desse cidadão que se movimentou e vendeu livremente sua força de trabalho, não seria possível pensar na autoexpansão do capitalismo (ver Leitura sociológica a seguir), que se sustentou graças à capacidade de extrair cada vez mais lucro dos processos produtivos industriais.

Trabalho livre e Estratificação Social

O CIDADÃO E OS ESTRATOS SOCIAIS SEGUNDO MARX

A velocidade com que o sistema capitalista se expandiu nos mais diversos países europeus (tendo alcançado hoje quase todo o mundo) foi fruto e consequência de características que ultrapassaram os limites da economia ou da busca do lucro. Fatores políticos e culturais e situações históricas particulares também explicam a grande diferença que percebemos hoje nos direitos e deveres dos cidadãos. O mercado livre é, porém, o denominador comum que sustenta as relações entre os indivíduos, colocando-os sempre diante do dilema entre a liberdade civil e a sobrevivência. São as diferentes opções que os indivíduos tomaram ou foram forçados a tomar – as profissões escolhidas e/ou os lugares para onde (cidades ou países) migraram – que explicam a estratificação social (ver Conceito sociológico no final da unidade).

Os clássicos da Sociologia trabalhados aqui – Karl Marx e Max Weber procuraram explicar não só como os indivíduos passaram a se relacionar com o mercado – com a necessidade de trabalhar -, mas também como foram classificados em termos de sua posição na estrutura social.

Karl Marx (Alemanha, 1808 – Inglaterra, 1883)

Marx mostrou que o lento processo de formação de classes na sociedade capitalista libertava o indivíduo das amarras da sociedade feudal. Mas, ao mesmo tempo que falava da libertação da “idiotia da vida rural” (que ocorria quando os camponeses migravam para as cidades), falava também das péssimas condições de trabalho nas cidades (longas jornadas em espaços insalubres sem descanso
semanal e outros direitos trabalhistas).

Friedrich Engels (Alemanha, 1821 – Inglaterra, 1898), parceiro intelectual de Marx, descreveu com rea­lismo as moradias modestas que os operários ocupavam nos arredores poluídos de Manchester, uma das principais cidades industriais na Inglaterra de então (ver a Leitura sociológica ao lado e ainda o quadro de uma paisagem de Londres em 1872 do pintor e ilustrador francês Gustave Doré, 1832-1883).

CONCEITO SOCIOLÓGICO

Anomia: ausência de organização natural ou jurídico-legal. Essa definição traduz a realidade de conflito e desor­ganização que Durkheim percebia na realidade francesa de sua época.

Ação social: segundo Weber, a Sociologia se justificava pela necessidade de compreender a ação dos indivíduos em sociedade. Daí por que se fala em uma “sociologia compreensiva”.

Estratificação social: de maneira geral, esse termo indica o processo pelo qual indivíduos e grupos ocupam po­sições e espaços sociais diferenciados e hierarquizados dentro da sociedade. A tradição marxista fala em classes sociais enquanto a tradição weberiana prefere o termo “estrato”.

Luta de classes: para Marx, tratava-se da contradição fundamental entre os que vendem e os que compram força de trabalho na sociedade capitalista. Contudo, a luta de classes teria ocorrido em toda a história da humanidade. Para Weber, significava apenas uma oposição que ocorreria entre compradores e vendedores de bens e trabalho em uma situação específica de mercado. Por isso, não haveria uma estrutura de classes geral.