Resumo sobre Jânio Quadros


Resumo sobre Jânio Quadros: Excêntrico e moralizador, Jânio Quadros foi um dos presidentes mais bem votados do país. Arrastou multidões com discursos sobre moralidade administrativa e promessas para acabar com os problemas financeiros do país. Sua maior característica, apontada pelos estudiosos, era o populismo. Para se aproximar das grandes massas, Jânio adotava hábitos um tanto quanto estranhos.

Nascido em Campo Grande no dia 25 de janeiro de 1917, no estado do Mato Grosso do Sul, Jânio da Silva Quadros era filho de uma família paranaense. Os primeiros estudos do rapaz foram feitos no Paraná. Nos anos 30, ele mudou-se para São Paulo e ingressou no curso de Direito da Universidade de São Paulo. Antes de introduzir-se na vida pública, exerceu a advocacia. Somente em 1947 viria a se tornar vereador.

Jânio Quadros

Durante a campanha eleitoral para presidente, Jânio costumava aparecer nos botequins comendo sanduíches. Ele também carregava sanduíches de mortadela nos bolsos das calças durante os comícios. Lá pelas tantas, arrancava o pão do bolso e comia. Jânio costumava sujar o paletó com talco. Assim, tinha-se a impressão de que ele possuía caspa. Também gostava de usar roupas velhas e cabelos longos para parecer, o máximo que podia, um homem do povo.

Resumo sobre Jânio Quadros: O que viria a se destacar durante os comícios que Jânio realizava era a presença de uma vassoura, que se tornou um símbolo de combate à corrupção. Com a campanha “Varre, Varre, Vassourinha”, Jânio conquistou o país, principalmente a classe média. Com 48% dos votos, Jânio derrotou o candidato que recebia o apoio do então ex-presidente Juscelino Kubtischek, o general Lott.

Jânio Quadros, o presidente das contradições

No dia 31 de janeiro de 1961, Jânio Quadros tomou posse do cargo de presidente do Brasil. Pela primeira vez na história, um candidato apoiado pela União Democrática Nacional (UDN) chegava ao cargo político mais alto. A carreira política do presidente, contudo, não provinha de longas datas. Jânio fora vereador, prefeito, governador e deputado federal por São Paulo em um período de menos de dez anos.

O apoio popular dava a impressão que o governo de Jânio transcorreria sem maiores problemas. Ele teria apenas o desafio de lidar com os empecilhos deixados pelo seu antecessor, Juscelino Kubtischek. Uma inflação de 25% ao ano assombrava a população, sem contar a estrondosa dívida externa, decorrente da política desenvolvimentista de JK. As medidas realizadas por Jânio, no entanto, ofertaram uma história diferente ao país.

Palavras sucintas e até elogios marcaram o primeiro discurso oficial do novo presidente. As contradições, contudo, ficariam evidentes em seguida. No mesmo dia, fez um outro discurso em que atacava os problemas deixados pela administração JK. Desde então, o presidente seria considerado um homem imprevisível e que buscava sempre o amplo apoio populacional.

Logo no início do governo, ao invés de adotar ações que combatessem as mazelas que atingiam o país, Jânio ia se destacar como um moralista. Entre as medidas polêmicas adotadas, estavam a abolição do uso de biquínis nas praias e desfiles de beleza, a proibição das brigas de galo e do lança-perfume, além de restringir as corridas de cavalo apenas aos finais de semana. Também fez sermão contra o hipnotismo e estabeleceu que, nas repartições públicas, o traje em estilo safári fosse adotado. Depois é que o presidente foi se preocupar com os gastos públicos do país. Para isso, restringiu regalias do funcionalismo público e de militares.

Resumo sobre Jânio Quadros: Vivia-se o período da Guerra Fria no mundo. Jânio, porém, não se importou com a bipolaridade que afetava as nações e manteve um posicionamento político independente. Não quis comparecer a um evento marcado com o na época presidente dos Estados Unidos, John Kennedy. Em contrapartida, estreitou relações com a União Soviética e enviou o vice-presidente, João Goulart, para uma missão de diplomacia na China. O objetivo era estipular acordos comerciais com o país.

Eleito com amplo apoio populacional, Jânio Quadros permaneceu apenas sete meses no governo

A contradição estaria presente durante os sete meses de governo Jânio Quadros. Embora quisesse se identificar com as massas, começou por apoiar políticos que se identificavam com a elite do Brasil. Em resumo sobre Jânio Quadros, ele era uma incógnita. Em agosto de 1961, acolheu o líder da Revolução Socialista Cubana, Ernesto “Che Guevara”, e o condecorou com a Medalha Cruzeiro do Sul.

Jânio ainda oprimiu os movimentos estudantis e camponeses e quis comandar os sindicatos. No cenário econômico, obedeceu à risca as orientações do Fundo Monetário Internacional (FMI). Restringiu créditos, congelou salários e desvalorizou em 100% o Cruzeiro, então moeda nacional. Diminuiu os subsídios às importações de trigo e gasolina. Com isso, os preços dos transportes e do pãozinho subiram. As medidas, contudo, não foram capazes de conter a alta inflação.

A população estava descontente e decepcionada com o presidente com o qual haviam se identificado. Jânio perdeu apoios políticos, até da UDN. O jornalista Carlos Lacerda também desistiu de apoiá-lo. Por isso, Lacerda foi à tevê no dia 24 de agosto de 1961 a fim de alertar a população para o golpe que o presidente arquitetava. A surpresa foi grande quando, no outro dia, Jânio renunciava à presidência. Na carta que enviou ao Congresso Nacional, ele dizia que “forças terríveis” fizeram com agisse dessa maneira.

A teoria aceita pelos historiadores era que, com esse gesto, Jânio arquitetava um “espetáculo de renúncia”. Ele imaginava que receberia o apoio populacional e que o pedido de renúncia não seria aceito pelo Congresso, que preocupava-se com a posse de João Goulart, o vice tido como esquerdista. Mas o Congresso acatou a saída e Jânio caiu.