Arquivos da categoria: História

O campo de estudo da história é de extrema importância para nós. Estude mais online, desde os tempos da pré-história até a história moderna e contemporânea aqui no Resumo Escolar

Os imigrantes na Europa

A partir do fim da II Guerra Mundial, muitas nações europeias direcionaram esforços para se reconstruírem e, por conseguinte, chegaram em posições de destaque no ramo industrial. Nesse cenário, é possível citar a França e a Alemanha como casos países que se recuperaram bem após o término do conflito. Devido às oportunidades geradas pelo crescimento econômico, tais áreas passaram a atrair um grande número de trabalhadores, em especial, imigrantes.

Os imigrantes na Europa

Os diferentes grupos de imigrantes na Europa

Na fase inicial, a maioria das pessoas era oriunda de outras regiões do próprio continente europeu, como Portugal, Grécia, Espanha e Itália. Esses imigrantes dirigiam-se aos centros industriais mais desenvolvidos em busca de uma inserção no mercado de trabalho. A princípio, as vagas abertas nas fábricas estavam destinadas a funcionários com pouca qualificação, que por isso ganhavam salários reduzidos. Com frequência, não era estabelecido nenhum vínculo empregatício, uma vez que as atividades tinham caráter sazonal. Não havia, portanto, garantias trabalhistas para esses indivíduos.

Mais adiante, observou-se uma mudança na origem dos imigrantes na Europa. Sobretudo durante as décadas 1970 e 1980, a parcela mais significativa era originária das ex-colônias.

Inclusive os países menos desenvolvidos, como, por exemplo, do leste europeu, passaram a assimilar os imigrantes. O processo descrito foi motivado, entre outras razões, pela crescente desigualdades socioeconômicas entre as nações centrais e as periféricas. Dado o contexto, locais que sempre tiveram sua população partindo para outros pontos do mundo, passaram a absorver imigrantes de antigas colônias, como da América Latina e do já mencionado leste da Europa.

Atualmente, nota-se um forte movimento que se opõe à entrada e permanecia de emigrantes, em particular nos países de grande atração. Ainda que não sejam proeminentes, em Portugal há grupos xenófobos. Mesmo assim, as condições que levam à imigração persistem e o intenso fluxo de estrangeiros continua. Um dos principais problemas causados por essa realidade é a saturação do mercado de trabalho, que tem como reflexo ações radicais e até mesmo violentas contra os imigrantes. Na França, ocorreram uma série de episódios de ataques a pessoas de nacionalidades distintas que ilustram bem essa aversão.

Quem aderiu à perspectiva xenófoba costuma culpar os imigrantes pelas taxas de desemprego e precarização dos serviços, ignorando que o fator foi provocado por suas próprias lideranças. Isso porque a chegada dos funcionários de fora visava a realização de tarefa que os nativos não queriam fazer. O fenômeno tão debatido hoje é reflexo das medidas imperialistas do passado. Durante séculos as metrópoles tinham como único intuito explorar ao máximo os recursos das colônias, sem nunca considerar alternativas para que elas se desenvolvessem e se tornam mais autônomas.

Aqui, cabe destacar que os grupos xenófobos tiveram uma ascensão gradual, especialmente a partir da década de 80. Eles são um resultado direto da instabilidade econômica que marcou esse período, bem como do subsequente desemprego em escala internacional. De acordo com os representantes e adeptos dessa mentalidade, a rejeição aos imigrantes não é decorrente de um preconceito quanto às origens, e sim pela perda da identidade cultural do país. Outro argumento seria a injusta competição entre os nativos e os estrangeiros, tendo em vista que os últimos se submetem a pagamento inferior e a piores condições de trabalho. Tem-se então uma deflação que atinge a todos. Em adição, a chegada da religião muçulmana na Europa é tida como um risco pelos anti-imigração, particularmente depois dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.

Entende-se então que:

• O movimento de migração acentuou-se após a 2ª Guerra Mundial;
• Os imigrantes na Europa vieram sobretudo dos países periféricos;
• Mesmo países menos desenvolvidos do continente europeu passaram a receber estrangeiros;

Os movimentos anti-imigração

Por causa da pressão de coletivos xenofóbicos, o governo da França decidiu implementar ações que restringem a chegada de imigrantes. Nessa conjuntura, os africanos e muçulmanos, originários de ex-colônias francesas, são os mais prejudicados. No entanto, essa prática não é exclusiva da França, e outras nações mais desenvolvidas na Europa implementaram regras extremamente rigorosas para coibir a vinda de imigrantes.

Recentemente, os imigrantes que têm maiores dificuldades e sofrem mais descriminação são os provenientes do Leste Europeu. A rejeição fica clara pela imposição de vistos pelos países da chamada Europa Ocidental para esses estrangeiros. Como a burocracia é muito grande, conseguir o documento torna-se um objetivo inalcançável para a maioria.

Essa espécie de descriminação por uma parcela dos europeus, majoritariamente em nações mais desenvolvidas, tem propiciado a proliferação de grupos classificados como “neonazista”. Quem segue tal ideologia chega a atuar de maneira bastante extrema, inclusive cometendo atentados contra os imigrantes.

• Os imigrantes na Europa aceitam piores condições de trabalho e salários menores;
• Grupos xenófobos culpam os imigrantes pelas taxas de desemprego e temem a perda de uma identidade nacional.

Em suma, é possível afirmar que a situação dos imigrantes na Europa é muito complexa e a busca por uma resolução é árdua. Para os estudiosos no assunto, a crise da imigração deve-se ao longo tempo de exploração das colônias pelas metrópoles. Ou seja, é como se os indivíduos dessas regiões menos desenvolvidas estivessem cobrando a conta por tal período. Segundo vários especialistas, o tópico não terá uma conclusão enquanto existir tanta desigualdade entre as nações periféricas e centrais, pois as pessoas em desvantagem socioeconômica vão sempre tentar migrar para garantir a sua sobrevivência.

Academia Francesa

Fundada em 1634 pelo Cardeal Richelieu, a Academia Francesa foi inspiração para a formação da brasileira. A semelhança não se deu apenas na formação, mas na estrutura sobre a quantidade de membros e até mesmo o uso dos fardões. Criada inicialmente para estabelecer padrões literários da língua francesa, desde sua fundação permitiu a inclusão de escritores de outras nacionalidades desde que usassem a língua francesa, o que não ocorre com a academia brasileira.

Academia Francesa

Ainda hoje a Academia Francesa é uma das organizações mais antigas e tradicionais do país e tem importância fundamental para a literatura mundial. Denominados “imortais”, seus membros são selecionados de acordo com sua relevância e influência sobre a língua francesa. Cada membro tem direito a uma das quarenta cadeiras, de onde só sai após sua morte.

Origem da academia francesa

O cardeal Richelieu, também Duque de Richelieu e de Fronsac, foi uma das figuras históricas mais importantes da França e que foi peça fundamental na liderança do país na Europa do século XVI e XVII. Descendente de uma família nobre de Poitou, se tornou Bispo e Luçon em 1607, orador do clero em 1614 e se tornou cardeal em 1622. Como conselheiro do Rei Luis VIII e em seguida seu Primeiro-Ministro, Richelieu foi determinante para o combate contra os protestantes e ingleses.

Para proteger os limites franceses, também combateu os católicos Habsburgos, que governavam a Espanha e a Áustria, se aliando aos protestantes alemães para sair vitorioso. Sua influência sobre o rei perdurou por toda vida, dando continuidade a política absolutista, valorização das finanças, exercito e legislação.

Richelieu era também um grande incentivador das tradições francesas e viu num grupo de escritores que se reuniam para falar de literatura, uma ótima oportunidade de estruturar e criar regras para a língua francesa. Na época de Luis XIII a França era considerada a capital cultural do mundo, recebendo grande efervescência intelectual. O linguajar exuberante e rebuscado era usado pela alta sociedade e nobreza, chamados de preciosos.

Intelectuais como Alfred Malherbe, Vicente Voitiure, Balzac, Racan entre outros, se reuniam em casas nobres como da marquesa de Rambuillet para trocar ideias, informações e, principalmente, demonstrar sua inteligência para se destacar. Enquanto isso, outro grupo de eruditos se reunia na casa do secretário do Rei Luis XIII, Valentin Conrart. Dentre eles estava o braço direito do Cardeal Richelieu, que o manteve a par dos acontecimentos naquele local.

Para expandir seu poder, Richelieu viu nessas reuniões uma ótima oportunidade de se aliar à elite intelectual francesa. Dessa forma seria muito mais fácil mantê-la aliada ao Estado. Seu foco era valorizar a clássica arte estética em detrimento ao barroco, impedindo seu avanço sobre a França. Logo convidou os intelectuais desse grupo a criarem reuniões em instituições oficiais, para que tivessem proteção e incentivo do governo. No início eram nove eruditos credenciados, que foram para 29 e terminaram com 40.

Formação e importância da Academia Francesa

O epíteto de “os imortais” foi definido a partir de uma das principais regras desse novo grupo, no qual um membro só sairia após sua morte. Os próprios acadêmicos elegiam os novos integrantes para ocupar as cadeiras vagas, sempre seguindo os principais parâmetros da nova Academia.

Mas seu principal intuito era cultivar a língua francesa, inclusive dotando regras ao idioma para mantê-la o mais pura possível e fluente, capaz de emoldurar não só as artes como também a ciência. O anfitrião da casa, Valentin Conrart, que iniciou o grupo, foi o primeiro secretário perpétuo da Academia e direcionou o grupo a sua primeira ação oficial ao criar o primeiro Dicionário da Língua Francesa.

O nome de Academia Francesa foi inspirada em “Akademos”, localizada em Atenas e onde Platão ensinava filosofia. Foi uma forma de salientar a busca pelo tradicional, num nome que já havia sido utilizado para definir um grupo de artistas plásticos italianos.

A Academia Francesa foi oficialmente estabelecida em 22 de fevereiro de 1636, pelo Rei Luis XIII. Foi fechada durante a Revolução Francesa e só retornou durante o governo de Napoleão Bonaparte, mantendo até os dias de hoje a função de regulamentar o vocabulário e gramática da língua francesa.

Mesmo que não tenham a força da lei, suas decisões são geralmente consideradas e mantém a publicação do dicionário oficial do francês. Já foram produzidas nove edições de seu dicionário que serve como base para todas as escolas literárias do país. A valorização da língua é nítida na população, que tem dificuldade em inserir palavras inglesas em seu vocábulo cotidiano, sendo até mesmo criticada pelo radicalismo.

Os primeiros imortais, seguidos pelo número de suas cadeiras, foram Pierre Séguier, Valentin Conrart, Jacques de Serizay, Jean Desmarets de Saint-Soelin, Jean Ogier de Gombauld, François de Le Melel de Boisrobert, Jean Chapelain, Claude de Malleville, Nicolas Faret, Antoine Godeau, Phillippe Habert, Germain Habert, Claude-Gaspart Bachet de Méziriac, François Maynard, Guillaume Bautru, Jean Sirmond, François de Cauvigny de Colomby, Jean Baudoin, François de Porchères D´Arbaud, Paul Hay Du Chastelet, Marin de Le Roy de Gomberville, Antoine Gérard de Saint-Amant, Gullaume Collet, Jean Silhon, Claude de L´Estoille, Amable de Bourzeis, Abel Servien, Jean-Louis Guez de Balzac, Pierre Bardin, Honorat de Bueli, Pierre de Boissat, Claude Favret de Vaugelas, Vicent Voiture, Honorat de Porchères Laugier, Henri-Louis Habert de Montmort, Marin Cureau de la Chambre, Daniel Hay Du Chastelet de Chambon, Auger de Moléon de Granier, Louis Giry e Daniel de Prièzac.

O acadêmico pode ser expulso da academia caso demonstre impropriedade de sua conduta. Ao todo foram vinte intelectuais expulsos até hoje, por motivos políticos e criminais. O primeiro presidente da academia foi o Cardel Richelieu.

Conflito Árabe-Israelense

O conflito árabe-israelense por terras no Oriente Médio é milenar e faz parte da história desse povo por considerarem os mesmos espaços pertencentes a eles por direito, principalmente por questões religiosas. Com o passar dos anos outros motivos foram se unindo à religião, como fatores socioeconômicos, posicionamento estratégico, imposição cultural e influências externas de outros países com interesses na região.

Conflito Árabe-Israelense

A situação ficou ainda mais grave no final do século XIX, quando judeus e árabes reivindicaram os direitos sobre a Palestina, quase sempre de forma violenta envolvendo pelo menos cinco grandes guerras e uma infinidade de conflitos armados. Com a criação do Estado de Israel no final da Segunda Guerra Mundial, os conflitos árabe-israelenses passaram a ser cotidianos e de ordem mundial. Principalmente pela reivindicação do povo palestino por ter os mesmos direitos a uma terra só deles, que em grande parte é ocupada pelos judeus.

A Terra Prometida dos Judeus

Palestinos e Israelenses lutam pelos direitos da Palestina há milhares de anos e a região é descrita como sagrada nos principais livros religiosos do judaísmo, islã e até mesmo do cristianismo. No século I os romanos massacraram os judeus da Palestina, desmontaram rebeliões, destruíram seu Templo judaico em Jerusalém, assassinaram grande parte de seus praticantes e expulsaram o restante, fazendo com que o povo se espalhasse por várias regiões do mundo e alguns ficassem ainda em seu entorno.

Esse êxodo foi marcante para a cultura judaica e a história da humanidade, conhecida como diáspora e desde então os judeus passaram a sonhar em voltar para a “Terra Prometida” e a ter sua comunidade unida como antes. Foi nesse período que os romanos mudaram o nome de Terra de Israel para Palestina, como até hoje é também conhecida.

No século VII a Palestina foi tomada pelos muçulmanos árabes, que em pouco tempo proibiu a peregrinação de fieis judeus e cristãos, principalmente na cidade de Jerusalém, criando uma série de conflitos como o ocasionado pelas Cruzadas. As Cruzadas eram formadas por soldados voluntários cristãos, que buscavam expulsar os muçulmanos da região e abrir a fronteira para que os religiosos pudessem exercer sua fé. Como o exercito árabe era muito mais preparado, as Cruzadas não tiveram êxito em sua empreitada.

O Império Otomano só foi realmente derrotado ao fim da 1ª Guerra Mundial, quando a Palestina foi dominada pelos ingleses. A proposta era reconstruir a região e torná-la livre para que os judeus pudessem, finalmente, voltar a sua Terra Prometida. Em seguida os judeus começaram a comprar maciçamente terras na região e se iniciou uma grande migração. Houve até mesmo um acordo chamado Faiçai-Weizmann, que incentivava a cooperação entre árabes e judeus para que a Terra Santa pudesse ser uma nação de ambos. Muitos árabes não viram problemas em vender suas terras para os judeus e não se preocuparam com a sua expansão na região até aquele momento.

A ida dos judeus para Jerusalém foi chamada de Sionismo, como referência a ida para Colina de Sion, em Jerusalém. Segundo o Velho Testamento da Bíblia que faz parte do Torá, Deus deu a Terra prometida, que era chamada de Canaã e localizada em Israel, para os antigos povos judeus que eram então conhecidos como hebreus ou israelitas. Homens como Abraão, Moises, Davi e Salomão perpetuaram esses ensinamentos, que culminou com o próprio Jesus, que era judeu apesar de se colocar em conflito com o desenvolvimento da sua religião. Os judeus nunca perderam o foco em retornar à sua região e colocar em prática as designações do seu livro sagrado.

O movimento sionista tomou forma e força em 1897, criando as bases para que houvesse essa migração judaica após a guerra. Porém, essa questão foi apenas formatada de forma teórica, já que na prática os árabes permaneciam habitantes da Palestina e começaram a entrar em conflitos diretos com os novos assentados judeus.

Como as áreas não foram realmente delimitadas foram iniciados conflitos árabe-israelenses violentos, que só cresceram ao longo dos anos.

A influência da Segunda Guerra Mundial

Antes do início da Segunda Guerra Mundial, o nazismo foi ascendendo e criando raízes na Alemanha e em países ao seu entorno, iniciando uma perseguição a alguns povos como ciganos, gays, negros, mas especialmente aos judeus. Baseados em rasos fundamentos religiosos, o fanatismo em manter a humanidade mais pura, incluía o extermínio literal dos judeus.

Em paralelo, os países que rivalizavam ao nazismo ampliaram ainda mais seu apoio à criação do Estado Israelense, que se solidificou com o genocídio causado pela guerra ao povo judaico, e formou uma verdadeira ferida na humanidade. Diante do terror vivido, a recém-criada ONU (Organização das Nações Unidas) teve como primeira grande ação a divisão da região da Palestina entre judeus e árabes. Como os judeus tinham a maior parte do território, 56%, foi criado o Estado de Israel em 1948.

Os árabes não ficaram satisfeitos com a divisão e a alteração do nome. Dessa forma, a Jordânia, Síria, Iraque, Líbano e Egito se uniram formando a Liga Árabe para invadir Israel e tomar de volta a região. Chamada de Guerra da Independência, os israelenses foram vitoriosos e contaram com a ajuda militar e estratégica dos EUA e Inglaterra, ampliando também suas fronteiras e ocupando então, 75% da região.

Foi a primeira guerra iniciada após a criação do Estado de Israel e só o início de um longo e violento conflito árabe-israelense que não tem previsão de terminar. Logo após a Guerra da Independência, o Egito formou a chamada Faixa de Gaza, a Jordânia fundou a Cisjordânia e guerras de 1956, 1967, 1968, 1979, 1973 e 1983 mantiveram a rivalidade na mais alta potência e elevaram ainda mais o ódio entre as etnias e religiões. A Faixa de Gaza é considerada a região mais perigosa e violenta do mundo.

Revolução Cubana

A Guerra da Independência Cubana, que evoluiu para a Guerra Hispano-Americana, foi a última de outras três que tinham como objetivo libertar a nação da Espanha. Foram 30 anos de batalhas que resultaram em mais de 300 mil pessoas mortas. Cuba foi, portanto, uma das últimas nações americanas a se declarar livre dos colonizadores.

Revolução Cubana

Com o apoio bélico dos EUA, após sua independência com a Espanha Cuba selou um laço comercial e político com os americanos, que incluía a possibilidade de intervenção plena sobre a ilha. Dessa forma, Cuba saiu da colonização espanhola para ficar sob um domínio implícito dos americanos, que acabaram abrindo espaço para a Revolução Cubana. A guerra retirou a influência americana da ilha e instaurou o comunismo.

Período que antecede a Revolução Cubana

Ao se tornar um Estado independente, Cuba teve o comando de José Marti, um intelectual que tinha todo o apoio americano para estar no poder. Com estreitos laços políticos, Marti permitiu e assinou a Emenda Platt dando plenos poderes aos Estados Unidos, que poderiam intervir livremente nas posições políticas, culturais e econômicas da Nação.

Em pouco tempo Cuba se transformou no que se chama de “quintal” americano, trazendo grandes empresas americanas para a região, mas que tinham como foco a exploração do trabalho nativo, isenções econômicas e inclusão da cultura americana em detrimento da gerada pela população. Isso transformou Cuba num Estado de política frágil, dependente e que se submetia rigorosamente ao comando americano, causando ainda mais prejuízos e desconfortos do que a colonização espanhola.

Depois da declaração de independência espanhola, Cuba recebeu várias ocupações militares americanas em seu território, como forma de impor ainda mais a ideia de que a ilha devia obediência americana. Os Estados Unidos incluíram em seu território os 117 km² de Guantánamo, que fica ao sul da ilha; lá, construíram sua base naval e uma prisão que atualmente abriga terroristas e presos de guerra.

Fulgêncio Batista virou presidente pela primeira vez num golpe de estado chamado de “Revolta dos Sargentos”, que derrubou o ditador Gerardo Machado. E mesmo após sair do poder, se manteve no controle por trás dos outros presidentes que serviram apenas como fantoches sob sua influência.

Em 1940 Fulgêncio Batista foi eleito democraticamente pelos cubanos, com uma plataforma populista e apoio irrestrito americano. Apoiou os aliados na Segunda Guerra Mundial e abriu as indústrias de açúcar, turismo e cassinos aos americanos. Seu governo foi pontuado pelo rigor da violência e por uma corrupção sistêmica, que logo deixaram os cofres públicos vazios. Voltou a concorrer à presidência em 1952 e, diante do evidente fracasso, liderou um golpe militar e tomou novamente o poder.

Neste momento instalou uma ditadura com suspensão da Constituição que ele mesmo havia criado em 1940, instaurou a pena de morte, revogou as liberdades políticas, aumentou seu salário e ainda assim foi reconhecido pelos americanos como presidente de Cuba. Em seu governo as diferenças sociais ficaram ainda mais evidentes e graves, com latifundiários ainda mais ricos pela ligação com os americanos e a população ainda mais pobre com a exploração.

Enquanto Cuba ostentava luxuosos nightclubs, com cassinos e hotéis comandados pela máfia americana, a população era negligenciada em suas necessidades básicas e oprimida politicamente. Fulgêncio se defendia de todas as formas contra qualquer possibilidade de oposição ao seu governo, através de torturas e assassinatos.

A Revolução Cubana

Os primeiros indícios da revolta foram iniciados pelos estudantes, que começaram a se mobilizar. Com suas ideias revolucionárias chegaram até mesmo a atacar o palácio presidencial, mas os lideres foram mortos e os grupos dispersos. Em seguida outro grupo de estudantes, liderado por Fidel Castro, começou a se formar e a agir para atingir seus objetivos.

O início da Revolução Cubana se deu quando esse grupo de Fidel assalta o Quartel Moncada e Bayamo em Santiago, no ano de 1953, para roubar armas. Considerado um ataque suicida, o líder Fidel Castro e seu irmão foram condenados a 15 anos de prisão, mas foram libertados após dois anos de intensa pressão política em Fulgêncio Batista.

Fidel e Raul Castro foram exilados no México, de onde puderam reorganizar seus guerrilheiros para tomar Cuba de Batista. Foi neste período que conheceram o médico Ernesto Che Guevara, que se uniu a eles para liderarem um pequeno exército – que, mesmo com inúmeras baixas, conseguiu conquistar várias cidades cubanas contra Fulgêncio Batista.

O discurso dos rebeldes era de um novo governo revolucionário, baseado na justiça social. Dentre as propostas estavam a de reforma agrária, controle governamental das indústrias e tornar as necessidades básicas da população a prioridade. Com a condição de extrema pobreza e falta de perspectivas que a população vivia, os camponeses se uniram ao pequeno exército e ampliaram as vitórias em ainda mais cidades.

Após conquistar inúmeras cidades com o apoio da população, os rebeldes acabaram com o governo de Fulgêncio Batista em 1959 e iniciaram um novo regime político e econômico no país. Baseados nas ideias do filósofo Karl Marx e dos comunistas europeus, o novo governo tinha como base a melhoria das condições de vida dos mais pobres.

Como todas as propostas do novo governo contrariavam os interesses americanos, logo os EUA começaram a responder Cuba com suspensões de exportações de açúcar, deixando a economia cubana com profundas dificuldades. Ao mesmo tempo a URSS se aproximou ainda mais de Cuba, oferecendo uma maior sustentação da nova política.

Os EUA estavam sob o governo de John Kennedy e iniciaram retaliações mais profundas nos Cubanos, como o rompimento das ligações diplomáticas, tentativas de contragolpes e invasão das Baia dos Porcos, que só deixaram ainda mais claros e fortes os laços cubanos com os russos.

A URSS aproveitou a união com Cuba para instalar mísseis apontados para os americanos e transformar a ilha no território estratégico mais importante, que ficava ao lado do país inimigo. Como era o auge da Guerra Fria, os EUA reagiram e isolaram Cuba economicamente do resto do mundo.

Dessa forma, Cuba acabou não conseguindo andar de forma independente como desejava, já que precisava do apoio russo para que sua economia pudesse se movimentar. Logo os projetos sociais que tanto eram mencionados começaram a tomar corpo e a qualidade de vida da população teve um grande salto. Cuba se transformou num dos países referências mundiais em educação, saúde e esportes, pelo seu foco total nessas áreas.

Fidel Castro foi primeiro-ministro de Cuba entre 1959 a 1976 e presidente entre 1976 até 2008, quando saiu por motivos de saúde e deixou seu irmão no lugar. Nacionalista e marxista-leninista, era também o líder do Partido Comunista de Cuba até 2011. Advogado e filho de uma família rica e dona de fazendas, suas ideias foram formadas quando estudava na Universidade de Havana. Seu governo era socialista autoritário unipartidário, levando Cuba a uma ditadura socialista que promoveu o planejamento econômico central, atingiu os mais altos índices de desenvolvimento humano e social, a menor taxa de mortalidade infantil de todas as Américas, a erradicação do analfabetismo e a desnutrição infantil. Porém, possuía total controle estatal: suprimiu toda e qualquer liberdade de expressão e de imprensa, oprimindo os rebeldes com prisões e penas de morte.

Após a dissolução da URSS, Cuba ganhou novas ideias de antiglobalização focadas no ambientalismo, mantendo sua imagem externa controversa. Enquanto críticos o intitulavam de ditador totalitário, muitos admiravam Fidel Castro como um dos mais importantes líderes da história da humanidade.

As Cruzadas e o desenvolvimento do comércio

A criação das cruzadas tem como sustentação o avanço do cristianismo em terras islâmicas, mas por trás da religiosidade está o interesse em expandir o território europeu e alcançar novos domínios, especialmente no Oriente Médio.

As Cruzadas e o desenvolvimento do comércio

Alguns importantes centros comerciais como Veneza e Gênova, estimulavam os mercadores a financiar o movimento das Cruzadas, com dinheiro, embarcações e outros recursos materiais. Tudo pelo interesse em ampliar seu fluxo comercial, para trazer ao cotidiano europeu produtos antes exclusivos do oriente.

A importância de Jerusalém e o início das Cruzadas

Os árabes tiveram um período de grande prosperidade e conquistas na Era Medieval, onde os muçulmanos dominavam nações para implantar sua religião no máximo de territórios possível. Dentre eles está a conquista da Terra Santa, especialmente a cidade de Jerusalém, cidadã importantíssima tanto para judeus quanto para os cristão que cada vez aumentavam mais na Europa.

Considerada uma das cidades mais antigas do mundo, Jerusalém está localizada nas montanhas da Judeia entre o Mar Morto e o Mar Mediterrâneo, sempre sendo disputada de forma política, religiosa e comercial. Há séculos é considerada sagrada pelas principais religiões chamadas de abraâmicas (que se iniciaram pelos ensinamentos de Abraão), o judaísmo, islamismo e cristianismo, onde ate os dias de hoje é reivindicada por elas.

Cercada por muralhas que hoje a dividem em quatro bairros destinados aos armênios, cristãos, judeus e muçulmanos, no século XI Jerusalém foi dominada pelo mundo islâmico que se estabeleceu plenamente em todo território da Palestina. No início de sua expansão, os muçulmanos ainda permitiam a visita de cristãos para conhecer a cidade mais importante na vida de Jesus Cristo. Mas logo essas visitas foram proibidas e o tráfego religioso e comercial da região se fechou para o ocidente.

A cidade de Jerusalém foi fundada pelo Rei Davi e seu filho, Rei Salomão, construiu o Primeiro Templo a Deus e que transformou a região como o local mais importante para o judaísmo. Descrita no Velho Testamento que compõe a Bíblia e o Torá, Jerusalém foi a cidade onde Jesus Cristo passou seus últimos dias na Terra e onde foi crucificado, morto e ressuscitado, segundo os cristãos.

Já para os muçulmanos, Jerusalém é a terceira cidade sagrada do Islamismo, e onde Maomé teve sua ascensão ao paraíso. Na cidade, há a Mesquita de Al-Aqsa e a Pedra Fundamental onde se considera o ponto exato que Maomé foi para o céu.

Diante da proibição da peregrinação à região, o papa Urbano II convocou cristãos europeus para lutar contra os muçulmanos em Jerusalém, para que o acesso a Terra Santa fosse liberado. Esse exército religioso recebeu o nome de Cruzadas e foi designado aos seus soldados o perdão de seus pecados para que pudessem ir para o céu.

A denominada Guerra Santa entre os soldados cristãos da Cruzada e os muçulmanos, durou dois séculos, um grande número de mortos e regiões inteiras devastadas. Os muçulmanos eram mais sofisticados em suas técnicas e foram os vencedores, mantendo seus domínios e determinações na região. Porém, a proposta das cruzadas foi muito além do esperado e houve um ganho inquestionável na cultura europeia.

O comércio e as cruzadas

Em paralelo a guerra religiosa, havia o interesse europeu em expandir suas terras e buscar novas fontes comerciais. Nesse período houve uma diminuição drástica nas invasões bárbaras, que levaram as nações a criar uma maior estabilidade, produzir mais produtos agrícolas, mas também a crescerem muito mais do que a capacidade.

Como começou a surgir muito mais procura por terras e pouca oferta, o sistema feudal entrou numa crise, onde os nobres começaram e buscar mais espaços para suprir sua necessidade de poder e riqueza. Como cessaram a divisão de poder até mesmo entre os filhos, a herança ficava apenas para o mais velho enquanto os outros deveriam buscar suas próprias fontes através de casamentos monetariamente vantajosos, ingressar na carreira militar, entrar para o comércio ou partir para uma vida amoral de crimes ou ilegalidades.

Com a proibição pelos muçulmanos de entrar em Jerusalém e a eminência de fechar todas as fronteiras orientais, a Europa procurou ações para mudar o quadro e obteve a ajuda do papa Urbano II. Durante o Concílio de Clermont ele inflamou os ânimos cristãos, que se viram impedidos de manter suas peregrinações na Terra Santa, para que lutassem contra os ditos “infiéis”. Além do estímulo da fé, o Papa Urbano II também deu a todos os combatentes o perdão após a morte, para que pudesse ir direto ao paraíso e se salvasse do inferno e do purgatório.

Com a formação de um exercito religioso, com um foco emocional e motivador, os senhores feudais e a nobreza viu uma oportunidade de acabar com o poderio muçulmano e atingir seu objetivo de alçar novas fronteiras.

Logo no início das Cruzadas houve a conquista da Síria, do Império Bizantino e da Palestina, onde senhores feudais rapidamente se estabeleceram , mas foram contra-atacados e vencidos pelo sultão Saladino. Aos cristãos acabaram restando apenas poucos territórios sem expressão e que ao fim não realizou o intuito da missão tanto para os fins religiosos quando comerciais.

Mas, ainda assim, houve um grande ganho para a cultura ocidental, já que por um breve período os europeus puderam usufruir de especiarias e produtos exclusivos das arábias, que marcaram seu cotidiano. Cidades como Veneza enriqueceram com o luxo oriental e propiciou novas expedições mercantis e acabou instigando outras gerações a expandir sua navegação em busca de novas rotas e terras, marcando o fim da Idade Média e o início da Moderna.

Sob o ponto de vista científico, os árabes foram pontuais em oferecer novas perspectivas aos cientistas europeus.

Guerra da Crimeia

O conflito que colocou o império russo contra a união entre o Império Otomano, o Reino Unido, a França e o reino da Sardenha ficou geralmente conhecido como Guerra da Crimeia. Essa batalha teve seu início em 1853 e prolongou-se até 1856.

Guerra da Crimeia
Consta que na data de 16 de outubro de 1853, mesmo sem qualquer conflito começado, houve uma declaração de guerra do sultão otomano. Em março de 1854 a França e o Reino Unido fizeram o mesmo. Após os pontapés iniciais, com as declarações de guerra, o conflito realmente se instaurou.

A Guerra da Crimeia marcou um conflito decorrente em diversos cenários: às margens do Mar Negro, nos Balcãs, no Báltico e também no Pacífico. Um alto número de forças militares e navais estava diretamente envolvido nesse conflito, representando ambos os lados. Calcula-se que tenham sido em torno de 900 mil soldados lutando a favor do império russo e aproximadamente 600 mil combatentes levantando a bandeira da aliança adversária.

O número de baixas também foi bastante alto. Além das mortes causadas pela própria guerra, muitas pessoas foram acometidas por doenças como a cólera, por exemplo. A Guerra da Crimeia foi um combate intermitente, marcado pelas campanhas militares alternadas pelos contatos diplomáticos, além das várias negociações em busca do alcance de paz.

Afinal, quais foram as causas da Guerra da Crimeia?

Como grande parte dos conflitos históricos, a ambição protagoniza essa guerra. Nesse caso foram as ambições expansionistas do Império Russo que geraram o combate, diante do declínio e enfraquecimento do Império Otomano durante a primeira metade do século XIX. Tanto a França como a Grã-Bretanha temia que o fortalecimento exagerado da Rússia causasse algum dano aos frágeis equilíbrios de poder na região. O medo dos países originou no apoio aos otomanos, e a entrada em guerra com a Rússia.

Haviam ainda algumas questões de prestígio em jogo, particularmente por parte do imperador francês Napoleão III. Ele tinha como ambição a elevação do seu estatuto internacional, então viu na guerra uma grande oportunidade. As causas próximas da guerra ainda envolveram todos os cristãos da Terra Santa que estavam sob a administração otomana.
Foi exigido por parte do czar alguns direitos de proteção sobre esses cristãos ortodoxos. Enquanto isso, a França reclamava-se como protetora de todos os católicos. Todos esses pormenores eram apenas meros pretextos para todo o jogo diplomático na arena internacional. Rapidamente esse jogo se transformou num grande conflito, gerando a guerra que trouxe diversas e graves consequências.

Qual foi o desfecho desse conflito?

E após um grande embate, a Rússia acabou derrotada na Guerra da Crimeia, sendo obrigada a abrir mão de seus projetos de expansão nos Balcãs, além de recuar na Crimeia e começar a respeitar a integridade do Império Otomano.

Ainda houve outras consequências com o fim da guerra, como a declaração do Mar Negro como zona neutral, sendo aberto à marinha de todas as nações (porém continuou interditado para os navios de guerra). A derrota russa na batalha de Sebastopol (1855) foi o motivo da precipitação do acordo de paz no ano seguinte. Porém foi a própria opinião pública (tanto britânica quanto francesa) que fazia pressão nos respectivos governos para promover a paz. As pessoas acreditavam que esse conflito era totalmente desnecessário, sendo um motivo completamente inútil para causar mortes e sofrimentos desnecessários.

Outro fato que merece total destaque é a Guerra da Crimeia ser considerada o primeiro conflito da Era Industrial. Com isso, esse foi o primeiro combate que teve registros fotográficos, além do intenso uso de telégrafo e o caminho-de-ferro. Em paralelo a esse conflito, houve outras novidades que surgiram na época, referentes às táticas utilizadas pelos militares: o uso de trincheiras e também de fogo de barragem da artilharia. Essas táticas foram facilmente generalizadas mais tarde, tornando-se comumente utilizadas.

Falando mais sob o aspecto militar do conflito, a Guerra da Crimeia foi um ponto interposto entre Waterloo e a Primeira Guerra Mundial. Apesar dos exércitos empregarem seus uniformes e táticas de uma maneira napoleônica, as armas utilizadas eram “melhorada”. Ou seja, as armas eram letais e de manejo facilitado. O combate realçou a importância da logística, das trincheiras e também o poder de fogo. Isso antecipou a experiência da Guerra Civil Americana, ocorrida entre os anos de 1861 e 1865.

Ainda há o registro de muitas outras inovações após a Guerra da Crimeia. Navios de guerra começaram a ser blindados, surgiu o telégrafo elétrico intercontinental, as minas submarinas apareceram e também a fotografia de guerra começou a ser utilizada (supracitada como primeira experiência na Guerra da Crimeia). A baixa humana foi imensa:

• 25.000 britânicos;
• 100.000 franceses;
• Um milhão de russos.

Eles morreram, além dos combates, em decorrência de doenças ou ainda negligência. O aspecto humano da Guerra da Crimeia foi reconhecido na Grã-Bretanha através da introdução da mais alta condecoração por bravura, a “Victoria Cross”.

Burgúndios

Os Burgúndios foram uma tribo do leste germânico, com origem na Escandinávia, que viveu principalmente no século 4. Também eram conhecidos como “montanheses”.

Burgúndios

Suas primeiras impressões surgiram, na verdade, no século I, na Polônia, antes de começarem a migração. Passaram algum tempo na área que atualmente é Berlim, antes de efetivamente irem para oeste. Então, no ano de 411, o imperador romano gaulês (e usurpador) Jovino determinou que uma região próxima ao rio Reno fosse deixada aos cuidados do rei burgúndio Gundário. Não foi por acaso: Jovino era um fantoche de Gundário, colocado no poder justamente com esse objetivo. Esse foi o início do primeiro reino burgúndio.

A presença do povo burgúndio permaneceu sem maiores mudanças até 435-436, quando tentaram expandir seu território para a Gália Bélgica através de repetitivas incursões. Foram impedidos por um general romano chamado Flávio Aécio, cuja batalha que liderou matou o rei Gundário. Para tanto, Aécio convocara os mercenários hunos, que obviamente saíram vitoriosos. Em seguida, sob comando agora de Gundioc, os que sobraram dos burgúndios se estabeleceram ao redor do lago Genebra. Por mais alguns anos, viveram em paz, novamente com o status de federados como antes possuíam para ficar na margem do Reno.

Em 451, acabaram por se unir a Aécio, apesar de terem sido inimigos anteriormente, para impedir a invasão de Átila. Esta batalha, conhecida como batalha de Chalons (ou batalha dos Campos Cataláunicos), uniu o povo burgúndio e os hunos, bem como outras tribos. Borgonha era já há um tempo uma grande aliada de Roma, que se encontrava em sua época de baixo império. Todo esse período foi o segundo reinado de Borgonha.

Em 455, houve uma acusação feita a um líder burgúndio, considerando-o traidor, por ter supostamente participado do assassinato de Petrônio Máximo durante o caos ocorrido logo antes do saque de Roma. Não só ele, mas o aristocrata Ricímero também foi acusado – RIcímero era muito provavelmente parente de um ou dois dos últimos reis burgúndios.

Em 456, o povo burgúndio entrou em acordo com senadores romanos locais para expandir seu território mais um pouco e fazer uma divisão de forças. Infelizmente para eles, esses acordos não duraram muito tempo. Ricímero causou a queda de outro imperador de Roma, Ávito, e colocou no lugar Majoriano. Só que Majoriano não serviu aos propósitos de Ricímero e, ao invés disso, expulsou os burgúndios após um só ano de reinado, em 457. Alguns anos depois, ele foi assassinado por Ricímero.

Em 472, Ricímero voltou para o quadro ao planejar o assassinato de seu então sogro, o imperador da Roma Ocidental Antêmio. Ele conseguiu que Gundebaldo decapitasse o imperador. Ricímero colocou no trono Olíbrio, mas ambos morreram em pouco tempo de causas naturais. Gundebaldo então fica no lugar de Ricímero como “indicador de imperadores”, colocando Glicério em 473 – mas ele foi deposto por Júlio Nepos no ano seguinte. Gundebaldo voltou para Borgonha para dividir o reino entre seus irmãos, após a morte do pai, rei do reino burgúndio até o momento.

A briga pelo poder em Borgonha foi uma bagunça sangrenta nos anos seguintes. Depois de batalhas, assassinatos e traições, Gundebaldo se tornou o único rei de Borgonha, em meados de 500. Em 516 ele morreu. Antes disso, havia dominado a Gália, o sudeste da França e o oeste da Suíça.

Em 534, os burgúndios foram conquistados pelos francos. O reino burgúndio acabou por ser absorvido pelos reinos merovíngios, deixando então de existir por si só.

Leis, religião e nome

As leis burgúndias foram divididas em três códigos legais, alguns dos mais antigos já deixados por tribos germânicas. O primeiro, O Livro da Constituição Segundo a Lei de Gundebaldo, também conhecido como Lex Gundobada, foi lançado em partes entre os anos de 483 e 516. Eram leis e regras típicas desse período germânico. Depois, também houve um anexo da “Lei Romana dos Burgúndios”, seguindo a ideia de leis diferentes para diferentes etnias, e mais tarde o tríplice código legal se encerrou com o Prima Constitutio, lançado por Sigismundo, filho de Gundebaldo.

A religião dos burgúndios era majoritariamente arianista, ou seja, uma visão cristã baseada no presbítero cristão Ário. Ário vinha dos tempos da igreja primitiva, que negava a ideia de que Jesus fosse Deus. Essa visão religiosa colocava o povo burgúndio como suspeito nos olhos do Império Romano Católico. Entretanto, essa relação começou a mudar com Gundebaldo, e principalmente com seu filho, declaradamente católico. Muitas conversões surgiram nessa época, 500, quando o segundo reino burgúndio já se aproximava do fim.

O nome burgúndio, a princípio, era relacionado ao que hoje é a França, mas é na realidade referente à região da Borgonha. Apesar disso, os descendentes atuais vivem em áreas da Suíça e da França, ainda devido à sua expansão territorial.

Principais reis burgúndios

– Gondicário (413-436)
– Gundíoco (437-470)
– Gundomário (470)
– Quilperico (470-474)
– Godegisel (470-500)
– Gundebaldo (500-516)
– Sigismundo (516-524)
– Godomário (524-534)

Feira

Quando mencionamos a palavra “feira” muitas pessoas fazem a associação a um aglomerado de pessoas vendendo e comprando coisas dentro de um determinado espaço, previamente estipulado, com muito falatório, gente se esbarrando e andando de um lado para o outro.

Feira

Não é exatamente uma definição que se afaste tanto da realidade, mas algumas características são mais atribuíveis às feiras populares. Nesse tipo de feira, o que temos são negociantes e consumidores reunidos num espaço. Os negociantes montam barracas e estruturam bancadas em cima das quais expõem os seus produtos.

É essencial que haja espaço para que os consumidores possam transitar, avaliar os diversos produtos similares disponíveis e decidir qual ou quais deles comprar. As feiras livres, ou feiras de rua, sintetizam esse estereótipo. São uma opção para quem deseja comprar frutas, legumes, verduras, peixes e outros produtos frescos e por um preço menor. Há casos em que os produtos são levados direto do produtor ao consumidor, o que barateia o custo.

Percebe-se que as feiras possuem um caráter relevante dentro do espectro econômico. Todos já ouviram falar nas feiras hippie, ou feiras de artesanato. Podem ocorrer também em locais públicos, principalmente em pequenas cidades e bairros periféricos. Nesse caso, os produtos ofertados são diferentes, abrangendo produtos decorativos, peças de vestuário, acessórios, utilidades domésticas e outros.

Feiras como veículo de divulgação de marcas e produtos

Mudando radicalmente de abordagem, engana-se quem pensa que a feira é um fenômeno estritamente popular, voltado para pequenos artesãos e produtores exibirem e venderem seus produtos a consumidores que buscam alternativas mais baratas para consumir e atender suas necessidades.

A feira é um veículo utilizado por grandes empresas de diversos segmentos para ajudar a atingir uma série de objetivos de marketing.

Por exemplo, para uma empresa da área de TI, estar presente em uma feira de tecnologia voltada para o mercado B2B (empresa x empresa) em sua cidade ou mesmo uma feira internacional, caso ela for uma empresa global, é aproveitar uma grande oportunidade.

As empresas pagam para montar estandes em feiras de negócios, porque sabem que lá estarão presentes clientes em potencial, que poderão se transformar em contatos comerciais ou mesmo fechar negócios imediatamente. Ou seja, uma feira de negócios serve tanto para divulgar a marca e os produtos diretamente para um público interessado neles, como pode servir para alavancar vendas.

É importante salientar que uma feira de negócios pode se diferenciar bastante de outros segmentos. É sempre possível fazer vendas, mas, além disso, é preciso aproveitar a oportunidade para divulgar a marca. Por isso investe-se tanto no visual dos estandes, com letreiros, cores e foco em design, de modo a evidenciar o tom e o estilo da marca. É a chamada identidade visual, que ajuda a posicionar a marca e os produtos na mente do consumidor.

As feiras de negócios podem abrir oportunidades de parcerias, já que reúnem diversas empresas e profissionais do mesmo segmento, ou da mesma cadeia de negócios.

Em suma, o que se pode dizer é que a feira, para ser melhor definida nos dias atuais, deve ser vista como um ponto de encontro entre quem deseja alavancar receitas, seja através de vendas diretas, parcerias ou aumento do share of mind da marca junto ao público alvo, e entre aqueles que desejam viver uma experiência de consumo bem específica, que pode ir muito além de simplesmente comprar produtos.

O que as feiras possuem em comum

O que une conceitualmente uma feira livre, uma feira de literatura, uma feira de automóveis, uma feira de moda, de artesanato, de tecnologia ou de produtos financeiros é a especificidade.

Historicamente, as feiras remontam à Idade Antiga, ao ano 500 a.C, segundo os historiadores. Não se trata, portanto, de nenhuma invenção contemporânea. A feira é tão antiga quanto o comércio. Foi a precursora dos atuais centros comerciais, shoppings e tudo que se possa pensar em termos de market place.

Na verdade, as feiras da Idade Antiga atendiam bem a um conceito atualíssimo de marketing, que é a conveniência. As pessoas saíam às compras e sabiam exatamente onde podiam adquirir tudo que precisavam.

Esse conceito se ampliou na Idade Média. As feiras medievais reuniam comerciantes e compradores de mercadorias. Esses comerciantes deram origem à classe burguesa, que viria a mudar o mundo a partir do século XIV.

A diferença para o conceito presente de feira está na tipicidade, ou na especificidade. Naquela época vendia-se mercadorias diversas, algo muito mais próximo às grandes lojas de departamento atuais.

Quem vai à feira vai em busca de um determinado segmento de produto e consumo. Quem vai à feira de literatura quer conhecer livros, participar de eventos literários, acompanhar as novidades e comprar. Numa feira de moda, as pessoas querem conhecer as últimas tendências, comparar estilos e comprar roupas e acessórios.

Mesmo quando falamos na famosa feira livre, com qual se iniciou e se encerra esse artigo, as pessoas vão em busca de algo bem específico, que são os alimentos frescos por um preço mais barato.

Seljúcidas

Os seljúcidas são um povo que viveu na área islâmica sunita, de origem turca. Esse nome foi dado em virtude do fundador da civilização, Seljuque, que guiava o povo para diversas regiões, caracterizando a população como nômade. Embora tivessem o costume de vagar por várias terras e regiões de outros países próximos, foi nos limites da Ásia Central e Ocidental que seu desenvolvimento geográfico e populacional se instaurou. Países como a Turquia e a Palestina foram os principais locais onde era possível encontrar esse público, difundindo muitas tradições turco-persas entre os indivíduos e repassando aos seus descendentes.

Seljúcidas

Também foi um povo que participou de muitos confrontos, especialmente contra os bizantinos. Embora perseguidos e vagando por várias terras, eles tiveram muitas vitórias e promoveram um grande império que permaneceu ativo por muito tempo, trazendo influências para a política, crenças, tradições, costumes e também na religião.

O início das migrações

Esse povo começou a transitar pelos arredores da Ásia Central em meados do século XI. Seljuque era o líder do clã seljúcida e entrou em conflito com Yabgu, chefe supremo dos Oguzes, principal povo que formava a sociedade turca no início do século VIII até o século XI. Quando Seljuque percebeu que a instalação do povo traria consequências, ele se converteu ao islamismo e migraram da região do mar Cáspio, na área do Turcomenistão, até o centro da Pérsia, local onde aprenderiam e desenvolveriam muitas de suas tradições.

Sendo o guia principal do grupo, Seljuque comandou seu povo em diversas guerras e conflitos que se sucederiam ao longo dos anos do século XI. A cada disputa, o povo seljúcida ia aprendendo costumes, língua e cultura que seriam vistas com mais nitidez nas décadas seguintes. Dentre essas guerras, duas se destacam em virtude da conquista de terras e também como partida para o início do Império Seljúcida:

• Batalha de Dandanaqã: foi caracterizada pelo conflito entre os seljúcidas e o povo gaznévida. Cercando os soldados de Gaznévida na região de Ispaã, Seljuque, Yabgu, Chagri e Tugrill conseguiram abater o povo gaznévida, obtiveram a posse de terras e conquistaram o maior título governamental da área gaznévida. Nesse período houve o início do Império Seljúcida, no qual os seljúcidas e o povo gaznévida conviveram em harmonia e passaram a misturar tradições e costumes;

• Guerra contra os bizantinos: Após um intervalo de 14 anos, o povo seljúcida voltou a guerrear, mas agora contra os bizantinos, povo originário da região da Armênia. Em duas tentativas, a sociedade seljúcida não obteve sucesso devido aos contra-ataques poderosos comandados por Alp Arslan e mais tarde por IV Diógenes, imperador romano. Todas as cidades conquistadas foram retomadas pelos bizantinos, forçando o povo seljúcida a realizar uma terceira tentativa. Ela foi satisfatória, garantindo ao povo a conquista da cidade de Jerusalém em 1071. Mais tarde, mais cidades seriam conquistadas como Quios, Antioquia e Lesbos.

Características da população

O povo era muito industrioso. Grande parte de seu trabalho envolvia a construção de muitas obras grandes e bem arquitetadas tanto para o comércio quanto para fins políticos. Embora a construção civil fosse uma das áreas mais fortes do povo, os seljúcidas também faziam atividades comerciais entre si e tinham um sistema de saúde bem evoluído. Era comum encontrar nas cidades e territórios conquistados projetos arquitetônicos que serviriam para hospitais, centros de assistência social, empresas agregadoras de caravanas e muitas escolas públicas.

Essa sociedade também tinha uma política muito forte. Mesmo que no fim das guerras conseguissem a posse de terras, o objetivo principal do governo seljúcida era o de encontrar mais terras, conquistá-las (mesmo que tivesse que matar a população local) e fazer sua expansão crescer em um tempo propício. A cada sultão que chegava ao período de reinado, esse aspecto era trabalhado à maneira do governante maior, mas inteiramente focalizada na conquista desse ponto principal.

A característica religiosa passou por mudanças ao longo do tempo. No período inicial, por causa de Seljuque, muitos indivíduos adotaram o islamismo como religião principal do povo e base fundamental de suas atividades e crenças. Com a conquista de novas terras e a miscigenação com outros povos, a sociedade seljúcida foi desenvolvendo novas formas de crença também agregadas ao islamismo.

Uma dessas misturas deu início ao sufismo, uma crença com base mística que tinham amparo pelo governo. O povo construía centros religiosos com recursos financeiros governamentais conhecidos como madrasas. Esses locais eram visitados por todas as famílias dessa sociedade e transmitiam seus ensinamentos para os seus descendentes.

No ano de 1194, quando Togrull II, sultão na linha de sucessão no governo seljúcida, perdeu o conflito contra o povo do Império Corásmio, a força da sociedade seljúcida foi se perdendo. As terras conquistadas foram tomadas por outros povos, como os mongóis, e suas características puras foram se misturando com outros aspectos de outras culturas, gerando pequenos emirados que ainda apresentam a cultura em sua perfeita forma.

Guerra dos Seis Dias

A Guerra dos Seis Dias é um desdobramento do conflito histórico entre árabes e sionistas, ocorrido em meados da década de 60 do século XX. Sem dúvida alguma, a gênese de tais conflitos está na criação do Estado de Israel, em 1948.

Guerra dos Seis Dias

O mundo, naquele período, vivia os desdobramentos de duas guerras sangrentas, que tiveram na Europa o seu principal palco, mas não o único.

Vale lembrar que ainda na primeira metade do século XX a configuração geopolítica mundial esteve fortemente condicionada pelo imperialismo europeu e norte-americano. Isso significa dizer que o mundo árabe estava sujeito a um forte controle político das grandes potências econômicas e militares.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a geografia da Europa havia mudado, mas o fato principal era que a destruição da Alemanha transformava Estados Unidos e União Soviética em principais atores políticos, o que viria a dividir o mundo em dois blocos de orientação política e econômica totalmente oposta.

Por outro lado, sabe-se que a Segunda Guerra Mundial é fruto de movimentos ultranacionalistas e totalitários. Essa onda ultranacionalista não se restringiu à primeira metade do século XX ou aos grandes conflitos armados. Já ao final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) havia um sentimento nacionalista no mundo árabe. O Oriente Médio era, até então, comandado pelo Império Turco-Otomano. Após a guerra, a região se tornou uma espécie de protetorado da Inglaterra.

O Estado de Israel e o conflito árabe israelense

O sionismo ganhou força após o final da Segunda Guerra Mundial, durante a qual mais de 6 milhões de judeus foram mortos pela Alemanha nos campos de concentração.

Antes disso, o sentimento político dos israelenses era difuso, muito mais de convivência com as diferentes orientações políticas. Antes desse evento histórico, árabes e israelenses conviviam em razoável harmonia.

Após a Segunda Guerra, o sionismo, que pode ser entendido como o nacionalismo judeu, ganhou força. Tinha como paradigma a criação de um Estado judaico no território onde, segundo a Bíblia, era Israel, na região de Jerusalém, de onde haviam sido expulsos os judeus pelo Império Romano no século III d.C.

O movimento sionista já tomara corpo desde o final do século XIX, com grandes imigrações para a região. O que aconteceu no ano de 1948 foi a consolidação desse movimento. Os judeus conseguiram angariar a simpatia de Estados Unidos e União Soviética às causas sionistas. O massacre dos judeus nos campos de concentração sensibilizou o Conselho da ONU, que decidiu pela criação do Estado de Israel, na região da Palestina.

Tal decisão já não seria bem recebida entre as nações árabes. Fora-lhes prometida pela Grã-Bretanha o apoio das nações do ocidente à criação de um grande Estado Árabe. Antes mesmo da criação do Estado de Israel, a relação já era bastante instável, com pequenos conflitos armados.

A criação do Estado de Israel acabou por potencializar o conflito. Ainda em 1948, sete nações árabes declararam guerra a Israel e iniciaram uma invasão, que acabou frustrada. Israel, além da vitória, expandiu seu domínio na palestina, dando os contornos do que é o conflito até os dias atuais.

A guerra relâmpago

Vale lembrar que Israel sempre teve apoio do mundo ocidental e se tornou aliada de Estados Unidos, Inglaterra e França, uma aliança que sobrevive até os dias atuais e se torna visível quando em questões envolvendo o Oriente Médio.

É preciso lembrar que aquela é uma região rica em petróleo, riqueza natural que está na origem de praticamente todos os conflitos, sempre com forte influência da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O que só serve para alimentar o incômodo e a hostilidade dos povos árabes com relação a Israel.

Por conta desse incômodo, um novo conflito armado era questão de tempo. O nacionalismo árabe estava em plena expansão. Em 1964, por ocasião da Segunda Conferência do Cairo, os países árabes definiram como uma das prioridades a destruição do Estado de Israel, abrindo caminho para o que ficou conhecido como Guerra dos Seis Dias.

No dia 16 de maio de 1967, Gamal Abdel Nasser, presidente do Egito, ordenou movimentação de tropas na Península do Sinai e ordenou a saída das tropas da ONU presentes na região. Jordânia e Iraque se alinharam ao movimento hostil a Israel, por conta de um pacto de guerra.

Ao que tudo indica, no entanto, faltava articulação e um plano bem definido aos árabes, que foram surpreendidos com um ataque fulminante israelense. Dos 340 aviões de combate egípcios, nada menos que 309 naves foram abatidas sem sair do solo.

As tropas israelenses atacaram na Península do Sinai, paraquedistas dominaram a parte de Jerusalém que estava sob controle dos jordanianos, avançaram até o Estreito de Tiran e a Rumani, nas imediações do Canal de Suez. Por fim, ocuparam a Cisjordânia, território que pertencia à Jordânia.

Apesar de muitas baixas, Israel se saiu vitorioso no conflito, ocupando territórios que sequer estavam em seus planos. Posteriormente, propôs acordo de paz a Egito e Síria, com devolução dos territórios, mas permaneceu ocupando a região da palestina.

A Guerra dos Seis Anos pode ser considerada, por causa disso, o marco zero das hostilidades entre judeus e palestinos, até hoje não resolvida, devido à ocupação israelense nos territórios que pertenciam à Jordânia.

Os sovietes e o duplo poder

Um dos aspectos de maior relevância acerca do processo revolucionário russo, no período que abrange da Revolução de Fevereiro à Revolução de Outubro de 1917, é a relação dos poderes exercidos pelo sovietes e o Governo Provisório. Para melhor entender a situação local, porém, é preciso entender as raízes do embate. Na sequência das primeiras revoltas de 1905, um parlamento foi criado pelo czar e apontava para a direção de uma monarquia constitucional. No entanto, a maior liberdade política que esse sistema traria não foi verificada na prática.

Os sovietes e o duplo poder

Essa dualidade resultante da divisão do controle político no ínterim, aliada à permanência russa na I Guerra Mundial levou à tomada do poder de Estado pelos bolcheviques e demais grupos revolucionários de esquerda em outubro de 1917. Tal conjectura alterou as relações de classe e levou a um desenvolvimento diferente daquele observado em nações capitalistas no início do século XX.

A partir da queda da monarquia (czares) na Rússia, em fevereiro de 1917, estabeleceu-se um governo de caráter temporário. Nesse contexto, a base de comando era a Duma, o mesmo parlamento que existia já na monarquia czarista.

A estrutura administrativa descrita foi constituída por uma união entre os burgueses liberais e o soviete (conselho, em russo) de Petrogrado – antiga São Petersburgo –, então capital da Rússia. Contudo, essa aliança teve duração curta e a razão principal para a ruptura foi manutenção do exército russo na I Guerra.

• Manifestações populares aumentam em 1917 e levam à queda da dinastia Romanov (czares);
• Os primeiros conselhos de trabalhadores surgiram ainda na Revolução de 1905, com a nomenclatura de Sovietes de Deputados Operários;
• Entre a Revolução de fevereiro e de outubro de 1917, ocorreu o fortalecimento de sovietes;
• Com a formação do órgão, o duplo poder se estabeleceu na Rússia;
• Por meses, teve-se duas instituições paralelas exercendo poder no território russo: o Governo Provisório e os sovietes.

Os sovietes eram a organização criada em conjunto por soldados e representantes da classe trabalhadora da Rússia durante a revolução de 1905. Nesse conselho, os trabalhadores dispunham de influência no executivo e no legislativo, pois elegiam os políticos com base nos quartéis e locais de trabalho. Aqui, cabe ressaltar que os revoltados acabaram vencidos. Porém, em fevereiro de 1917, os sovietes surgiram de novo e passaram a receber também deputados e camponeses. A mudança deu-se, sobretudo, pelo fato de trabalhadores e soldados morarem majoritariamente no campo. Por meio de uma participação mais direta e ativa no direcionamento das atuações dos deputados, os sovietes se tornaram um órgão autônomo de luta desses três grupos sociais.

Sobre o Governo Provisório

O governo provisório, comandado primeiramente pelo príncipe Livov e, mais adiante, pelo menchevique Kerenski, não foi capaz de atender às principais demandas do povo russo, sintetizadas no célebre slogan “Paz e Terra”. Os termos representavam o desejo pela saída das tropas do país da I Guerra, bem como pela distribuição de terras para os camponeses. Já que as forças centrais do Governo Provisório estavam vinculadas ao exército, à burguesia e aos donos de latifúndios, não havia interesse em ouvir tais reivindicações populares.

Com isso, chegou-se à dualidade do poder marcada de um lado pelo Governo Provisório, órgão de latifundiários e capitalistas e os sovietes, órgão dos operários, camponeses e soldados do outro. Percebe-se assim que:

• Interesses do Governo Provisório e dos sovietes divergiam, o que desestabilizou o ambiente político;
• Os conselhos foram reproduzidos em outras esferas na nação, inclusive em fábricas;

Ao notar que não seria possível sustentar a aliança, Lenin, líder do partido bolchevique à época, começou a defender que o Governo Provisório terminasse. Desde que chegou ao país, em abril de 1917, ele passou a expressar a sua opinião com a palavra de ordem “Todo poder aos sovietes”. Essa tática de Lenin foi bem eficiente, já que ele percebeu a força da classe trabalhadora a partir dos sovietes e aproveitou o seu apoio para levar o partido ao poder.

A tomada do poder pelos bolcheviques e o fim do duplo poder

Em decorrência do acirramento das tensões sociais nesse período, muitas abandonadas por patrões foram ocupadas pelos trabalhadores. Da mesma forma, terras foram tomadas por camponeses para que eles pudessem produzir seus alimentos próprios. O cenário em questão viabilizou que os bolcheviques se juntassem aos socialistas de revolucionários de esquerda. E assim se formou a Guarda Vermelha em Petrogrado. Com o apoio obtido pelos sovietes entre a população das grandes cidades, o grupo consegue tomar o poder do Estado em 25 de outubro de 1917, com a invasão do Instituto Smolni.

Após obter controle político, os bolcheviques deram início a medidas para instaurar o Estado Soviético. Na sequência, interrompeu-se a realização da Assembleia Constituinte e o instalou-se o controle operário da produção. As terras que antes pertenciam à Igreja e à nobreza foram distribuídas entre o campesinato. Para gerir o Estado, o Congresso dos Sovietes originou o Conselho dos Comissários do Povo. Teve fim então o chamado período de duplo poder na região.

A Primeira Revolução Industrial

A Revolução Industrial, numa visão histórica global, é um processo ainda em curso em pleno século XXI, sem hora marcada para terminar. Pode ser corretamente definida como um processo contínuo de renovação e aperfeiçoamento dos meios de produção, da geração de valor, redução dos custos e aumento de produtividade.

A Primeira Revolução Industrial

Da máquina de fiar, que, na segunda metade do século XVIII, foi um marco da mecanização da produção, que revolucionou a produção de fios para tecidos, substituindo a velha roca, à era da tecnologia da informação, da biotecnologia, da robótica e da engenharia genética, a industrialização é um dos principais indutores das mudanças na sociedade humana desde a Primeira Revolução Industrial.

A Revolução Industrial foi a principal responsável pela migração das populações campestres para as cidades. Diante da oferta de trabalho nas indústrias, camponeses migravam para as cidades em busca de oportunidades.

A industrialização originou novas formas de pensar a sociedade e novos tipos de organizações sociais e políticas, assim como está relacionada ao surgimento de novos conflitos.

Do ponto de vista material, a industrialização está entre os mais preciosos indutores de qualidade de vida. Através do aumento dramático da capacidade de produção de bens de consumo, é possível entregá-los a mais pessoas com um custo mais baixo e preços menores. Como contribuiu para a distribuição de riquezas, ainda que de forma precária, principalmente no primeiro momento, contribuiu para levar, progressivamente, mais conforto a mais pessoas.

Ambiente da Primeira Revolução Industrial

A Europa chegou à segunda metade do século XVIII vivendo um período de grandes mudanças. A Europa feudal da Idade Média dera lugar a monarquias poderosas, que concentravam a maior parte das riquezas, mas o advento das grandes navegações, iniciadas no final do século XIV, e o incremento do comércio haviam criado uma força nova força econômica.

A Inglaterra, que se tornara um grande império, com vasta colônia no território americano e domínio sobre a Índia, era uma das nações que enriquecia com o comércio. Ainda que a forma de colonização do continente americano fosse no modelo de povoamento, conferindo alguma independência aos colonos, esse era um mercado consumidor cativo para os produtos ingleses.

Da mesma forma, a Inglaterra possuía no próprio continente europeu um mercado para seus produtos têxteis, sendo que o comércio enriqueceu os que se aventuraram naquela atividade econômica.

Com isso, estavam estabelecidas as condições para que a Inglaterra desse o primeiro passo para alavancar um processo que mudaria a humanidade. Havia, afinal, mercado consumidor e capital para financiar a industrialização.

Como foi a Primeira Revolução Industrial

Por volta de 1750, teve início na Inglaterra a transição do sistema de produção baseado na manufatura para o sistema fabril. A máquina de fiar é parte do marco zero da primeira Revolução Industrial. Transformou a Inglaterra na maior produtora de fios para tecidos de algodão. Em 1785, o tear mecânico substituiu o tear manual, levando os ingleses a se tornarem a mais competitiva nação na produção de tecidos.

A industrialização logo chegou à França, Bélgica, Itália, Alemanha e Rússia. Fora da Europa, ganharia impulso, também, no Japão e nos Estados Unidos.

A busca por formas de energia para mover os parques industriais acabou originando a máquina a vapor, primeiramente para utilização nas indústrias de ferro, carvão mineral e tecidos, posteriormente impulsionando o setor de transportes, com os navios a vapor e as locomotivas.

Do ponto de vista político, a Primeira Revolução Industrial abriu caminho para a expansão do imperialismo europeu. Grande parte da matéria prima utilizada na indústria vinha das colônias, que também eram consumidoras dos produtos industrializados. Assim, a Europa estendeu seu controle e dominação sobre povos africanos e nações asiáticas.

Do ponto de vista das relações de trabalho, é importante notar que o advento da Primeira Revolução Industrial é contemporâneo aos ideais iluministas e ao surgimento do liberalismo econômico, que preconizava que as relações de produção, trabalho, lucro e consumo seriam capazes de organizar a sociedade e fazer a justa distribuição de riqueza e bem estar.

Na realidade, não foi bem o que aconteceu. O início do processo de industrialização foi marcado por operários submetidos a condições precárias de trabalho, com carga horária impensável nos dias atuais e vivendo em condições não menos precárias nas cidades.

Esse fenômeno, intimamente ligado à Primeira Revolução Industrial, está na origem de grandes transformações na sociedade humana. Foi na primeira metade do século XVIII que surgiram as organizações sindicais, criadas como forma de reivindicação coordenada de melhores condições de trabalho. Posteriormente, essas organizações ganhariam um viés mais politizado, com o surgimento das ideias anarquistas e, posteriormente, do marxismo, que, em resumo, pregava que a forma como se estabeleciam as relações de produção e distribuição de riquezas de uma nação é o que a definia.

O processo que ficou conhecido como Primeira Revolução Industrial ocorreu em um período que compreende a metade do século XVIII até meados da segunda metade do século XIX.

Batalha de Salamina

A Batalha de Salamina é um marco na história mundial por ser considerada a mais mortal e sangrenta da história entre as batalhas marítimas. Nela os militares da Grécia, em número muito menor e menos armados, venceram o poderio dos persas liderados por Xerxes, considerado um grupo imbatível. As 360 embarcações gregas enfrentaram estrategicamente as 600 embarcações persas e saíram vitoriosas após oito horas de combate.

Batalha de Salamina

Dos 40 mil homens mortos, um terço era persa e Xerxes assistiu à derrota sentado num trono próximo ao ocorrido, de onde viu os destroços de seus navios e corpos dilacerados de seus marinheiros espalhados pelas águas do mar. Conhecida como inclusa na Segunda Guerra Médica, parte da vitória grega é atribuída ao local, uma região acidentada no estreito que divide Salamina de Ática, de onde os persas tinham pouca maneabilidade no espaço e se viram presos.

A Primeira Guerra Médica

Há indicações de que a Batalha de Salamina ocorreu em 29 de setembro de 480 a.C. no estreito que separa as cidades gregas de Salamina e Ática. A vitória grega foi um marco histórico pelo contexto da guerra e do poder exercido pelo líder persa Xerxes, que detinha mais condições bélicas.

O conflito entre Grécia e Pérsia já era antigo e foi iniciado pela disputa da região da Jônia, na Ásia Menor. A colônia grega de Mileto era dominada pelos persas comandado por Dario 1º e na tentativa de se libertar foram travados os conflitos entre ambos, iniciando a Primeira Guerra Médica que terminou com a vitória grega na batalha de Maratona.

Houve uma trégua de dez anos em que ambos os países se organizaram para uma eminente guerra. A Grécia tinha a liderança do estrategista militar Temístocles, que não só preparou seus militares e ampliou sua frota de guerra, como também construiu uma muralha ao redor de Atenas e do porto de Pireus.

Depois de ter perdido a Batalha de Maratona, mesmo sendo superiores em militares e armas, a Pérsia se manteve focada em avançar contra a Grécia, já com o comando de Xerxes. Os persas construíram uma ponte no Helesponto, na península de Atos, que permitia a passagem de suas tropas com mais facilidade e rapidez.

A Segunda Guerra Médica

Era evidente a intenção de Xerxes em tomar a Grécia e em seguida o Sudeste Europeu, com o desejo da supremacia sobre grandes nações. Para isso ele equipava seu exército com o maior contingente da época e montava estratégias elaboradas de ataque com foco total na conquista.

O exército persa era o mais numeroso da época, mas não era conhecido pela motivação, já que era composto pode pessoas escravizadas pelas nações já conquistadas. Os soldados eram obrigados a lutar pelo seu inimigo.

Enquanto pequenas cidades gregas ao norte se rendiam ao poder persa e eram obrigados e ampliar seu exército, outras reforçavam seu bloqueio militar, especialmente na região sul. O líder Temístocles consultou o oráculo Delfos que profetizou a necessidade de se proteger com uma muralha de madeira, que ficou compreendida como buscar um combate naval cujas embarcações de madeira protegeriam a esquadra.

Logo Temístocles confirmou a profecia já que era praticamente impossível vencer os persas em campos de batalha. As poucas vezes que a Grécia foi vencida, foi nessa situação. Uma batalha histórica que se seguiu ocorreu em Termópilas, com o apoio da cidade grega de Esparta e de um de seus reis Leônidas, que levou 300 homens para o combate.

A estratégia era que esses 300 homens se posicionassem na estreita passagem do desfiladeiro de 15 metros de largura de Termópilas, com a retaguarda de mais 6 mil gregos. Mesmo com um número imensamente superior, a estratégia deu certo com uma dura resistência espartana que não esmorecia com os boatos do contingente persa.

Os soldados persas lutavam a base de chicotes de seus líderes, enquanto os espartanos davam seu sangue para proteger sua cidade, o que fazia toda a diferença e a vitória era questão de tempo. Porém, um traidor espartano chamado Eflaltes ajudou Xerxes a encontrar um caminho diferente para chegar a Termópilas. O traidor guiou a grande tropa para o outro lado das montanhas e conseguiram surpreender os espartanos.

Diante da derrota futura, Leônidas ordenou que os gregos voltassem para suas cidades, menos os 300 espartanos. Os soldados de Téspias e Tebas também se uniram a eles e foram até as últimas consequências na batalha, com a morte de todos e a vitória dos persas mesmo com as falanges de Esparta no estreito desfiladeiro de 15 metros de largura em Termópilas. Essa batalha também se tornou lendária pela forma como Leônidas, um dos reis espartanos e sua guarda pessoal de 300 homens, lutou contra os persas.

A Batalha de Salamina

A vitória persa custou caro para os vitoriosos, que também tiveram muitas baixas e precisaram se recompor. Enquanto isso os gregos esvaziaram Atenas para uma invasão evidente e reforçaram seus bloqueios militares. Os moradores de Atenas foram transferidos para a cidade de Salamina e a cidade vazia foi queimada e devastada pelos inimigos.

Os gregos acreditavam que a próxima batalha seria a última chance de manter seu país livre e a frota se posicionou no estreito braço do mar da ilha de Salamina. Temístocles planejou que os gregos atraíssem os persas para uma batalha naval. Os navios gregos eram menores em dimensão e quantidade, o que foi positivo para a região acidentada e de difíceis manobras, enquanto os navios persas eram grandiosos demais para qualquer movimento mais imediato e os navegantes não conheciam o local.

Os persas ficaram oprimidos naquele local enquanto os navios gregos os atacavam, na que é ainda hoje considerada a batalha naval mais sangrenta de todos os tempos. Com duração de 8 a 12 horas, os gregos saíram vitoriosos e Xerxes fugiu para a Pérsia, onde foi assassinado em seguida.

A estratégia vitoriosa de Temístocles é estudada até hoje e marcou o fim das guerras persas. Além de garantir à Grécia a liberdade, também impediu uma expansão dos persas pela Europa, que fatalmente destruiriam as culturas grega e romana e mudariam os acontecimentos que se seguiram.

Guerras Púnicas

Desde o momento que o homem deixou de ser nômade, especialmente devido à agricultura que permitiu que deixasse de ser coletor, as brigas por território e por controle dos mesmos se tornou uma regra nas mais diversas partes do mundo, ou seja, ocorreram na Ásia, África, Europa e, mais tarde, nas Américas.

Guerras Púnicas

No entanto, houve guerras por controle de territórios que influenciaram de maneira ímpar a geopolítica atual, e justamente por isso estão presentes – até porque seria praticamente impossível inserir todas as guerras no currículo de história dos níveis fundamentais e médio de ensino. Esse é o caso das Guerras Púnicas.

Contexto histórico

Os conflitos em questão duraram exatos 100 anos, se estendendo de 264 a.C a 164 a.C., ou seja, trata-se de um evento histórico que ocorreu na Antiguidade. Fala-se de guerras, no plural, pois essas consistem em uma série de três conflitos que modificaram consideravelmente a geopolítica da Sicília (Itália) e do Mediterrâneo.

O estopim do conflito foi a rivalidade existente entre Roma, grande potência da Antiguidade, e Cartago, outra grande potência, localizada no norte do continente africano. Cartago tinha grande poder, e controlava todo o comércio realizado no Mediterrâneo. Por isso seus comerciantes tinham colônias espalhadas por toda a região, incluindo Sardenha, Sicília, extremamente rica na produção de grãos, Península Ibérica (territórios que atualmente correspondem a Portugal e Espanha, na qual era feita a exploração de prata) e, claro, por toda a África. Aliás, é por causa de Cartago que tais conflitos são conhecidos como Guerras Púnicas, uma vez que os romanos chamavam os cartagineses de “punici”, que significa “fenícios”.

Dessa maneira, a Sicília era habitada por muitos cartagineses, em conflito constante com os gregos presentes nas colônias gregas Nápoles e Taranto. Tendo como premissa a hegemonia dos romanos na época, eles conquistaram os portos do sul na península itálica, fazendo com que os interesses das colônias gregas passassem a ser também seus interesses. Assim, os conflitos entre romanos e púnicos na verdade se basearam na intervenção de Roma, na rivalidade entre gregos e cartagineses.

As guerras e consequências

Conforme dito acima, houve três guerras entre cartagineses e romanos, e são elas que estão descritas abaixo.

-1° Guerra: ocorreu entre 264 a.C. e 241 a.C. Na verdade, tratou-se de uma batalha naval na qual Roma saiu vitoriosa. O que é interessante notar é a inteligência dos romanos, pois Cartago era a principal potência marítima da época, ou seja, praticamente impossível de serem derrotados em mar. No entanto, com a ajuda dos gregos, os romanos conseguiram não só reproduzir os barcos utilizados pelos cartagineses como também inventar as pontes, um projeto de engenharia relativamente simples, mas que permitia que os romanos entrassem nos barcos inimigos, permitindo o combate corpo a corpo. Iniciou-se com a intervenção romana em Messina e terminou com a conquista romana de Córsega, Sardenha e Sicília;

-2° Guerra: o protagonista desse conflito, que se desenrolou entre 218 a.C. a 201 a.C., foi o general cartaginês Aníbal Barca, que não só conseguiu diversas conquistas sobre Roma como também realizou o feito de atravessar os Alpes, complexo montanhoso que corta grande parte dos países europeus, marcados pelo clima intenso e grandes altitudes. Diante das derrotas consecutivas, Roma decidiu atacar Cartago, fazendo com que o general tivesse que voltar a sua cidade para protegê-la. Mais uma vez, Roma saiu vitoriosa e conseguiu o controle sobre a Península Ibérica;

-3° Guerra: ocorreu entre 149 a.C. e 146 a.C., tendo como principal consequência a vitória de Roma, implacável sobre Cartago. O general romano Emílio Africano atacou Cartago novamente, conquistando a cidade e escravizando seus moradores. Além disso, foi jogado sal sobre todo o território para que o solo não mais produzisse, encerrando a série de conflitos.

As consequências de sair vitoriosa das Guerras Púnicas para Roma foram muitas. Em termos sociais e devido ao crescimento do comércio, surgiu uma nova classe social: os comerciantes, também chamados de homens novos e cavalheiros.

Em termos socioeconômicos, ocorreu uma grave crise em Roma, pois com o crescimento do número de escravos, grande parte dos cargos ocupados pela plebe não eram mais necessários, causando o desemprego em massa.

Como as Guerras Púnicas permitiram a conquista do Mediterrâneo Ocidental por Roma, isso serviu como porta de entrada para que os romanos conquistassem todo o mediterrâneo e grande parte da Europa, ou seja, se tornassem uma nação hegemônica.

Por fim, com a conquista de novos territórios havia maior oferta de produtos, o que fez com que os pequenos e médios proprietários italianos entrassem em crise e fossem obrigados a vender suas terras ao Estado e latifundiários, aumentando ainda mais a hegemonia do estado Romano.

Como resultado de todas essas consequências, a configuração do poder e os territórios da Itália, grande parte da Península Ibérica e norte da África foram modificados, ficando as bases para que os eventos históricos posteriores ocorressem.