Guerra da Crimeia


O conflito que colocou o império russo contra a união entre o Império Otomano, o Reino Unido, a França e o reino da Sardenha ficou geralmente conhecido como Guerra da Crimeia. Essa batalha teve seu início em 1853 e prolongou-se até 1856.

Guerra da Crimeia
Consta que na data de 16 de outubro de 1853, mesmo sem qualquer conflito começado, houve uma declaração de guerra do sultão otomano. Em março de 1854 a França e o Reino Unido fizeram o mesmo. Após os pontapés iniciais, com as declarações de guerra, o conflito realmente se instaurou.

A Guerra da Crimeia marcou um conflito decorrente em diversos cenários: às margens do Mar Negro, nos Balcãs, no Báltico e também no Pacífico. Um alto número de forças militares e navais estava diretamente envolvido nesse conflito, representando ambos os lados. Calcula-se que tenham sido em torno de 900 mil soldados lutando a favor do império russo e aproximadamente 600 mil combatentes levantando a bandeira da aliança adversária.

O número de baixas também foi bastante alto. Além das mortes causadas pela própria guerra, muitas pessoas foram acometidas por doenças como a cólera, por exemplo. A Guerra da Crimeia foi um combate intermitente, marcado pelas campanhas militares alternadas pelos contatos diplomáticos, além das várias negociações em busca do alcance de paz.

Afinal, quais foram as causas da Guerra da Crimeia?

Como grande parte dos conflitos históricos, a ambição protagoniza essa guerra. Nesse caso foram as ambições expansionistas do Império Russo que geraram o combate, diante do declínio e enfraquecimento do Império Otomano durante a primeira metade do século XIX. Tanto a França como a Grã-Bretanha temia que o fortalecimento exagerado da Rússia causasse algum dano aos frágeis equilíbrios de poder na região. O medo dos países originou no apoio aos otomanos, e a entrada em guerra com a Rússia.

Haviam ainda algumas questões de prestígio em jogo, particularmente por parte do imperador francês Napoleão III. Ele tinha como ambição a elevação do seu estatuto internacional, então viu na guerra uma grande oportunidade. As causas próximas da guerra ainda envolveram todos os cristãos da Terra Santa que estavam sob a administração otomana.
Foi exigido por parte do czar alguns direitos de proteção sobre esses cristãos ortodoxos. Enquanto isso, a França reclamava-se como protetora de todos os católicos. Todos esses pormenores eram apenas meros pretextos para todo o jogo diplomático na arena internacional. Rapidamente esse jogo se transformou num grande conflito, gerando a guerra que trouxe diversas e graves consequências.

Qual foi o desfecho desse conflito?

E após um grande embate, a Rússia acabou derrotada na Guerra da Crimeia, sendo obrigada a abrir mão de seus projetos de expansão nos Balcãs, além de recuar na Crimeia e começar a respeitar a integridade do Império Otomano.

Ainda houve outras consequências com o fim da guerra, como a declaração do Mar Negro como zona neutral, sendo aberto à marinha de todas as nações (porém continuou interditado para os navios de guerra). A derrota russa na batalha de Sebastopol (1855) foi o motivo da precipitação do acordo de paz no ano seguinte. Porém foi a própria opinião pública (tanto britânica quanto francesa) que fazia pressão nos respectivos governos para promover a paz. As pessoas acreditavam que esse conflito era totalmente desnecessário, sendo um motivo completamente inútil para causar mortes e sofrimentos desnecessários.

Outro fato que merece total destaque é a Guerra da Crimeia ser considerada o primeiro conflito da Era Industrial. Com isso, esse foi o primeiro combate que teve registros fotográficos, além do intenso uso de telégrafo e o caminho-de-ferro. Em paralelo a esse conflito, houve outras novidades que surgiram na época, referentes às táticas utilizadas pelos militares: o uso de trincheiras e também de fogo de barragem da artilharia. Essas táticas foram facilmente generalizadas mais tarde, tornando-se comumente utilizadas.

Falando mais sob o aspecto militar do conflito, a Guerra da Crimeia foi um ponto interposto entre Waterloo e a Primeira Guerra Mundial. Apesar dos exércitos empregarem seus uniformes e táticas de uma maneira napoleônica, as armas utilizadas eram “melhorada”. Ou seja, as armas eram letais e de manejo facilitado. O combate realçou a importância da logística, das trincheiras e também o poder de fogo. Isso antecipou a experiência da Guerra Civil Americana, ocorrida entre os anos de 1861 e 1865.

Ainda há o registro de muitas outras inovações após a Guerra da Crimeia. Navios de guerra começaram a ser blindados, surgiu o telégrafo elétrico intercontinental, as minas submarinas apareceram e também a fotografia de guerra começou a ser utilizada (supracitada como primeira experiência na Guerra da Crimeia). A baixa humana foi imensa:

• 25.000 britânicos;
• 100.000 franceses;
• Um milhão de russos.

Eles morreram, além dos combates, em decorrência de doenças ou ainda negligência. O aspecto humano da Guerra da Crimeia foi reconhecido na Grã-Bretanha através da introdução da mais alta condecoração por bravura, a “Victoria Cross”.