Academia Francesa


Fundada em 1634 pelo Cardeal Richelieu, a Academia Francesa foi inspiração para a formação da brasileira. A semelhança não se deu apenas na formação, mas na estrutura sobre a quantidade de membros e até mesmo o uso dos fardões. Criada inicialmente para estabelecer padrões literários da língua francesa, desde sua fundação permitiu a inclusão de escritores de outras nacionalidades desde que usassem a língua francesa, o que não ocorre com a academia brasileira.

Academia Francesa

Ainda hoje a Academia Francesa é uma das organizações mais antigas e tradicionais do país e tem importância fundamental para a literatura mundial. Denominados “imortais”, seus membros são selecionados de acordo com sua relevância e influência sobre a língua francesa. Cada membro tem direito a uma das quarenta cadeiras, de onde só sai após sua morte.

Origem da academia francesa

O cardeal Richelieu, também Duque de Richelieu e de Fronsac, foi uma das figuras históricas mais importantes da França e que foi peça fundamental na liderança do país na Europa do século XVI e XVII. Descendente de uma família nobre de Poitou, se tornou Bispo e Luçon em 1607, orador do clero em 1614 e se tornou cardeal em 1622. Como conselheiro do Rei Luis VIII e em seguida seu Primeiro-Ministro, Richelieu foi determinante para o combate contra os protestantes e ingleses.

Para proteger os limites franceses, também combateu os católicos Habsburgos, que governavam a Espanha e a Áustria, se aliando aos protestantes alemães para sair vitorioso. Sua influência sobre o rei perdurou por toda vida, dando continuidade a política absolutista, valorização das finanças, exercito e legislação.

Richelieu era também um grande incentivador das tradições francesas e viu num grupo de escritores que se reuniam para falar de literatura, uma ótima oportunidade de estruturar e criar regras para a língua francesa. Na época de Luis XIII a França era considerada a capital cultural do mundo, recebendo grande efervescência intelectual. O linguajar exuberante e rebuscado era usado pela alta sociedade e nobreza, chamados de preciosos.

Intelectuais como Alfred Malherbe, Vicente Voitiure, Balzac, Racan entre outros, se reuniam em casas nobres como da marquesa de Rambuillet para trocar ideias, informações e, principalmente, demonstrar sua inteligência para se destacar. Enquanto isso, outro grupo de eruditos se reunia na casa do secretário do Rei Luis XIII, Valentin Conrart. Dentre eles estava o braço direito do Cardeal Richelieu, que o manteve a par dos acontecimentos naquele local.

Para expandir seu poder, Richelieu viu nessas reuniões uma ótima oportunidade de se aliar à elite intelectual francesa. Dessa forma seria muito mais fácil mantê-la aliada ao Estado. Seu foco era valorizar a clássica arte estética em detrimento ao barroco, impedindo seu avanço sobre a França. Logo convidou os intelectuais desse grupo a criarem reuniões em instituições oficiais, para que tivessem proteção e incentivo do governo. No início eram nove eruditos credenciados, que foram para 29 e terminaram com 40.

Formação e importância da Academia Francesa

O epíteto de “os imortais” foi definido a partir de uma das principais regras desse novo grupo, no qual um membro só sairia após sua morte. Os próprios acadêmicos elegiam os novos integrantes para ocupar as cadeiras vagas, sempre seguindo os principais parâmetros da nova Academia.

Mas seu principal intuito era cultivar a língua francesa, inclusive dotando regras ao idioma para mantê-la o mais pura possível e fluente, capaz de emoldurar não só as artes como também a ciência. O anfitrião da casa, Valentin Conrart, que iniciou o grupo, foi o primeiro secretário perpétuo da Academia e direcionou o grupo a sua primeira ação oficial ao criar o primeiro Dicionário da Língua Francesa.

O nome de Academia Francesa foi inspirada em “Akademos”, localizada em Atenas e onde Platão ensinava filosofia. Foi uma forma de salientar a busca pelo tradicional, num nome que já havia sido utilizado para definir um grupo de artistas plásticos italianos.

A Academia Francesa foi oficialmente estabelecida em 22 de fevereiro de 1636, pelo Rei Luis XIII. Foi fechada durante a Revolução Francesa e só retornou durante o governo de Napoleão Bonaparte, mantendo até os dias de hoje a função de regulamentar o vocabulário e gramática da língua francesa.

Mesmo que não tenham a força da lei, suas decisões são geralmente consideradas e mantém a publicação do dicionário oficial do francês. Já foram produzidas nove edições de seu dicionário que serve como base para todas as escolas literárias do país. A valorização da língua é nítida na população, que tem dificuldade em inserir palavras inglesas em seu vocábulo cotidiano, sendo até mesmo criticada pelo radicalismo.

Os primeiros imortais, seguidos pelo número de suas cadeiras, foram Pierre Séguier, Valentin Conrart, Jacques de Serizay, Jean Desmarets de Saint-Soelin, Jean Ogier de Gombauld, François de Le Melel de Boisrobert, Jean Chapelain, Claude de Malleville, Nicolas Faret, Antoine Godeau, Phillippe Habert, Germain Habert, Claude-Gaspart Bachet de Méziriac, François Maynard, Guillaume Bautru, Jean Sirmond, François de Cauvigny de Colomby, Jean Baudoin, François de Porchères D´Arbaud, Paul Hay Du Chastelet, Marin de Le Roy de Gomberville, Antoine Gérard de Saint-Amant, Gullaume Collet, Jean Silhon, Claude de L´Estoille, Amable de Bourzeis, Abel Servien, Jean-Louis Guez de Balzac, Pierre Bardin, Honorat de Bueli, Pierre de Boissat, Claude Favret de Vaugelas, Vicent Voiture, Honorat de Porchères Laugier, Henri-Louis Habert de Montmort, Marin Cureau de la Chambre, Daniel Hay Du Chastelet de Chambon, Auger de Moléon de Granier, Louis Giry e Daniel de Prièzac.

O acadêmico pode ser expulso da academia caso demonstre impropriedade de sua conduta. Ao todo foram vinte intelectuais expulsos até hoje, por motivos políticos e criminais. O primeiro presidente da academia foi o Cardel Richelieu.