Revolução Cubana


A Guerra da Independência Cubana, que evoluiu para a Guerra Hispano-Americana, foi a última de outras três que tinham como objetivo libertar a nação da Espanha. Foram 30 anos de batalhas que resultaram em mais de 300 mil pessoas mortas. Cuba foi, portanto, uma das últimas nações americanas a se declarar livre dos colonizadores.

Revolução Cubana

Com o apoio bélico dos EUA, após sua independência com a Espanha Cuba selou um laço comercial e político com os americanos, que incluía a possibilidade de intervenção plena sobre a ilha. Dessa forma, Cuba saiu da colonização espanhola para ficar sob um domínio implícito dos americanos, que acabaram abrindo espaço para a Revolução Cubana. A guerra retirou a influência americana da ilha e instaurou o comunismo.

Período que antecede a Revolução Cubana

Ao se tornar um Estado independente, Cuba teve o comando de José Marti, um intelectual que tinha todo o apoio americano para estar no poder. Com estreitos laços políticos, Marti permitiu e assinou a Emenda Platt dando plenos poderes aos Estados Unidos, que poderiam intervir livremente nas posições políticas, culturais e econômicas da Nação.

Em pouco tempo Cuba se transformou no que se chama de “quintal” americano, trazendo grandes empresas americanas para a região, mas que tinham como foco a exploração do trabalho nativo, isenções econômicas e inclusão da cultura americana em detrimento da gerada pela população. Isso transformou Cuba num Estado de política frágil, dependente e que se submetia rigorosamente ao comando americano, causando ainda mais prejuízos e desconfortos do que a colonização espanhola.

Depois da declaração de independência espanhola, Cuba recebeu várias ocupações militares americanas em seu território, como forma de impor ainda mais a ideia de que a ilha devia obediência americana. Os Estados Unidos incluíram em seu território os 117 km² de Guantánamo, que fica ao sul da ilha; lá, construíram sua base naval e uma prisão que atualmente abriga terroristas e presos de guerra.

Fulgêncio Batista virou presidente pela primeira vez num golpe de estado chamado de “Revolta dos Sargentos”, que derrubou o ditador Gerardo Machado. E mesmo após sair do poder, se manteve no controle por trás dos outros presidentes que serviram apenas como fantoches sob sua influência.

Em 1940 Fulgêncio Batista foi eleito democraticamente pelos cubanos, com uma plataforma populista e apoio irrestrito americano. Apoiou os aliados na Segunda Guerra Mundial e abriu as indústrias de açúcar, turismo e cassinos aos americanos. Seu governo foi pontuado pelo rigor da violência e por uma corrupção sistêmica, que logo deixaram os cofres públicos vazios. Voltou a concorrer à presidência em 1952 e, diante do evidente fracasso, liderou um golpe militar e tomou novamente o poder.

Neste momento instalou uma ditadura com suspensão da Constituição que ele mesmo havia criado em 1940, instaurou a pena de morte, revogou as liberdades políticas, aumentou seu salário e ainda assim foi reconhecido pelos americanos como presidente de Cuba. Em seu governo as diferenças sociais ficaram ainda mais evidentes e graves, com latifundiários ainda mais ricos pela ligação com os americanos e a população ainda mais pobre com a exploração.

Enquanto Cuba ostentava luxuosos nightclubs, com cassinos e hotéis comandados pela máfia americana, a população era negligenciada em suas necessidades básicas e oprimida politicamente. Fulgêncio se defendia de todas as formas contra qualquer possibilidade de oposição ao seu governo, através de torturas e assassinatos.

A Revolução Cubana

Os primeiros indícios da revolta foram iniciados pelos estudantes, que começaram a se mobilizar. Com suas ideias revolucionárias chegaram até mesmo a atacar o palácio presidencial, mas os lideres foram mortos e os grupos dispersos. Em seguida outro grupo de estudantes, liderado por Fidel Castro, começou a se formar e a agir para atingir seus objetivos.

O início da Revolução Cubana se deu quando esse grupo de Fidel assalta o Quartel Moncada e Bayamo em Santiago, no ano de 1953, para roubar armas. Considerado um ataque suicida, o líder Fidel Castro e seu irmão foram condenados a 15 anos de prisão, mas foram libertados após dois anos de intensa pressão política em Fulgêncio Batista.

Fidel e Raul Castro foram exilados no México, de onde puderam reorganizar seus guerrilheiros para tomar Cuba de Batista. Foi neste período que conheceram o médico Ernesto Che Guevara, que se uniu a eles para liderarem um pequeno exército – que, mesmo com inúmeras baixas, conseguiu conquistar várias cidades cubanas contra Fulgêncio Batista.

O discurso dos rebeldes era de um novo governo revolucionário, baseado na justiça social. Dentre as propostas estavam a de reforma agrária, controle governamental das indústrias e tornar as necessidades básicas da população a prioridade. Com a condição de extrema pobreza e falta de perspectivas que a população vivia, os camponeses se uniram ao pequeno exército e ampliaram as vitórias em ainda mais cidades.

Após conquistar inúmeras cidades com o apoio da população, os rebeldes acabaram com o governo de Fulgêncio Batista em 1959 e iniciaram um novo regime político e econômico no país. Baseados nas ideias do filósofo Karl Marx e dos comunistas europeus, o novo governo tinha como base a melhoria das condições de vida dos mais pobres.

Como todas as propostas do novo governo contrariavam os interesses americanos, logo os EUA começaram a responder Cuba com suspensões de exportações de açúcar, deixando a economia cubana com profundas dificuldades. Ao mesmo tempo a URSS se aproximou ainda mais de Cuba, oferecendo uma maior sustentação da nova política.

Os EUA estavam sob o governo de John Kennedy e iniciaram retaliações mais profundas nos Cubanos, como o rompimento das ligações diplomáticas, tentativas de contragolpes e invasão das Baia dos Porcos, que só deixaram ainda mais claros e fortes os laços cubanos com os russos.

A URSS aproveitou a união com Cuba para instalar mísseis apontados para os americanos e transformar a ilha no território estratégico mais importante, que ficava ao lado do país inimigo. Como era o auge da Guerra Fria, os EUA reagiram e isolaram Cuba economicamente do resto do mundo.

Dessa forma, Cuba acabou não conseguindo andar de forma independente como desejava, já que precisava do apoio russo para que sua economia pudesse se movimentar. Logo os projetos sociais que tanto eram mencionados começaram a tomar corpo e a qualidade de vida da população teve um grande salto. Cuba se transformou num dos países referências mundiais em educação, saúde e esportes, pelo seu foco total nessas áreas.

Fidel Castro foi primeiro-ministro de Cuba entre 1959 a 1976 e presidente entre 1976 até 2008, quando saiu por motivos de saúde e deixou seu irmão no lugar. Nacionalista e marxista-leninista, era também o líder do Partido Comunista de Cuba até 2011. Advogado e filho de uma família rica e dona de fazendas, suas ideias foram formadas quando estudava na Universidade de Havana. Seu governo era socialista autoritário unipartidário, levando Cuba a uma ditadura socialista que promoveu o planejamento econômico central, atingiu os mais altos índices de desenvolvimento humano e social, a menor taxa de mortalidade infantil de todas as Américas, a erradicação do analfabetismo e a desnutrição infantil. Porém, possuía total controle estatal: suprimiu toda e qualquer liberdade de expressão e de imprensa, oprimindo os rebeldes com prisões e penas de morte.

Após a dissolução da URSS, Cuba ganhou novas ideias de antiglobalização focadas no ambientalismo, mantendo sua imagem externa controversa. Enquanto críticos o intitulavam de ditador totalitário, muitos admiravam Fidel Castro como um dos mais importantes líderes da história da humanidade.