Barão de Mauá e a industrialização no Império


Irineu Evangelista de Souza, ou, como ficou conhecido, o Barão de Mauá, foi um dos maiores responsáveis pela industrialização do Brasil no período imperial. Ele foi tão importante que este período é chamado historicamente como a “Era Mauá”, o que ajuda a ilustrar o quanto isso foi um divisor de águas na realidade do Brasil.

Barão de Mauá e a industrialização no Império

Por este motivo, é de extrema importância conhecer bem como a industrialização se deu através das estratégias do Barão de Mauá. A seguir, aprenda tudo o Barão de Mauá e a industrialização no Império.

Quem foi o Barão de Mauá

Nascido na então Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio Grande, no que hoje é o Estado do Rio Grande do Sul, Irineu Evangelista de Souza se tornou um comerciante e empresário bastante sagaz.
Inteligente e visionário teve sua ascensão social baseada em trabalho duro. Também foi diplomata, banqueiro, político e industrial e teve um papel gigantesco no desenvolvimento da indústria nacional em sua época.

O início de sua vida de trabalho foi ainda muito jovem, quando com 11 anos já atuava como balconista de um comércio de tecidos. Aos 23 anos se tornara sócio de seu próprio empreendimento focado em produtos importados, o que o levou a viajar para Inglaterra para conseguir insumos.

Foram estas viagens que fizeram com que ele percebesse que haviam oportunidades a serem criadas por aqui. Junto a isso, havia a Lei Alves Branco, de 1844, que tinha aumentado os impostos dos produtos importados, dificultando os negócios.

O Barão de Mauá, portanto, percebeu que era preciso focar na produção interna e assim agiu, de forma bastante audaciosa e focando em um futuro mais promissor. Foi quando conseguiu investimentos bancários a fim de estaleiros na região de Niterói, que mais tarde se tornariam a indústria naval imperial.

As indústrias de Irineu não ficam focadas somente na produção de barcos, mas também desenvolveram o mercado interno de máquinas a vapor, pequenos guinchos e marcenaria, canos e até armas, diversificando seus mercados e se tornando o gestor mais bem sucedido de sua época.

Com uma visão bastante moderna e capitalista impregnada dos exemplos que viu na Inglaterra, Irineu conseguiu ainda mais investimentos e passou a fornecer serviços para iluminação pública, rodovias e ferrovias. Foi devido a estes empreendimentos e seu trabalho incansável que conquistou o título de Barão de Mauá.

Ele ainda fundou bancos e com seu pensamento que ia além de seu tempo, baseado na economia liberal, também defendia o livre mercado e o fim da escravidão. Foi este tipo de pensamento que fez com que ele se tornasse alguém não muito querido de muitos latifundiários da época e ainda que fosse perseguido, criticado e algumas situações, até sabotado em alguns de seus projetos.

O barão de Mauá ainda investiu seu dinheiro e atuou nas áreas de transportes, com bondes puxados por tração animal e até na internacionalização do país, com uma empresa de telégrafos submarinos que ligava o Brasil à Europa. A euforia, a competência e o trabalho sem fim do Barão de Mauá, ajudaram com que tivesse sucesso o suficiente para se tornar um investidor bancário e com outros sócios, criou a Banco Mauá & Cia, que ainda naquela época, chegou a ter diversas filiais, inclusive no exterior.

Tudo isso fez com que soluções que antes só pudessem ser encontrada fora do Brasil passassem a fazer parte da economia nacional. Houve então uma explosão de negócios contando com fornecedores nacionais. Isso foi possível também devido às políticas de protecionismo da época.  Neste período foi criado o Código Comercial, que regulamentava as transações comerciais das empresas que surgiam. Todo este desenvolvimento e crescimento incomodava os escravagistas e produtores rurais do país, e foi aí que começou a se dar seu fim.

A queda do Barão de Mauá

O ano de 1875 é marcado historicamente pela crise da Era Mauá, mas sua crise e decadência se deram um pouco antes. Já em 1865, criou-se a “Tarifa Silva Ferraz” que veio para reduzir os custos de produtos importados mais uma vez. Isso acabou atingindo em cheio os negócios do Barão de Mauá e a industrialização no Império, já que muitos empresários passaram a adquirir produtos vindos de fora.

Havia ainda muitos líderes que não simpatizavam com as ideias modernizadoras dele, e outras dificuldades foram surgindo no caminho. Com isso, suas empresas, inclusive o banco, acabaram indo a falência e ele se viu obrigado a vender a maioria de seus negócios para liquidar as dívidas.

Por algum tempo, ainda se manteve ativo, mesmo que não como sócio destas empresas. Mais tarde, com a ajuda de seus familiares e com o pouco de capital que lhe restara, passou a se dedicar a corretagem de café.
Mas isso não durou muito, já que a idade avançada e a diabetes o impediram de chegar novamente o a sucesso. O Barão de Mauá e a industrialização do Império sofreram, portanto, um grande baque devido ao pensamento retrógrado e escravagista de seu tempo.

Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, faleceu com 76 anos de idade poucas semanas antes do fim do Império, em sua casa em Petrópolis.