Burgúndios


Os Burgúndios foram uma tribo do leste germânico, com origem na Escandinávia, que viveu principalmente no século 4. Também eram conhecidos como “montanheses”.

Burgúndios

Suas primeiras impressões surgiram, na verdade, no século I, na Polônia, antes de começarem a migração. Passaram algum tempo na área que atualmente é Berlim, antes de efetivamente irem para oeste. Então, no ano de 411, o imperador romano gaulês (e usurpador) Jovino determinou que uma região próxima ao rio Reno fosse deixada aos cuidados do rei burgúndio Gundário. Não foi por acaso: Jovino era um fantoche de Gundário, colocado no poder justamente com esse objetivo. Esse foi o início do primeiro reino burgúndio.

A presença do povo burgúndio permaneceu sem maiores mudanças até 435-436, quando tentaram expandir seu território para a Gália Bélgica através de repetitivas incursões. Foram impedidos por um general romano chamado Flávio Aécio, cuja batalha que liderou matou o rei Gundário. Para tanto, Aécio convocara os mercenários hunos, que obviamente saíram vitoriosos. Em seguida, sob comando agora de Gundioc, os que sobraram dos burgúndios se estabeleceram ao redor do lago Genebra. Por mais alguns anos, viveram em paz, novamente com o status de federados como antes possuíam para ficar na margem do Reno.

Em 451, acabaram por se unir a Aécio, apesar de terem sido inimigos anteriormente, para impedir a invasão de Átila. Esta batalha, conhecida como batalha de Chalons (ou batalha dos Campos Cataláunicos), uniu o povo burgúndio e os hunos, bem como outras tribos. Borgonha era já há um tempo uma grande aliada de Roma, que se encontrava em sua época de baixo império. Todo esse período foi o segundo reinado de Borgonha.

Em 455, houve uma acusação feita a um líder burgúndio, considerando-o traidor, por ter supostamente participado do assassinato de Petrônio Máximo durante o caos ocorrido logo antes do saque de Roma. Não só ele, mas o aristocrata Ricímero também foi acusado – RIcímero era muito provavelmente parente de um ou dois dos últimos reis burgúndios.

Em 456, o povo burgúndio entrou em acordo com senadores romanos locais para expandir seu território mais um pouco e fazer uma divisão de forças. Infelizmente para eles, esses acordos não duraram muito tempo. Ricímero causou a queda de outro imperador de Roma, Ávito, e colocou no lugar Majoriano. Só que Majoriano não serviu aos propósitos de Ricímero e, ao invés disso, expulsou os burgúndios após um só ano de reinado, em 457. Alguns anos depois, ele foi assassinado por Ricímero.

Em 472, Ricímero voltou para o quadro ao planejar o assassinato de seu então sogro, o imperador da Roma Ocidental Antêmio. Ele conseguiu que Gundebaldo decapitasse o imperador. Ricímero colocou no trono Olíbrio, mas ambos morreram em pouco tempo de causas naturais. Gundebaldo então fica no lugar de Ricímero como “indicador de imperadores”, colocando Glicério em 473 – mas ele foi deposto por Júlio Nepos no ano seguinte. Gundebaldo voltou para Borgonha para dividir o reino entre seus irmãos, após a morte do pai, rei do reino burgúndio até o momento.

A briga pelo poder em Borgonha foi uma bagunça sangrenta nos anos seguintes. Depois de batalhas, assassinatos e traições, Gundebaldo se tornou o único rei de Borgonha, em meados de 500. Em 516 ele morreu. Antes disso, havia dominado a Gália, o sudeste da França e o oeste da Suíça.

Em 534, os burgúndios foram conquistados pelos francos. O reino burgúndio acabou por ser absorvido pelos reinos merovíngios, deixando então de existir por si só.

Leis, religião e nome

As leis burgúndias foram divididas em três códigos legais, alguns dos mais antigos já deixados por tribos germânicas. O primeiro, O Livro da Constituição Segundo a Lei de Gundebaldo, também conhecido como Lex Gundobada, foi lançado em partes entre os anos de 483 e 516. Eram leis e regras típicas desse período germânico. Depois, também houve um anexo da “Lei Romana dos Burgúndios”, seguindo a ideia de leis diferentes para diferentes etnias, e mais tarde o tríplice código legal se encerrou com o Prima Constitutio, lançado por Sigismundo, filho de Gundebaldo.

A religião dos burgúndios era majoritariamente arianista, ou seja, uma visão cristã baseada no presbítero cristão Ário. Ário vinha dos tempos da igreja primitiva, que negava a ideia de que Jesus fosse Deus. Essa visão religiosa colocava o povo burgúndio como suspeito nos olhos do Império Romano Católico. Entretanto, essa relação começou a mudar com Gundebaldo, e principalmente com seu filho, declaradamente católico. Muitas conversões surgiram nessa época, 500, quando o segundo reino burgúndio já se aproximava do fim.

O nome burgúndio, a princípio, era relacionado ao que hoje é a França, mas é na realidade referente à região da Borgonha. Apesar disso, os descendentes atuais vivem em áreas da Suíça e da França, ainda devido à sua expansão territorial.

Principais reis burgúndios

– Gondicário (413-436)
– Gundíoco (437-470)
– Gundomário (470)
– Quilperico (470-474)
– Godegisel (470-500)
– Gundebaldo (500-516)
– Sigismundo (516-524)
– Godomário (524-534)