O Clero


A Idade Média foi um período de intensas transformações, que até os dias de hoje repercutem nas sociedades ao redor do mundo, especialmente nas localizadas no Ocidente. Ela é chamada também de idade das trevas, pois de acordo com o senso comum muita coisa foi feita nesse longo período de tempo que abrange 15 séculos. As evidências científicas contrariam essa posição, pois durante a Idade Média muita coisa ocorreu, e grande parte desses acontecimentos se deve à instituição mais poderosa e influente da época: a Igreja Católica.

O Clero
A história da Igreja Católica começa com a ascensão e ressurreição de Cristo, no entanto, foi somente quatro séculos depois, quando a perseguição dos romanos aos cristãos cessou devido a conversão do Imperador Constantino ao catolicismo, que essa religião começou a exercer seu domínio sobre a maquinaria cultural, social e econômica da Europa e parte do Oriente Médio.

Assim, quando se pensa nesse período histórico é impossível não pensar automaticamente na Igreja Católica, que possuía um complexo sistema que permitiu manter seu domínio sobre a população, mesmo que isso tenha causado diversos episódios que hoje são considerados verdadeiras barbaridades, como as Cruzadas e a inquisição. Partes fundamentais do sistema que era o clero.

Organização do clero

Os clérigos foram criados a partir do momento em que os fiéis começaram a fazer doações à Igreja Católica como forma de demonstrar devoção. Isso significa um grande número de posses, materializadas por terras, e surgiu a necessidade de criar um sistema para gerenciar esses bens: os clérigos, que foram uma espécie de “braço” da igreja responsável por sua influência política e econômica. Esse é o motivo dos clérigos terem que se submeter ao celibato (privação sexual), pois essa medida era capaz de preservar os bens da igreja à medida que esses homens não se casavam e não tinham obrigações de manter uma família.

Os clérigos são divididos em dois grandes grupos. O primeiro é o tipo regular, formado por membros de uma ordem religiosa específica, a exemplo dos monges franciscanos, clérigos que se isolam nos mosteiros para viver uma vida de privação. O segundo tipo é o secular, composto por clérigos que vivem junto à população leiga, responsável pelo aconselhamento e tarefas administrativas, como os padres, bispos e arcebispos.

Função e história do clero

Esse termo é utilizado no contexto da Igreja para se referir a um grupo de homens treinados pela instituição para que possam se tornar eclesiásticos, preservando e propagando, quer seja internamente, ou junto à população, a doutrina católica. Apesar de o nome ser pouco usado no dia a dia, ele se refere a figuras da igreja bastante conhecidas, como padres, bispos, monges, arcebispos e o papa.

Esse grupo é parte fundamental da organização interna da igreja, pois possuíam (e ainda possuem) grande importância social nas comunidades feudais, sendo junto com outros mecanismos da igreja, responsáveis pela regulação da vida civil dos europeus após a queda do Império Romano do Ocidente, que data de 476.

O poder sempre foi o responsável pelo estabelecimento da ordem dentro de sociedades, mesmo aquelas mais antigas sobre as quais se tem registro. E na Idade Média este poder se concentrava em duas principais frentes: na igreja e na nobreza. Assim, naturalmente ambas se uniram para que pudessem estabelecer a ordem, sempre tendo em vista a preservação de seus privilégios e interesses.

Dessa união entre nobreza e igreja, nasceu as chamadas Guerras Santas, nas quais o objetivo da igreja, na visão da população, era o combate às pessoas infiéis, que não eram cristãos e não obedeciam os mandamentos de Cristo. No entanto, o verdadeiro objetivo dessas guerras, não declarado à população, era a conquista de terras e outros bens que representassem vantagem econômica para a nobreza e para a igreja.
Não à toa, a Igreja Católica é uma das instituições mais ricas de todo o mundo, com um patrimônio gigantesco em bens imóveis, bens móveis e culturais, a exemplo de diversas obras de arte.

No entanto, com o passar dos séculos, foi ficando claro para o papado e para a população como um todo que existiam rachaduras nessa instituição que um dia foi tão homogênea, resultado na Reforma Protestante. O clero era acusado de ser corrupto e promíscuo. Assim, em uma tentativa de reverter esse quadro, foi feita a Reforma Católica, que tinha como objetivo preparar melhor o clérigo para o exercício de suas funções.

Foi durante essa reforma que surgiu a obrigatoriedade dos padres frequentar seminários, dentre diversas outras medidas. No entanto, ainda assim a estabilidade da Igreja Católica se encontrava ameaçada, pois os clérigos vinham em sua maioria da nobreza, ou seja, colocavam os interesses particulares acima dos interesses da igreja, dando sequência a já conhecida corrupção.

A dominação política e econômica da igreja durou até 1789, ano em que começa a Revolução Francesa, responsável por substituir os ideais católicos presentes nas sociedades feudais por ideais iluministas nas sociedades modernas. Para que isso ocorresse, uma das primeiras medidas da Assembleia Nacional francesa foi dar fim a todos os benefícios que as camadas mais altas das sociedades feudais tinham, bem como socializar todos os bens da Igreja, marcando o fim da influência política dos clérigos nas sociedades modernas.