Toyotismo


O Toyotismo, que também é popularmente conhecido pelo termo “acumulação flexível”, nada mais é do que um modelo de produção desenvolvido pelos japoneses. Ele foi desenvolvido por Eiji Toyoda.

Esse tipo de sistema foi claramente difundido a partir da década de 1970 e ganhou esse ‘apelido’ uma vez que a sua primeira aplicação foi pela fábrica de veículos automotivos Toyota. E foi a partir dessa mudança que a montadora japonesa se tornou extremamente rentável, o que se segue também nos dias atuais.

Toyotismo

Quais são as principais características do Toyotismo?

Certamente o principal fator que caracteriza o Toyotismo é a própria flexibilização dos produtos da fábrica que aposta nesse sistema. Tal característica, durante o período em que ele foi implantado, é totalmente oposta ao que era aplicado anteriormente – o Fordismo.

Neste sentido, a principal defesa do sistema do Fordismo é de que a indústria deveria acumular um grande número de produtos no estoque, contra essa premissa surge o Toyotismo, que apoia uma estocagem mais adequada com base na demanda dos clientes para cada um dos produtos.

Sendo assim, vamos imaginar o seguinte exemplo: a fábrica da Toyota, desde sempre, tem alguns carros que são priorizados e dessa forma a demanda para compra também é maior. Por outro lado, alguns veículos mais exclusivos – e geralmente mais caros – são comprados por uma parcela menor de consumidores. Portanto, o certo a fazer, segundo as premissas do Toyotismo, é estocar a produção dos veículos automotivos que mais saem.

Isso porque o sistema do Toyotismo acredita que quando a procura por um determinado produto é muito alta, a sua produção deve ser aumentada – juntamente com a sua estocagem. Mas por outro lado, se a procura do mesmo tem sido baixa, o melhor é diminuir também os esforços de produção, destinando-os para os produtos que saem com mais frequência.

Criado em uma fase em que a estrutura do capitalismo se encontrava em crise, o único polo industrial com suporte para a criação de um sistema como esse só poderia ser o Japão. Baseado principalmente em premissas capitalistas, onde o lucro deveria ser priorizado acima de tudo, o Toyotismo também conta com outras regras que caracterizam esse tipo de sistema. Entre elas estão:

• Prioriza-se o trabalho realizado em equipe, assim como a automatização de tarefas. Neste sentido, os trabalhadores são levados a trabalhar em conjunto em praticamente todas as etapas de produção, se responsabilizando especialmente pela sua qualidade. Tanto que, no Toyotismo, o produto só costuma ser liberado após uma intensa inspeção do setor de controle de qualidade;

• O modelo “just-in-time” também foi definido por esse sistema de produção. Ele determina que nada seja produzido, comprado ou até mesmo transportado antes do momento certo. A tradução literal para o termo, no caso, é “na hora/momento certo”. Dessa forma, só eram produzidas as mercadorias que verdadeiramente eram necessárias para aquele momento, na quantidade e no tempo exato;

• E para fazer com que o modelo de gestão ‘Just in time’ pudesse ser efetivado com destreza, o método ‘kanban’ também foi criado, sendo ele responsável pela programação da produção com determinados prazos aos trabalhadores;

• Flexibilização constante de mão de obra;

• Para se adequar às principais necessidades e exigências dos clientes foi nesse período que as pesquisas de mercado começaram a ser utilizadas e implantadas também no setor industrial;

• Controle de qualidade dos negócios.

O Toyotismo hoje

Dificilmente ouvimos falar desse termo nos dias de hoje, não é mesmo? Mas a verdade é que ele se difundiu de uma forma tão intensa por todo o mundo que, em vários países, ele já se tornou um padrão de produção.

E um exemplo de nação que aposta no Toyotismo é o próprio Brasil, uma vez que temos vários fábricas e indústrias que apostam nesse sistema para produção de suas mercadorias. E os motivos são principalmente pelos atrativos que ele proporciona: seja por possibilitar uma margem de lucro mais alta ou pela própria economia de custos, garantindo a empresa um maior controle sobre suas vendas e gastos.

E por mais que o Toyotismo possa parecer um modelo de produção que dê mais valor aos trabalhadores e operários (pelo menos quando em comparação com o Taylorismo ou com o Fordismo) infelizmente isso é uma ilusão.

Quando estamos ‘presentes’ na realidade da fábrica, o que verdadeiramente acontece é uma concorrência, ou melhor, uma disputa intensa que ocorre entre os próprios trabalhadores. O que eles querem? Destaque na produção, mostrando que seu índice de produtividade é maior do que o do outro, por exemplo. Além da automatização, que “rouba” o trabalho que vários funcionários exerceriam.

E são exatamente essas disputam que sacrificam de forma cada vez mais agressiva os profissionais, o que também alerta para uma consequência: o desemprego. E no fim, o Toyotismo também pode ser caracterizado como um modelo que aumenta a exploração da mão de obra do trabalhador, assim como já ocorria anteriormente.