Barroco: O Barroco mineiro


O barroco foi uma revolução cultural que ocorreu no início no século XVI, caracterizada pelo declínio da igreja católica ante a reforma religiosa que acontecia nessa época. Durou até o século XVIII, sendo considerado um marco na arte, filosofia e estilo do Ocidente, que passava por um processo de mudança do pensamento teocêntrico para a ideia antropocêntrica.

O amadurecimento do movimento barroco teve início, primeiramente, no campo das artes plásticas, atingindo logo depois áreas como literatura, música e teatro, sendo que seu centro cultural começou na Itália.

No Brasil, o movimento barroco iniciou no ano de 1601, época em que a economia do País era sustentada pelos engenhos de cana-de-açúcar e a capital do País ainda era Salvador, na Bahia. Os nomes de destaque do barroco brasileiro são Gregório de Matos e Aleijadinho.

O Barroco mineiro

Foram os temas sacros que alcançaram maior relevância na arte barroca brasileira, influenciado diretamente pelo barroco português e alcançando seu auge na região de Minas Gerais, estado que foi o centro minerador da época que chamamos de Brasil Colônia.

O barroco mineiro

O barroco mineiro sofreu diversas influências da arte barroca exercida em outras partes do País, como Salvador e Rio de Janeiro. Foi graças à enorme movimentação econômica que acontecia no estado de minas no Brasil oitocentista que o barroco ganhou espaço e visibilidade, pois essa movimentação agitava não só a economia da época, como também as atividades culturais.

O catolicismo popular foi uma das principais influências para o surgimento das irmandades legais, que eram compostas por profissionais liberais, artistas e escravos que prestavam assistência mútua e tinham em comum a prática da devoção religiosa.

Algumas cidades mineiras, como São João Del Rei, Mariana e Ouro Preto foram palco de grandes obras arquitetônicas barrocas que sobrevivem até os dias atuais, feitas por membros dessas irmandades.

Essas obras arquitetônicas eram compostas principalmente por igrejas, sendo que em seu interior eram pintadas diversas imagens, geralmente no teto e instaladas inúmeras esculturas. Essas imagens e esculturas possuíam temas cristãos, fortalecendo a ideia da prática religiosa instaurada na sociedade da época. O barroco mineiro traz consigo toda a áurea religiosa, mesmo nos pequenos detalhes. Altares eram construídos de forma suntuosa, geralmente de madeira, com imagens de anjos, santos, espirais e flores entalhadas, e a maioria das obras eram revestidas por camadas de ouro, minério que ainda existiam em abundância nessa região do Brasil. Os tetos das construções faziam referência ao céu com suas pinturas detalhadas e ricas, detalhes que aumentavam a sensação de profundidade dentro das igrejas.

As características do barroco, segundo especialistas, foram inspiradas na contrarreforma que a igreja católica vinha sofrendo, tendo como intuito dar mais espiritualidade e emoção à ideia renascentista.

Aspectos históricos do barroco mineiro

Alguns aspectos históricos são de suma importância para entender a arte barroca mineira. Na época do Brasil colônia, a coroa portuguesa estava diretamente ligada ao Vaticano, e uma de suas preocupações eram esconder da Santa Sé as riquezas presentes em sua colônia, o Brasil. Sendo assim, a organização social aconteceu naturalmente: as classes mais ricas dividiam-se entre as ordens do Carmo e de São Francisco de Assis e as mais pobres formavam as confrarias e as irmandades. Foi por esse fator que a arquitetura religiosa da região de Minas Gerais acabou sendo visivelmente diferenciada das outras construções ao longo do território nacional. A rivalidade entre as ordens terceiras e as irmandades resultou em diversas construções. Essas construções acabavam competindo entre si, cada vez mais decoradas e ricas.

As edificações religiosas foram construídas pela população, sem utilizar de auxílio de órgãos oficiais governamentais. A falta de escolas que determinavam estilos específicos proporcionou uma liberdade artística sem igual.

A arte barroca mineira veio retomar as cores fortes das pinturas e esculturas, além do uso de telhados de muitas águas e a preferência pela madeira como matéria prima, entre outras coisas.

Historiadores afirmam que o barroco passou por quatro fases:

Primeira fase: caracterizada por obras de retábulos, altares muito altos e diversos painéis de influência renascentista. Essa fase foi chamada de barroco jesuíta e não chegou à região de Minas Gerais, ficando apenas no Nordeste.

Segunda fase: surgida no ano de 1700, a segunda fase do barroco é chamada de período da antiguidade mineira, tendo como principais características os interiores das construções bastante requintados, porém, com fachadas mais simples.

Terceira fase: a terceira fase do barroco, sendo a segunda fase do barroco mineiro, é reconhecida por fachadas mais detalhadas e elaboradas devido à adição de cantarias e de dosséis no alto dos retábulos. Alguns exemplos da terceira fase do barroco são a Matriz de Santo Antônio, na cidade de Tiradentes e a igreja de Nossa Senhora do Pilar, na cidade de Ouro Preto.

Quarta fase: a quarta fase tem como características o desaparecimento dos dosséis nos retábulos, ocasionando uma forte mudança no estilo. O principal nome do barroco mineiro, Antônio Francisco Lisboa, popularmente conhecido como Aleijadinho, que faz parte da quarta fase.