Brasil – A vinda da Família Real para o Brasil


No começo do século XIX, Napoleão Bonaparte era monarca na França. Ele almejava dominar por inteiro a Europa e para isso venceu as tropas de diversos países. Porém, não conseguiu derrotar a armada inglesa.

Para defrontar a Inglaterra, Napoleão impediu que todas as nações europeias comercializassem com os ingleses. Esse episódio ganhou o nome de Bloqueio Continental.

Nesse período, Portugal era chefiado pelo príncipe governante Dom João. Como Portugal foi um clássico cúmplice da Inglaterra, Dom João se viu em uma situação muito complicada: se executasse o que Napoleão desejava, os ingleses ocupariam o Brasil, uma vez que eles estavam muito atraídos pelo mercado brasileiro; por outro lado, se não executasse, os franceses ocupariam Portugal.

A saída que Dom João achou, com o auxílio dos cúmplices ingleses, foi deslocar o cortejo português para o Brasil.

A vinda da Família Real para o Brasil

Em 1807, Dom João com o seu cortejo e toda a sua família seguiu para o Brasil perante a proteção da armada inglesa. Cerca de 15 mil homens chegaram ao Brasil em 14 caravelas carregando seus documentos, riquezas, acervo de artes, bibliotecas e tudo que conseguiram trazer.

Quando as tropas de Napoleão desembarcaram em Lisboa, só acharam uma monarquia pobre e abandonada.

O príncipe governante chegou a Salvador no dia 22 de janeiro de 1808. Ainda na capital baiana, Dom João disponibilizou os portos brasileiros as nações amigas, possibilitando que embarcações estrangeiras comercializassem com liberdade nos portos do Brasil. Essa providencia foi muito importante para a economia do país.

De Salvador, o cortejo seguiu para o Rio de Janeiro, em que desembarcou em 08 de março de 1808. A partir daí, a cidade do Rio de Janeiro se transformou na capital do cortejo português.

Com a vinda da família real para o Brasil, o país começou a vivenciar tempos gloriosos para a colônia.

Benefícios para o Brasil-externo

A economia portuguesa por muito tempo ficou sobre o comando a Inglaterra. Por esse motivo a resistência de Portugal em aderir integralmente à restrição. Napoleão solucionou o problema determinando a tomada do pequeno império ibérico. Sem condições de defender-se do ataque, a família real, em 1808, deslocou-se para o Brasil, perante escolta inglesa. Iniciou então, aqui no Brasil, o recurso que iria terminar, por fim, na sua autonomia política.

Sem conseguir responder positiva ou negativamente aos franceses por conta do Bloqueio Continental, a condição de Portugal revelava com muita nitidez a incapacidade de conservar o status quo.

Coagida por Napoleão, mas incapacitada de lhe apresentar oposição britânica, o cortejo português estava oscilante. Qualquer escolha representaria, no mínino, a decadência do regime colonial ou do que ainda sobrava dele. A devida autoridade estava ameaçada, sem que fosse permitido perceber uma saída aceitável.

Nessa circunstância, evidencia-se a função exercida por Strangford que, como representante cortês inglês, foi capaz de estabelecer, sem hesitação, a perspectiva da corte britânica.

Para o cortejo de Lisboa empregou-se a seguinte conjuntura: continuar em Portugal e ceder ao controle napoleônico ou dirigir-se para o Brasil. Essa última foi à saída acudida pela Inglaterra.

Benefícios para o Brasil-interno

Cultura

Além das alterações comerciais, a vinda da família real ao Brasil também ocasionou um alvoroço educacional e cultura. Nesse período, foram formadas instituições como a Academia da Marinha, Academia Real Militar, a Escola Real de Ciências, a Escola de Comércio, a Academia de belas-artes, Artes e Ofícios, e duas escolas de Cirurgia e Medicina, uma em Salvador e outra no Rio de Janeiro.

Foram criados o Observatório Astronômico, o Museu Nacional e a Biblioteca Real, cujo patrimônio era formado por diversos documentos e livros vindo de Portugal. Além disso, foi criado o jardim Botânico e o Real teatro de São João. Um comportamento muito considerado de Dom João foi à formação da Imprensa Régia. Ela publicou obras de diversos escritores e traduções de livros científicos. Foi uma época de grande evolução e crescimento.

Política

Com o estabelecimento da corte no Brasil, o Rio de Janeiro virou a capital da monarquia portuguesa e Dom João teve de arrumar todo o governo brasileiro.

Formaram-se três gabinetes: o da Marinha, o da Fazenda e Interior e o da Guerra e Estrangeiros; inseriram também as atividades auxiliares e imprescindíveis ao desempenho do governo, entre eles a Casa da Moeda, o Banco do Brasil, a Casa da Suplicação ou Supremo Tribunal e a Junta Geral do Comércio.

No dia 17 de dezembro de 1815, o Brasil foi promovido a reino e, em 1821, as capitanias começaram a ser chamadas de províncias.

Em 1818 com o falecimento da rainha D. Maria I, a quem Dom João sucedia, aconteceu no Rio de Janeiro a coração e a proclamação do Príncipe Governante, que herdou a denominação de Dom João VI.

Economia

Depois da vinda da família real, duas providencias de Dom João aceleraram o estímulo a economia brasileira: a liberação dos portos e a autorização de criar industrias que tinham sido impedidas por Portugal antes.

Estabeleceram-se fábricas, indústrias de tecidos começaram a parecer, porém não se desenvolveram devido à disputa com os tecidos ingleses.

Excelente resultado teve a fabricação de ferro com a implantação da Usina de Ipanema nas regiões de Minas Gerais e São Paulo.

A manufatura agrícola voltou a progredir. O algodão e o açúcar alcançaram a primeira e segunda posição nas exportações, no começo do século XIX. Nessa época apareceu o café, nova mercadoria, que logo foi do terceiro para o primeiro lugar nas exportações do Brasil.