Década Perdida 1980


Os anos 80 se tornaram conhecidos pelos historiadores e pesquisadores como a década perdida. É bastante comum vermos intelectuais e estudiosos, sejam eles da esfera política e até artística, se referirem aos anos 80 como “os anos perdidos” ou “a década perdida”.

Por quais motivos esse período, quase no final do século XX, recebe essa alcunha tão negativa?
Os anos 1980 são chamados de “a década perdida” devido a uma crise econômica que atingiu vários países. Tal crise resultou em altos índices de desemprego e queda de consumo.

Década Perdida

A crise no Brasil

Após 1979, o Brasil ainda estava sob a égide da ditadura militar. Nesse período conturbado, o país herdou os elevados índices de endividamento ocasionados por planos econômicos de anos anteriores. Além disso, os efeitos do chamado “milagre econômico”, que durou de 1968 a 1973, já haviam passado. Os anos 80 chegaram conduzindo a nossa economia para a estagnação, pois ela não conseguia se adaptar aos modelos econômicos mundiais, que estavam caminhando a passos largos para as diretrizes da política neoliberalista.

Devido a planos econômicos equivocados dos governos de alguns países latino-americanos, a crise econômica chegou com força logo nos anos iniciais da década de 80.

Os reflexos desse entrave na economia geraram:
– Desemprego
– Queda de consumo
– Aumento da dívida externa
– Declínio do Produto Interno Bruto (PIB), que corresponde à soma de todos os bens e serviços produzidos em uma determinada região, em um determinado período
– Desequilíbrio da balança comercial
– Submissão diante das exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI)
– Aumento da inflação

Para sanar o problema da crescente inflação, as saídas políticas adotadas pelo então presidente militar, João Baptista de Oliveira Figueiredo (que esteve no poder de 1979 a 1985), foi guiar a economia do Brasil de acordo com as diretrizes do FMI. As referidas diretrizes geravam cortes de subsídios que pesaram na renda da população por meio de controle de salário.

Após a saída do presidente Figueiredo e do fim da ditadura militar, que dominou o país de 1964 a 1984, quem estava para assumir o cargo de presidente era o político Tancredo de Almeida Neves. Contudo, ele veio a falecer e quem assumiu foi José Sarney.

A era Sarney foi marcada por uma série de planos que não conseguiram conter o problema da inflação. As medidas, conhecidas como o Plano Cruzado, Cruzado II, Plano Bresser e Plano Verão, não obtiveram êxito para frear a inflação, que aumentava como uma bola de neve.
– Plano Cruzado: Foi lançado no dia 28 de fevereiro de 1986. Esse plano estabeleceu medidas como congelamento de preços, congelamento de salários, elaboração de uma espécie de seguro desemprego, entre outras medidas.

– Plano Cruzado II: Veio a substituir o primeiro plano e estabeleceu medidas como aumento dos impostos sobre bebidas e cigarros, reajuste de aluguéis, aumento da carga fiscal, entre outras.

– Plano Bresser: Foi implementado no dia 16 de junho de 1987. Esse plano consistiu em medidas como atrasar grandes obras (construção do trem-bala e pólo petroquímico no Rio de Janeiro), desativação do gatilho salarial e a eliminação do subsídio do trigo.

– Plano Verão: Veio a ser lançado no dia 16 de janeiro de 1989. Entre as principais medidas se destacaram a redução dos gastos públicos, mais congelamento de preços, reforma tributária (corte de três zeros na moeda), aumento dos juros, entre outras medidas.

Em um curto período que abrangeu a segunda metade da década de 80, a situação financeira se apresentava tão instável que a população brasileira teve no bolso moedas como o Cruzeiro, Cruzado e Cruzado Novo.

Apesar de tais planos e alternativas para salvar a oscilante economia brasileira daquele período, a inflação e a desigualdade social ainda perduraram, fatos esses que ajudaram a década de 1980 a ser conhecida pejorativamente como a década perdida.

O mundo na década perdida

Enquanto no Brasil a economia andava de forma cambaleante, o mundo era marcado pelo conflito ideológico conhecido como Guerra Fria, surgido no final da Segunda Guerra Mundial e concluído em 1989, em meio aos escombros do Muro de Berlim.

A Guerra Fria, de uma forma geral, marcou o mundo bipolarizado, dividido entre o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o bloco socialista, representado pela União Soviética.

Além da Guerra Fria, a década de 80 foi definida também pelo conservadorismo político dos principais líderes ocidentais, entre eles Ronald Reagan (então presidente dos Estados Unidos) e Margaret Thatcher (então Primeira Ministra da Inglaterra).

O conservadorismo político tanto do lado capitalista quanto do lado socialista, as crises econômicas, a expansão da AIDS e as polêmicas envolvendo a energia nuclear também ajudaram a consolidar os anos 80 como “1980 – A Década Perdida”.

No entanto, é válido recordar que se na esfera político-econômica esse período do século XX foi de retrocesso e incertezas, no campo cultural a década de 80 foi bastante representativa e até hoje os seus reflexos podem ser sentidos.

Na arte e na cultura, os anos 80 trouxeram a consolidação do rock como gênero musical e modo de vida, a expansão do cinema norte-americano e a moda marcada por penteados ousados e vestuário colorido.
No Brasil, houve a expansão do rock nacional em 1985, graças ao advento do primeiro Rock in Rio.