Resumo da República Velha: Revolta da Chibata (1910) e do Contestado (1914)


Em novembro de 1910, São Paulo e em Minas Gerais, poderosos couraçados, considerados os mais poderosos e importantes do mundo, a situação era muito tensa. Um velho regime disciplinas sobrevivia, que, entre outros exageros, previa violentos castigos corporais com utilização da chibata, inclusive para infrações leves. O mau tratamento dado aos marujos por parte dos oficiais, aliado às más condições de alimentação e de alojamento, serviu de estopim para a revolta.

Sob o comando de um marujo analfabeto e negro, conhecido como João Cândido, sublevaram-se os marinheiros dos dois grandes navios, inclusive, ameaçando bombardear a cidade do Rio de Janeiro com os poderosos canhões. Enviaram uma mensagem ao presidente da República que havia acabado de ser empossado, Hermes da Fonseca (1910 – 1914), onde solicitavam o fim dos castigos com a chibata na marinha.

Revolta da Chibata

Os rebeldes tinham um grande poder de fogo, por isso, o governo aceitou que fossem estabelecidas negociações, determinando a princípio, em troca do perdão as líderes desse movimento e da promessa de discutir a abolição dos castigos na marinha, a entrega dos navios.

Pouco tempo depois, os fuzileiros navais que estavam estacionados na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, estimulados pela aparente vitória de seus colegas marinheiros, revoltaram-se em defesa de propostas bem semelhantes àquelas dos marujos. Sem contar com o poder de fogo intimidador dos marinheiros, os fuzileiros não conseguiram sequer estabelecer negociações com o governo, que acabou reprimindo de maneira violenta esse movimento.

Em meio à repressão aos fuzileiros navais, o governo acabou por decretar estado de sítio e ainda ordenou que os principais líderes da Revolta da Chibata fossem presos, desrespeitando a anistia que foi concebida anteriormente. Dos 600 prisioneiros, poucos foram os que sobreviveram aos trabalhos forçados na Amazônia e aos maus tratos que foram submetidos na prisão.

A Revolta do Contestado por sua vez, teve também um desfecho sangrento, com um número ainda maior de vítimas. Suas origens remontam ao abandono e ao isolamento em que a população de uma vasta área situada entre os estados do Paraná e de Santa Catarina viviam, num território contestado pelos dois governos estaduais.

Enquanto este território esteve abandonado, permaneceu distante de qualquer atenção oficial, atraindo assim grupos que eram marginalizados de diversas origens. Lá se desenvolveram comunidades místicas em torno de líderes messiânicos, sendo o principal deles o monge José Maria, supostamente irmão de outro líder messiânico da região no final do século XIX, João Maria. O movimento em muito se assemelhou ao episódio de Canudos.

Ao criar uma alternativa ao poder político dos coronéis e com a disposição até de enfrenta-los, o movimento do Contestado representava, do ponto de vista das elites, um tumor a ser extirpado, o que aconteceu quando, no fim do ano de 1913, começaram a ser enviadas tropas para exterminar as comunidades populares da região, procedendo-se ao massacre metódico dos seus habitantes.

Os mecanismos políticos do poder oligárquico

No âmbito federal, o poder político era exercido pelo presidente da República. Com o objetivo de controlar a presidência e dessa maneira, defender os interesses privados, as oligarquias mineira e paulista, que pertenciam respectivamente ao Partido Republicano Mineiro e ao Partido Republicano Paulista, acabaram formalizando uma aliança que previa a alternância de políticos de dois estados no cargo máximo do executivo. Esse acordo não foi realizado em pouco tempo, mas resultou em longas articulações políticas. Isso porque, de um lado estava a oligarquia paulista que cerrou fileiras em torno do PRP após a proclamação, o que não se pode dizer dos mineiros, que só no ano de 1897, resolveram suas dissidências internas.

O primeiro mineiro a ocupar a presidência da República foi Afonso Pena, no ano de 1906. As razoes da aliança entre esses dois estados devem-se ao fato de que, juntos, aliavam o poder econômico, proveniente do café ao poder político, isto é, em votos, e Minas era nessa época, o estado com maior número de eleitores. Assim, iniciou-se a política do café com leite.

Os interesses comuns dos partidos mineiro e paulista garantiram sucessões presidenciais isentas de modificações ou traumas substanciais na condução do estado brasileiro. No entanto, o controle político que era exercido por mineiros e por paulistas só seria incontestável se houvesse o apoio dos outros estados da federação. Afinal, o presidente da República, em última análise, deveria sempre estar submetido ao poder legislativo.

O primeiro presidente a necessitar do apoio dos estados, ou seja, das bancadas estaduais no legislativo, para colocar em prática sua política foi Campos Sales, que governou de 1898 a 1902. E foi ele justamente o idealizador do mecanismo de articulação do poder central com as oligarquias estaduais, chamada de política dos governadores.

Também conhecida como política dos estados, ela consistia basicamente num acordo entre o chefe do executivo federal e os governadores estaduais, segundo o qual estes apoiariam o presidente da República, em troca da autonomia dos estados. Os governadores fariam o possível para eleger uma bancada de senadores e de deputados que iriam ao Congresso representar o seu estado e apoiar de maneira incondicional o presidente.