Vício de linguagem – a silabada


Existe no estudo da língua a matéria que se encarrega das figuras de linguagem. Elas modificam a linguagem para enriquecer a forma de se comunicar. Geralmente as figuras de linguagem são usadas por artistas como romancistas, poetas e compositores, pois elas realçam e embelezam as mensagens emitidas.

Um vício de linguagem é quase o contrário, pois é empregado de uma maneira que difere das normas gramaticais, indo no sentido oposto às regras da língua. Normalmente, esses vícios acontecem porque o emissor se descuida na sua conversação ou porque não compreende as normas gerais do Português.

a silabada

Uma figura de linguagem pode ser considerada também um vício em determinados casos. O pleonasmo se encaixa nisso. Se for empregado para reforçar a mensagem, trata-se meramente de uma figura de linguagem. Mas se o pleonasmo é usado de uma forma desnecessária, é tido como um vício de linguagem. Por exemplo:

* Carlos saiu para fora da sala.

Nesse caso, chamamos “pleonasmo vicioso”.

O vício de linguagem relacionado à entonação, ritmo e acento (que se divide em intensidade, altura e duração) é relacionado à prosódia. Essa área de estudo da linguística trata especificamente das propriedades acústicas da linguagem falada, ou, em outras palavras, da correta acentuação tônica.

O vício principal que envolve a prosódia é chamado de silabada (também chamado de cacofonia).

Em sentido oposto à prosódia, temos a ortoépia, que é o estudo que define as normas sobre a pronunciação das palavras de determinado idioma. O estudo de uma língua demonstra claramente um padrão que deve ser seguido. E isso envolve as sílabas tônicas das palavras, que, mesmo sendo pronunciadas de maneiras diversas pelas pessoas, devem seguir a norma culta. Mas mesmo assim ainda há muitas divergências, não só na pronúncia do dia a dia, como também em dicionários e gramáticas.

A Silabada

A silabada, que é um dos vícios mais comuns na linguagem cotidiana, é um erro que consiste na pronúncia diferente da palavra. Dá-se quando a sílaba tônica é alterada pelo emissor. Esse vício prosódico acontece normalmente devido à língua de origem dos vocábulos. É considerado um vício de linguagem não porque os gramáticos decidiram e sim porque o uso geral da palavra é utilizado da forma fixada pelas regras da língua. Por isso é necessário manter a norma gramatical, respeitando a origem do termo.

Veja abaixo uma lista das palavras mais comuns da língua portuguesa que são empregadas erroneamente. À esquerda você lerá a forma correta e à direita a forma errada.

Acrobata – Acróbata
Arquétipo – Arquetípo
Avaro – Ávaro
Bálcãs – Balcãs
Bênção – Benção
Circuito – Circuíto
Filantrôpo – Filântropo
Flúido – Fluído
Gratuito – Gratuíto
Ibero – Íbero
Ínterim – Intérim
Libido – Líbido
Lúcifer – Lucifér
Misantrôpo – Misântropo
Pudíco – Púdico
Réptil – Reptil
Ruim – Rúim
Rubrica – Rúbrica
Sutíl – Sútil
Xerox – Xérox
Zangão – Zângão

Para evitar todos os erros é necessário ter uma melhor compreensão do idioma. Ler bons escritores e ouvir bons oradores é essencial para quem deseja falar melhor. Para quem possui problemas com vícios de linguagem e constantemente precisa falar em público, é recomendável escrever antes a fala. Evitar vícios mais comuns como “então”, “ok” e “né” é o primeiro passo. Quem trabalha falando, deve fazer um curso de oratória.

Em relação à silabada, a atenção precisa ser maior nos casos em que a pronúncia errada origina outra palavra. Termos oriundos do grego tendem a confundir. Abaixo você saberá um pouco mais sobre o porquê disso.

Casos distintos

Quando se erra a sílaba tônica, é possível que outra palavra seja emitida, diferente daquela pretendida. Veja alguns exemplos de palavras iguais, mas com acentos tônicos diferentes:

Jáca – Jacá
Édito – Edíto
Contínuo – Continúo

Na língua portuguesa, o acento é uma parte essencial na interpretação do vocábulo. Ele é um elemento diferenciador na linguagem.
É comum a linguagem oral, por força popular, apresentar mais de uma pronúncia para alguns vocábulos. Tem-se, então, um caso de flutuação. É tido como um padrão até mesmo na língua culta, porque a palavra, independentemente da sílaba tônica, possui o mesmo significado. Mas, no geral, esses casos tendem a serem corrigidos com o próprio passar do tempo. Isso porque uma pronúncia se sobressairá em detrimento de outra, que será descartada. Veja alguns exemplos de flutuação:

Autópsia – Autopsía
Necrópsia – Necropsía
Projétil – Projetíl
Clítoris – Clitóris
Uréter – Uretér

O português possui muitas palavras de origem grega, devido ao elo que liga as duas línguas: o latim. Quando algumas palavras gregas foram adotadas pelos romanos, elas tiveram a sua pronúncia modificada. Isso refletiu no modo de pronunciá-las mais tarde em português. Alguns desses casos, primeiro em grego, seguido de latim, e depois em português:

Aínigma – Enígma – Enígma
Aithér – Aéter – Éter
Aígyptos – Aegíptus – Egíto
Athletés – Athléta – Atléta

Existe ainda o caso da palavra ter influência de outros idiomas, principalmente o espanhol. É o caso da palavra Oceania, que deveria ser pronunciada “Oceânia”.