Borracha Natural


A borracha natural é feita através do látex, que é extraído da seringueira e possui uma grande quantidade de benefícios para o setor industrial e cotidiano. Já a borracha sintética é um produto criado a partir de derivados do petróleo e que pode causar danos a natureza.

Borracha Natural

Ambas possuem o mesmo material base, o poli-isopreno, que dá elasticidade ao material e permite atingir certos níveis de vulcanização. O uso mais comum da borracha é para apagar o que foi escrito pelo lápis. Quando a borracha escolar é macia, seu material é natural, a mais dura, sintética.

Como Surgiu a Borracha

A borracha não foi uma descoberta portuguesa em nosso território, mas os índios já a utilizavam muitos antes da colonização, não só os brasileiros mas também os que habitavam o território da América Central.

Já no ano de 1493, há relatos de que Cristóvão Colombo observou índios brincando com bolas elásticas, que eles chamavam de cauchu. Ao levar para a Europa, o material ficou conhecido como borracha, mas ainda sem aplicação.

Em 1735, o cientista e explorador francês Charles de La Condamine iniciou um estudo sobre o material, a partir de uma viagem ao Perú que rendeu uma expedição exclusiva em busca do produto. E a partir de suas descobertas e encantamento pelo material, La Condamine acabou levando o látex para a Europa, mas só em 1770 foi identificada sua elasticidade e possibilidade de molde. Mas foi Charles Goodyear, em 1836, quem aplicou enxofre no látex para proceder a vulcanização, criando assim um material muito mais volátil e resistente.

História da borracha no Brasil

O apogeu da borracha no Brasil aconteceu em 1870, quando o país se tornou monopólio de exportação do produto. O país já era uma república e. com o uso da borracha para pneus dos novos automóveis que surgiam, ela conquistou seu lugar no interesse do mundo.

Grandes empresas estrangeiras eram representadas no país através de casas de fornecimento e troca de mercadorias, que incentivavam a compra a crédito com superfaturamento e a migração dos nordestinos para regiões onde havia seringueiras. Elas também financiavam a exploração de novos territórios em busca da árvore.

A comercialização da borracha permitia que o país estivesse nas bolsas de valores mais importantes, como a de Nova Iorque, e representava o capital estrangeiro marcando forte presença na economia brasileira.

O processo de industrialização da borracha, a partir da descoberta da vulcanização, triplicou o interesse pelo produto e cidades como Manaus, o principal centro urbano do ciclo da borracha no Brasil, tiveram crescimento estrondoso em um curto espaço de tempo. As elites brasileiras e estrangeiras trafegavam pela cidade em busca da riqueza, o que também gerava cultura para a região.

E para que a Bolívia pudesse ter acesso ao Rio Madeira e também conseguir escoar sua produção de látex, entrou num acordo com o Brasil assinando o chamado Tratado de Petrópolis, onde permitiu que o Acre fizesse parte do território brasileiro. Nesse acordo, a Bolívia teria acesso à estrada de ferro Madeira-Mamoré, que nunca ficou pronta.

Quando o Acre se transformou no maior produtor de borracha do mundo, não teve tempo de aproveitar seu apogeu pois logo a Ásia tomaria seu lugar. Bastou para que a região inteira fosse abandonada, deixando apenas o legado artístico-cultural.

Logo no início do século XX a Ásia começou a plantar seringueiras e a ameaçar o monopólio brasileiro, o que realmente aconteceu em 1915. De grandes exportadores, o Brasil passou a importar uma parte considerável de seu uso de borracha de países como a Malásia e Tailândia.

Mesmo depois do início da decadência da borracha brasileira, houve algumas tentativas de voltar aos bons tempos. Como a vinda das indústrias automobilísticas da Ford para a Amazônia, o fechamento do mercado da Malásia pela segunda guerra mundial e o investimento dos EUA na produção do látex em troca de uma compra muito aquém do valor de mercado, houve a criação da Zona Franca de Manaus como forma de incentivar o livre comércio e que acabou se transformando em região de contrabando. Por fim, a borracha natural brasileira vive hoje o período da sustentabilidade, interiorizando o desenvolvimento e aumentando a qualidade de vida dos habitantes e trabalhadores da região.

Processo de extração da borracha

A borracha é resultado da coagulação do látex, um líquido viscoso e embranquecido que escorre de algumas árvores, principalmente na Amazônia. A mais conhecida de todas é a seringueira, mas há látex também na balata e maniçoba.

Cortes são feitos no caule dessas árvores, onde alguns pequenos tubos feitos de madeira guiam o líquido para escorrer em tigelas amarradas ao tronco. Como o produto pode sofrer rápida reação de bactérias, deve ser recolhido rapidamente para evitar contaminação.

Seu processo químico é composto de um polímetro, onde uma união de milhares de pequenas moléculas criam outras muito grandes. Essa molécula grande é chamada de polisopreno, que provoca a elasticidade do material.

Quando a borracha obtida do látex é vulcanizada, os átomos do enxofre se unem aos da borracha através do calor e o gás proporciona mais resistência a borracha, inclusive em temperaturas intensas de frio e calor.

Suas possibilidades são vastas e o produto pode ter tamanha qualidade que, já em 1895, foi realizada uma corrida de automóveis com pneus envolvidos por câmaras de borracha.